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Assessora do Vasco relata assédio de torcida e é impedida de trabalhar

Sarah Borborema é assessora do time da base do Vasco - Reprodução/Instagram
Sarah Borborema é assessora do time da base do Vasco Imagem: Reprodução/Instagram

Beatriz Cesarini

Do UOL, em São Paulo

28/04/2018 13h29

Neste sábado (28), uma jornalista foi impedida de realizar o seu trabalho por ser mulher. Após sofrer forte assédio de torcedores do Fluminense que acompanhavam um jogo contra o Vasco pelo Campeonato Estadual do Rio sub-20, a assessora Sarah Borborema teve que deixar o local em que estava “por medida de segurança”.

“Desrespeitada, eu já fui diversas vezes. Já perdi a conta. Infelizmente a gente sempre escuta um ‘vadia’, ‘piranha’ e coisas piores que isso. Mas a nível de não poder fazer o meu trabalho foi a primeira vez que aconteceu”, contou Sarah em contato com o UOL Esporte.

Sarah já imaginou que o jogo deste sábado seria diferente de todos os outros que já cobriu. Desde que entrou no gramado das Laranjeiras, a jornalista foi alvo de xingamentos fortes por parte de diversos torcedores do Fluminense.

“Ouvi coisas muito ruins, como ‘sua gostosa, vou entrar em você, como sua torcida entrou no gramado em São Januário’. A gota d’água acabou sendo no intervalo, quando fui levar um atleta para falar com a televisão, que estava perto da torcida do Fluminense. Eles começaram a me xingar, chegou a ser um coro: ‘vadia’, ‘piranha’”, relatou a jornalista, que pediu auxílio aos seguranças do Fluminense.

“Perguntei se eles não iriam fazer nada ou tentar identificar alguém. E o segurança do Fluminense disse que não poderia fazer nada em relação a isso. E quando eu ouvi, eu pensei no movimento #DeixaElaTrabalhar. Fiquei bem abalada e a segurança disse que eu não deveria voltar ali, evitar aquela parte do gramado. E era onde a TV estava, era pedir para não fazer meu trabalho. Recebi muito apoio da comissão do Vasco, todo mundo me abraçou e é um absurdo a gente ter que enfrentar esse tipo de coisa”, acrescentou Sarah, que tem 23 anos de idade.

O #DeixaElaTrabalhar é um manifesto de jornalistas que trabalham com esporte. O movimento é contra o machismo e assédio nos estádios, redações, onde quer que aconteçam.

CEO do Fluminense, Marcus Vinicius Freire entrou em contato com Sarah e pediu desculpas em nome do clube. No site oficial, o time das Laranjeiras emitiu uma nota repudiando o ato:

"O Fluminense Football  Club condena a atitude de um grupo de torcedores tricolores que agrediu verbalmente uma funcionária do Vasco, neste sábado, em Laranjeiras, na semifinal do Carioca Sub-20. Por ser radicalmente contra as ações desta natureza, o clube pede publicamente desculpas. #DeixaElaTrabalhar", escreveu o clube.

O Vasco também se posicionou e mostrou o apoio à jornalista. "O Club de Regatas Vasco da Gama repudia atos machistas e preconceituosos como os praticados por alguns "torcedores" do Fluminense, agradece ao clube das Laranjeiras pela solidariedade prestada, ratifica seu apoio ao movimento 'Deixa Ela Trabalhar' e segue, firme, na batalha para que a Sarah, assim como qualquer outra profissional mulher, seja sempre respeitada", escreveu o clube em seu site oficial.

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