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Bruno Henrique avança "quadro complexo" e pode reforçar Santos no mata-mata

Atacante do Santos terá que voltar ao futebol com óculos de policarbonato e silicone - Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC
Atacante do Santos terá que voltar ao futebol com óculos de policarbonato e silicone Imagem: Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC

Gabriel Carneiro

Do UOL, em São Paulo

21/02/2018 16h19

Sem atuar desde a primeira rodada do Campeonato Paulista, em 17 de janeiro, o atacante Bruno Henrique pode ser a principal novidade do Santos para a fase de mata-mata da competição. Em tratamento de uma séria lesão ocular definida pelos responsáveis pelo tratamento como um "quadro complexo", o jogador de 27 anos já treina com bola no CT Rei Pelé, mas ainda precisa de três semanas antes de voltar aos gramados. Assim, o retorno aconteceria caso o time avance às quartas de final, que estão marcadas para os dias 18 e 21 de março.

Bruno Henrique sofreu uma bolada no rosto aos sete minutos do primeiro tempo de uma partida contra o Linense e está afastado desde então por conta da ocorrência de cinco lesões decorrentes da pancada no olho direito. O jogador, que chegou às mãos dos médicos com perda total da visão deste olho, tem cada vez menos dificuldades nas ações cotidianas e para a prática de esportes. Porém, a cautela do departamento médico se mantém.

"O caso dele é um quadro complexo porque tiveram diversas alterações no fundo do olho, mas estamos conseguindo resolver uma a uma, a rasgadura da retina, a hemorragia vítrea, a inflamação no nervo ótico e agora resolvendo o edema de mácula. Apesar de ele poder voltar a jogar futebol, se tudo der certo, em três semanas, ele vai seguir em tratamento e imaginamos que a recuperação visual final seja de seis meses", diz, ao UOL Esporte, o médico Celso Afonso Gonçalves, que ainda explica as razões do longo prazo de recuperação.

"Toda alteração de retina geralmente nunca é de recuperação rápida, e sim de recuperação lenta. Quando acharmos que ele já tem potencial de voltar a jogar futebol talvez ainda não esteja no potencial máximo de visão que vai chegar, mas já vai poder jogar sem prejuízo. E mesmo nesse período vai continuar sendo monitorado e acompanhado até o final. Não vai precisar estar 100% recuperado da visão para voltar a jogar. Se ele fosse um dentista que precisa ter a visão de micro detalhes, ou um aviador, operador de máquinas, que precisa da visão muito detalhada, talvez tivesse problemas. Ele precisa de uma visão boa, não espetacular. E terá", conta o médico especialista em retina e membro da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo (SBRV).

Bruno Henrique tem frequentado o oftalmologista de duas a três vezes por semana e mantido o tratamento, que já contou com aplicações de laser, infusão de medicação e pequenos procedimentos para acelerar a volta. Ele já treina com bola no CT Rei Pelé, mas sozinho, sem contato. A previsão é que na próxima semana já realize trabalhos com o grupo comandado pelo técnico Jair Ventura e depois de mais 10 ou 15 dias já esteja à disposição para atuar.

O prazo assim, termina em datas próximas à última rodada da fase de grupos do Paulistão, em 11 de março, contra o São Bento, ou a primeira partida das quartas de final, dia 18, caso o Santos se classifique - a equipe hoje é líder do Grupo D com 14 pontos, contra 11 do Botafogo e do Red Bull Brasil e sete do Mirassol. Na Libertadores, o atacante está suspenso por cinco partidas. A estreia pode ocorrer somente em maio, na última rodada da fase de grupos, isso se o clube não diminuir o gancho junto à Conmebol. Ao menos da estreia no dia 1º, contra o Garcilaso (Peru), o santista é ausência certa.

Óculos para o retorno aos gramados

Assim que retornar, Bruno Henrique precisará atuar usando óculos especialmente preparados para impedir novos problemas oculares. Ainda não há previsão do tempo em que isso será necessário, mas o acessório é tratado como indispensável no primeiro momento.

"É um óculos com lente de policarbonato, absurdamente resistente. Se você colocar embaixo de um trator o trator não consegue quebrar, é o teste que se faz. É a lente à base de policarbonato e a armação forrada por silicone por dentro para amortecer qualquer impacto, bolada ou cotovelada. Provavelmente incomoda um pouquinho, não é agradável, mas é um instrumento de proteção absolutamente necessário, indispensável. Isso porque no momento atual um novo trauma pode causar um dano irreversível. O que não precisamos é de um novo trauma", completa Celso Afonso Gonçalves.

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