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"Homem de bastidor", Deco agencia selecionável ao lado de empresário de CR7

Deco conversa com Hernán Crespo durante painel da Soccerex, na China - Greg Baker/AFP
Deco conversa com Hernán Crespo durante painel da Soccerex, na China Imagem: Greg Baker/AFP

Lucas Pastore

Do UOL, em São Paulo

21/04/2018 04h00

Cinco anos depois de pendurar as chuteiras, Deco já chama atenção em nova profissão. O ex-meia, que passou por Porto, Barcelona e Chelsea e encerrou a carreira com a camisa do Fluminense, trabalha como empresário no comando da empresa D20 Sports e terá um cliente vestindo a camisa da seleção brasileira na Copa do Mundo da Rússia: o zagueiro Miranda, da Inter de Milão.

A princípio, a gestão da carreira do defensor é do empresário português Jorge Mendes, que também tem como clientes jogadores como Cristiano Ronaldo, James Rodríguez e Diego Costa, entre outros. Mas foi Deco quem apresentou o agente a Miranda quando o zagueiro estava sem representante. Por isso, o ex-meia tem participação em transferências em parceria com o europeu.

Figura constante nas convocações de Tite, Miranda pode ser considerado o principal jogador ligado a Deco em sua carreira como empresário. Mas o fato de ter um jogador prestes a disputar a Copa não muda a agenda do ex-jogador, que evita destacar seus clientes e tenta tratar todos com a mesma importância.

"Não muda a rotina não, é bastante parecido com os outros atletas que trabalhamos. Todos os nossos atletas são bem importantes para nós, sem individualizar muito essa questão em jogador que está em um nível mais acima. É assim que pensamos", disse Deco, ao UOL Esporte.

Entre os clientes de destaque de Deco, estão Tiquinho Soares, centroavante que se destaca com a camisa do Porto, e Fabinho, lateral e meio-campista do Monaco. O segundo também é fruto de parceria com o ex-meia com Jorge Mendes.

O nome do empresário português às vezes aparece ligado a polêmicas, seja pelas acusações de fraude fiscal a seus clientes na Espanha, seja por sua suposta influência sobre clubes europeus. Deco diz que tem boa relação com o português, mas deixa claro que na parceria cada um tem sua linha de trabalhar.

"Temos jogadores em parceria, Como Fabinho e Miranda. Mas como tudo na vida temos nossas ideias. Eu tenho a minha forma de pensar. Jorge é um amigo, temos uma relação boa desde 1997. Mas cada um tem o seu caminho, sua linha e jeito de trabalhar", declarou.

Das chuteiras ao terno e gravata

Deco fundou a D20 Sports logo depois de se aposentar. Cinco anos depois, já aparece como convidado da Soccerex, um dos principais eventos do mundo corporativo do futebol, para painel sobre a sequência da carreira de uma lenda do futebol ao lado do argentino Hernán Crespo. O ex-meia admite que seu sucesso como jogador o ajuda a se destacar na nova carreira.

"É muito importante. Eu sei o peso que o meu nome e a minha imagem têm em alguns clubes, alguns mercados, cenários. Claro que no Brasil e em Portugal essa situação é ainda mais evidente, pois são o país que nasci e o que escolhi viver posteriormente. No que faço hoje, que é agenciar atletas, é importante este trânsito", opinou.

Nascido em São Bernardo do Campo (SP), Deco tem cidadania portuguesa e defendeu as cores da seleção do país europeu entre 2003 e 2010. Por isso, o ex-jogador acha importante manter escritórios nos dois países em que tem mais trânsito.

"Não tenho preferência, não. Tenho as duas nacionalidades, né, gosto muito dos dois países. Nunca escondi o carinho que tenho por Brasil e Portugal. Eu também me divido bem entre os dois lugares, moro mais por lá, mas estou sempre aqui e temos, como falei, pessoas responsáveis pela empresa em vários destes locais", contou.

A evolução do boleiro

A empresa de Deco trabalha com captação de talento como se fosse um clube. Apesar de existirem casos em que jogadores procuram a D20 Sports, o ex-meia afirma que o outro caminho é o mais comum.

"Há casos e casos, pode acontecer das duas formas. Tenho uma equipe bem grande na D20Sports. São pessoas que trabalham comigo nesse processo de captação de atletas, de observação, de auxílio no dia-a-dia mesmo. Temos profissionais no Brasil e em outros países para que a gente possa observar e cuidar mesmo bem de perto", descreveu.

Deco esteve do outro lado da relação até 2013 e não vê muitas diferenças dos boleiros de sua época para os atuais. Mas o ex-meia acredita que hoje os jogadores têm muito mais amparo para que possam desempenhar sua profissão em alto nível.

"Não vejo muitas diferenças no perfil dos atletas, não. Mas que hoje há muito mais apoio, sem dúvidas. E acho importante. Um atleta tem de ter todo o suporte possível fora de campo para que possa pensar e focar apenas em render, em fazer seu trabalho. Se as coisas fora de campo andam bem, o atleta tende a ficar mais tranquilo e fazer apenas seu trabalho", explicou.

Uma das diferenças em relação à época em que Deco jogava é o crescimento da participação de jogadores em redes sociais. Hoje empresário, o ex-jogador vê importância nas ferramentas, mas alerta para possíveis exageros.

"Como tudo nessa vida, tem de ser usado com equilíbrio. Eu acho que se tratando de imagem, de interação com o torcedor, é muito importante. Mas o atleta precisa saber usar, precisa entender para que elas servem exatamente e tirar proveito disso. Se não souber, realmente, pode atrapalhar na questão do foco. Eu tenho as minhas redes sociais, acompanho, mas sou muito tranquilo", declarou.

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