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Demitido, Gustavo Vieira diz que "morosidade" do Santos prejudicou trabalho

Ivan Storti/SantosFC
Imagem: Ivan Storti/SantosFC

Do UOL, em São Paulo

21/02/2018 12h24

Demitido na última terça-feira do cargo de diretor executivo de futebol, Gustavo Vieira disse, em entrevista à “ESPN Brasil”, que teve o seu trabalho prejudicado pela morosidade nas tomadas de decisões no Santos, principalmente em relação às contratações.

Segundo o dirigente, o clube passa por um processo natural de “assentamento político” depois da eleição de José Carlos Peres em dezembro, mas que a dificuldade de coordenar uma nova dinâmica fez com que ele encontrasse dificuldades tanto em atuar no mercado como na gestão do elenco.

“Quando se tem um grupo político (assumindo o clube) começa a ter assentamento natural. Todo trabalho de gestão sempre tem seu assentamento, uma disputa natural de poder. Pessoas que não tinham papel de protagonistas passam a ter. Outras, que pensavam ter mais força, se enfraquecem  um pouco. Traz um desafio para tatear e saber qual será a linha de comando”, disse o dirigente, que ficou 45 dias no cargo.

“O meu dia a dia era de um diálogo direto com o presidente, e ele com naturalidade conversaria com as pessoas próximas a ele antes de tomar as decisões. Só que todo esse processo gera morosidade. Mais pessoas, mais ideias, mais debate, demora mais. E no futebol, com os desafios de um início de temporada e a necessidade de definir o elenco, e ainda sem informações financeiras, cria uma dificuldade seja para gerir o momento, seja mercado, seja na ordem de campo”, completou.

Segundo apuração do UOL Esporte, o insucesso para fechar contratações, renovações de contrato, além de um relacionamento desgastado com o elenco, foram os principais motivos. O estopim foi a não contratação do meia argentino Lucas Zelarayán, do Tigres, do México.

Segundo Gustavo Vieira, o insucesso na contratação de Lucas Zelarayán é explicada por uma série de fatores, entre elas uma disponibilidade financeira abaixo da necessária para finalizar o negócio.

“Do Lucas, acho que já é sabido, os clubes procuram tanto um camisa 10 e 9, que é difícil no momento atual. Acompanho o Lucas há um ano e meio no Tigres. Foi uma ‘invenção’ minha, entre aspas, para suprir uma carência de mercado. Toda negociação é difícil, especialmente quando você não tem noção de quanto dinheiro (terá disponível). Sem ter essa informação, não temos total controle do movimento financeiro", disse.

"No meio do caminho surgiram outros clubes sul-americanos que fizeram propostas. Tivera n fatores que fugiram do controle. A gente teve que trabalhar com o menor recurso financeiro possível e assim ficou frustrada a contratação”, completou.

Sem ser específico, Gustavo disse que todo começo de gestão gera disputas políticas e sugeriu que este clima teve reflexo em seu trabalho. Ele também citou, sem detalhes, que o surgimento de "informações não verdadeiras de dentro do clube" prejudicaram o trabalho.

“Todo o trabalho inicia-se esperançoso. Futebol tem que ser sempre 100%, intenso, pleno. Se em algum momento não se encontra esses elementos, diminui-se o impeto de todo o projeto. Quando começam a surgir notícias, algumas não verdadeiras saindo de dentro de clube, o trabalho se desgasta. Tudo que se deseja é paciência no início de trabalho”, disse.

"No futebol, precisa ter uma linha de comando muito clara. Você tem algumas premissas que são razoavelmente aceitas, de comando unificado. Palavra quando dada é respeitada. Quando é emitida uma decisão precisa ser encadeada. Tudo isso é desafiador. Nosso papel era fazer diagnósticos e oferecer soluções. Quando antes você identificar, antes corrige a rota. Isso aparenta mais segurança, tanto internamente e externamente. Quando existe uma certa poluição, isso cria uma perturbação em todo o sistema", explicou.

Desta forma, Gustavo disse que deixa o clube frustrado, mas com a sensação de que o caminho será encontrado. "Saio com a consciência tranquila, mas com um pouco de frustração por não ver a continuidade de um projeto que tem tudo para dar certo", disse.

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