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Carille revê Paraná, onde brilhou como lateral "disciplinado e líder"

Carille se sagrou campeão estadual pelo Paraná em 1996: reencontro na Vila Capanema - Reprdução
Carille se sagrou campeão estadual pelo Paraná em 1996: reencontro na Vila Capanema Imagem: Reprdução

Diego Salgado

Do UOL, em São Paulo

21/04/2018 04h00

Você decerto já está acostumado ao estilo de Fábio Carille à beira do campo, nas coletivas de imprensa e na função de treinador do Corinthians. O técnico chegou a marcas expressivas no comando do time alvinegro depois de anos como auxiliar de Tite e Mano, numa fase posterior à carreira pouco lembrada como lateral esquerdo.

Neste domingo, o Corinthians de Fábio Carille enfrenta o Paraná Clube na Vila Capanema, local onde o jogador Fábio Luiz viveu seus melhores dias como jogador de futebol. Na equipe paranaense, o treinador corintiano ergueu a taça de campeão estadual de 1996 como titular do time treinado por Antônio Lopes e composto ainda pelos meias Ricardinho, autor do gol do título, Tcheco e Sidnei Lobo, além dos atacantes Mazinho Loyola e Paulo Miranda.

Mas como era o Carille atleta? Qual a postura do hoje treinador do Corinthians em campo e também fora dele? Em busca dessas respostas, a reportagem do UOL Esporte escutou pessoas que conviveram com Carille há 22 anos. Segundo elas, o treinador alvinegro ainda carrega traços já mostrados em campo naquela campanha vitoriosa do Paraná.

Carille foi jogador de futebol por 15 anos e defendeu o Paraná em três passagens distintas. A primeira se deu logo após ele deixar o Corinthians, clube que apostou na sua contratação em setembro de 1995 após o lateral se destacar pelo XV de Jaú, no Paulistão. Meses depois, porém, a diretoria alvinegra aceitou uma proposta do Paraná pelo lateral.

Carille - Reprodução - Reprodução
Carille a caminho da final do Paranaense de 1996: lateral esquerdo discreto e observador
Imagem: Reprodução

"Dá para dizer que o Paraná foi muito importante para a minha formação como atleta. Tive dois treinadores lá, o Antônio Lopes e o Lazaroni [em 1997]. Não tive tantos trabalhos táticos antes de chegar ao Paraná e com esses dois profissionais eu tive. Me ensinaram muito o posicionamento na linha de quatro", disse Carille, em rápido contato com o UOL Esporte.

Aos 22 anos, exatamente a metade da sua idade atual, Carille foi uma peça importante da linha defensiva do Paraná treinado por Antônio Lopes, que levou a equipe recém-fundada ao tetracampeonato estadual naquele ano. O ex-treinador de Paraná, Vasco e Corinthians se refere a Carille como "meu lateral esquerdo". E jura que Carille já mostrava, mesmo que timidamente, um perfil de liderança nas preleções comandadas por ele no Paraná. Nos treinos, era visto como um jogador que gostava de trabalhar e estar em campo.

"Ele sempre se manifestava positivamente. Já mostrava ali que conhecia, era um cara com perfil de líder, sem gritar. Essa tranquilidade que ele passa como treinador ele já passava como jogador. Foi importante para aquela conquista. Eu gostava dele também pelo comportamento exemplar, ele treinava muito, era disciplinado. Ele está passando a mesma coisa hoje para os jogadores dele", disse o dirigente e ex-treinador.

De acordo com Sidnei Lobo, responsável pela ida de Carille ao Corinthians em 2009, o lateral esquerdo Fábio [Carille passou a ser chamado de Fábio Luiz nos anos seguintes] nunca perdia o semblante calmo e sempre se mostrou extremamente concentrado. Reservado como hoje, ele mais escutava que falava, mas nunca deixava de se manifestar quando era possível.

Carille 2 - Reprodução - Reprodução
Carille defendeu o Paraná no Brasileirão 97
Imagem: Reprodução

"Era uma maneira que ele tinha de encarar os desafios. Apesar da seriedade e comprometido, era divertido, agradável. Ele sempre teve umas sacadas rápidas, fazia o grupo sorrir, era de grupo, companheiro e muito agradável. Ele construiu [esse perfil] naquele período. Ele era discreto, mas foi inteligente para absorver as coisas e saber o momento certo de fala", relembrou o auxiliar de Mano Menezes.

Veia tática já aparecia

Sidnei Lobo atuou ao lado de Carille durante boa parte do campeonato e sentiu na pele a noção tática do lateral Fábio. Por causa dessas características, o auxiliar de Mano Menezes diz que já naquela época via um jogador moderno em campo. E isso facilitava a vida do próprio volante em campo - a parceria entre os dois voltou a se repetir em 2002, novamente no Paraná, e se consolidou no Corinthians de Mano Menezes, quando ambos foram auxiliares e companheiros por dois anos e meio.

"Eu costumava dizer que ele era um jogador de perfil europeu, tinha essa característica. Era alto, tático, que sabia fazer cobertura, sabia o momento certo de apoiar e facilitava a vida dos volantes como eu. A gente se entendeu muito bem naquele time", disse Sidnei.

Antônio Lopes também relembra a noção tática do jovem franzino de 1,85 m na lateral. Segundo ele, Carille não tinha apenas o perfil defensivo como característica marcante. Ele era 'equilibrado' e só 'atacava na boa', com inteligência, somente quando o lateral direito Gil Baiano estava postado na defesa do outro lado do campo.

Carille 3 - Marcello Zambrana/AGIF - Marcello Zambrana/AGIF
Fábio Carille é técnico do Corinthians desde o começo de 2017 e já acumula três títulos
Imagem: Marcello Zambrana/AGIF

"Eu mesmo pedia para ele fazer isso. Ele cumpria bem o que eu pedia. Ele fazia bem o papel de terceiro zagueiro pela esquerda também. Ele era equilibrado e só atacava na boa. E, pelo que vejo, ele faz isso de novo com o Corinthians", frisou Antônio Lopes, que reencontrou Carille duas vezes no ano passado, quando Corinthians e Botafogo se enfrentaram pelo Brasileirão - um abraço caloroso marcou o momento.

O jornalista Carneiro Neto, que cobriu a final entre Paraná e Coritiba em 1996, ressalta que Carille viveu a melhor fase da carreira ao chegar num time pronto, que já vinha de três conquistas estaduais. Numa equipe vencedora, que só contratava pontualmente e era bem sólida, o lateral Fábio caiu como uma luva.

"O Fábio era um jogador correto, não era um craque, mas era correto, com bom domínio de bola e boa noção [de posicionamento]. Era um time rápido que passava da defesa para o ataque de forma muito rápida. Era consistente na defesa e muito agudo no ataque. Essa chegada era muito forte. Vai ver o Carille lembrou do Paraná para montar o Corinthians", destacou o jornalista.

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