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Depois de encantar o City, Everton se firma e vira destaque do Grêmio

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

26/04/2018 04h00

Quem se surpreende com o rendimento de Everton no Grêmio não conhece sua trajetória. Aposta das categorias de base do clube, o jovem cearense que hoje tem 21 anos encantou o ex-presidente Fábio Koff e o Manchester City pelo potencial, mas precisou de alguns puxões de orelha para atingir o patamar atual.

A chegada ao Grêmio se deu em 2013. Depois de ser descoberto em um torneio pela equipe Sub-18 do Fortaleza, ele desembarcou sob indicação do então diretor da base gremista, Júnior Chávare. Primeiro emprestado e depois comprado, em 2014 ele já subiu para a pré-temporada do time principal, quando alternou treinos no time de cima e retornos para base. O técnico, na época, era Enderson Moreira.

No time B, do qual também fazia parte Luan, disputou sete partidas do Campeonato Gaúcho, marcou dois gols e fez o suficiente para ser levado ao time principal já naquele ano. Isso tudo com apenas 18 de idade.

Antes disso, duas situações pautavam a carreira dele. Primeiro a aversão ao frio, que o fez pedir para ir embora em 2013. Acostumado com a região nordeste do país, não suportava as temperaturas beirando o zero do Rio Grande do Sul. A direção, no entanto, o impediu de partir. Naquela época, ele já despertava atenção do Manchester City. 

O clube inglês entrou em contato com Chávare no início de 2014 propondo um período de testes para Everton na Inglaterra. Caso aprovado, poderia ser contratado e atuar em equipes inferiores até desenvolver-se o suficiente para o principal. Chávare levou o pedido ao presidente Fábio Koff, que rejeitou. Não adiantou muito, já que em 2015 e 2016 a pressão dos ingleses por ele aumentou. Em nenhum momento o Tricolor fraquejou.

Koff, aliás, é um dos claros admiradores do futebol dele. Desde cedo enumerava qualidades e dizia que estava ali um jogador de 'classe mundial' no futuro.

Cebolinha, treinadores e crescimento

O apelido de "Cebolinha" foi dado a Everton ainda em 2014. O lateral direito Pará - comandante da distribuição de apelidos no vestiário gremista - foi quem observou o formato da cabeça e o cabelo do jovem. Decretou que ali estava um sósia do personagem da Turma da Mônica.

Mas nem tudo foram rosas na trajetória do atacante do lado esquerdo que na quarta-feira marcou um golaço contra o Goiás. Everton já foi preterido no clube, em 2015, por Luiz Felipe Scolari. Sem chances, acabou relegado ao Time B e voltou a disputar partidas com as categorias de base.

Durou pouco. No fim daquele ano, Roger Machado assumiu o time e apostou forte nele. O garoto virou titular, mesmo oscilando, e ganhou alguns puxões de orelha por conta da conduta fora de campo. Precisava 'prestar mais atenção' no que sua carreira estava se transformando. E 'aceitar que dói menos' a titularidade.

Com Renato Gaúcho, Everton viu Pedro Rocha o ultrapassar na hierarquia técnica. Mas não lamentou a reserva, foi utilizado até como centroavante, trabalhou como suplente de Rocha, como reserva de Fernandinho, marcou o gol da vitória na semifinal do Mundial de Clubes contra o Pachuca e ali cavou a vaga para o ano seguinte.

Hoje são 19 partidas e cinco gols na temporada, contrato prestes a ser renovado e multa rescisória que somente equipes do porte do Manchester City poderiam de fato pagar. 

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