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Início de 2018 faz Roger e Carille "trocarem de status" antes de clássico

Carille tem se incomodado com os recentes resultados ruins do Corinthians - Daniel Vorley/AGIF
Carille tem se incomodado com os recentes resultados ruins do Corinthians Imagem: Daniel Vorley/AGIF

Dassler Marques e Leandro Miranda

Do UOL, em São Paulo

24/02/2018 04h00

Fábio Carille começou a temporada inquestionável no comando do Corinthians após a conquista do título brasileiro, enquanto Roger Machado, vindo de trabalhos interrompidos no Atlético-MG e no Grêmio, chegou sob desconfiança de parte da torcida ao Palmeiras. Menos de dois meses depois, no primeiro duelo entre eles em 2018, os resultados fazem com que os dois se encontrem em situações praticamente opostas.

Quando o Corinthians receber o Palmeiras em sua Arena a partir das 17h (de Brasília) deste sábado (24), pela nona rodada do Campeonato Paulista, Carille é quem entrará no clássico como o treinador pressionado. Roger, por sua vez, estará surfando em um início de trabalho que alia bons resultados - o time alviverde ainda não perdeu - e um desempenho superior na comparação com os principais rivais. Uma mudança brusca de status, que pode ser explicada pelo que aconteceu dentro do campo até agora.

Carille sofre com saídas não repostas e mudanças

Carille - Daniel Vorley/AGIF - Daniel Vorley/AGIF
Imagem: Daniel Vorley/AGIF

O clássico contra o Palmeiras mostrará um Fábio Carille incomodado pela dificuldade em deixar o Corinthians nas condições que gostaria para a primeira sequência de jogos importantes do ano. Depois do dérbi deste sábado em Itaquera, os corintianos jogam contra o Millonarios-COL na estreia da Libertadores e têm novo clássico, agora diante do Santos, como visitantes no Pacaembu. Essa trinca de partidas, para uma equipe que não vence há três jogos, será essencial.

Carille tem dado sinais de incômodo pelo período sem vencer e, acima disso, pela dificuldade na lateral esquerda e no comando do ataque, justamente posições que eram ocupadas por Guilherme Arana e Jô. O primeiro foi reposto por Juninho Capixaba, que não vem bem e dará lugar ao volante Maycon no clássico. O segundo simplesmente não foi substituído ainda.

Depois de bater cabeça com Kazim e Júnior Dutra, o treinador corintiano optou por uma formação nova, com Jadson de volta à ponta e Romero agora como jogador mais adiantado. É o experimento de Carille para tentar recuperar a estabilidade de resultados e a consistência do time. Algo fundamental para ele, em particular, nesse momento.

Como mostrou o UOL Esporte na sexta-feira, a relação entre o presidente Andrés Sanchez e Fábio Carille ainda não adquiriu o grau de confiança que existia com o antecessor Roberto de Andrade. As contratações de Marllon e Matheus não passaram pelo crivo do treinador, que inicialmente também se negou a abrir mão de Camacho. As vitórias, em especial em um clássico de grande proporção, são fundamentais para Carille trabalhar com maior tranquilidade e dar mais uma demonstração interna de força.

Roger mantém base e consegue adaptações rápidas

Roger - Marcello Zambrana/AGIF - Marcello Zambrana/AGIF
Imagem: Marcello Zambrana/AGIF

Pelos lados do Palmeiras, impressionou a velocidade com que Roger Machado parece ter encontrado o time ideal em um elenco com várias opções de qualidade. A base da equipe alviverde tem sido pouco mexida, com alguns setores cruciais, como goleiro (Jailson), zagueiros (Antônio Carlos e Thiago Martins) e meio-campo (Felipe Melo, Tchê Tchê e Lucas Lima) já possuindo titulares consolidados.

Além da escolha dos nomes, o desempenho coletivo da equipe tem agradado e evoluído a cada jogo. Algumas adaptações sutis foram muito importantes para um funcionamento melhor do time como um todo. Lucas Lima, por exemplo, foi recuado por Roger para fazer uma função que exige mais compromisso defensivo, mas com liberdade para circular pelo campo quando o time tiver a bola.

Já Borja, muito criticado no ano passado por buscar pouco o jogo e ter uma postura apática em campo, renasceu com o novo treinador. O colombiano já fez cinco gols em 2018, metade do que marcou em todo o ano passado, e tem se mostrado muito participativo, movimentando-se para buscar tabelas e infiltrações e ajudando a pressionar a saída de bola.

As apostas em Felipe Melo e Jailson como titulares também se mostraram acertadas até aqui, com o camisa 30 tendo excelentes atuações posicionado à frente da defesa, e o goleiro passando segurança. Sempre calmo e didático em suas explicações, o treinador já disse que manter o controle do vestiário é tão importante quanto o trabalho de campo, e tem mostrado preocupação especial em expor detalhadamente os motivos de suas escolhas: por exemplo, por que Victor Luís perdeu a vaga na lateral esquerda para Michel Bastos.

Após superar a desconfiança inicial da arquibancada, Roger ainda terá mais "dores de cabeça" quando nomes como Gustavo Scarpa e Moisés recuperarem a melhor forma física e se tornarem opções viáveis para o time titular. Por enquanto, ele mantém o que vem dando certo.

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