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Herói no passado, Ramires relembra duelo e vê Chelsea e Barcelona "iguais"

Shaun Botterill/Getty Images
Imagem: Shaun Botterill/Getty Images

Guilherme Dorini

Colaboração para o UOL, em Londres (ING)

20/02/2018 04h00

É impossível lembrar da única conquista do Chelsea na Liga dos Campões e esquecer da histórica semifinal contra o Barcelona na mesma temporada. Foi ali que a equipe ganhou força para superar o Bayern de Munique na grande decisão, e que um brasileiro entrou para a história do clube. Ramires será para sempre lembrado pelos torcedores por aquele golaço de cobertura no Camp Nou, quando o cenário não era nada animador para os ingleses.

O meio-campista, que hoje atua no Jiangsu Suning-CHN, conversou com o UOL Esporte para relembrar aquele momento histórico e opinar sobre mais uma decisão entre Chelsea e Barcelona, que acontece nesta terça-feira, no Stamford Bridge, válida pela partida de ida das oitavas de final da Liga dos Campões.

Para Ramires, o Barcelona vive um momento ótimo, mas, apesar do momento irregular do Chelsea, a situação se iguala em uma decisão entre dois grandes times europeus.

“O Barcelona está vindo em um bom momento, mas são duas grandes equipes. As coisas meio que se igualam nessa hora, independente da situação atual que os times se encontram. Difícil de dar um palpite, mas meu coração estará com o Chelsea, sem dúvidas. É o time que sempre terei um carinho especial”, opinou.

Ramires foi fundamental para o Chelsea na classificação para a final da temporada 2011/12 da maior competição de clubes do mundo. Depois de vencer a partida de ida por 1 a 0 na Inglaterra - com assistência do brasileiro para Drogba -, os Blues estavam perdendo a volta por 2 a 0 e ainda com um jogador a menos, já que Terry havia sido expulso ainda no primeiro tempo. A situação era complicada. E foi então que o meio-campista brilhou mais uma vez.

Nos acréscimos da etapa inicial, Ramires recebeu lançamento de Lampard e, com frieza, deu um tapa por cima de Victor Valdés para calar o Camp Nou e reanimar o elenco do Chelsea. No segundo tempo, Messi ainda perdeu um pênalti, e Fernando Torres decretou a classificação para os ingleses com um empate por 2 a 2.

Confira o bate-papo como foi o bate-papo com Ramires:

Ramires e Lampard comemoram - Shaun Botterill/Getty Images - Shaun Botterill/Getty Images
Imagem: Shaun Botterill/Getty Images

UOL Esporte: Como foi a véspera daquele confronto? Vocês eram tratados como azarões contra o Barcelona...
Ramires: Lembro que a atmosfera era toda a favor do Barcelona. Os comentários, opinião pública, apostas eram todas para a vitória deles, e nós acabamos usando aquilo para nos motivar mais. Nós sabíamos que seria muito difícil, mas que poderíamos surpreender, ainda mais depois dos jogos anteriores que fizemos. Nosso entrosamento era forte, nossa defesa extremamente sólida e no ataque, tanto eu quanto o Lampard e o Drogba estávamos vindo de excelentes atuações. Nossa maior motivação, na realidade, não era do time a ser batido naquela época, mas sim de mostrar que não estávamos ali por acaso, que não éramos só uma equipe limitada e que ficava somente trancada atrás, como todos costumavam falar. O final e o roteiro desse filme não poderia ter sido melhor.

Seu gol entrou para a história do Chelsea. Como foi aquele momento?
Muita gente me pergunta sobre o que eu pensei naquele momento, mas ali, quando você está de cara para o gol, acontece tudo meio que no automático. Quando a bola estava indo para o Lampard eu já sabia que ele ia tentar o passe vertical, que era uma característica muito forte do jogo dele, e já disparei. Já havia feito alguns gols cavando pelo Cruzeiro, pelo próprio Chelsea, então era uma finalização que eu confiava. Quando vi o Valdés fora do gol foi o que veio na minha mente e graças a Deus fui feliz. Foi um momento mágico, que vai ficar para sempre na minha cabeça e na da torcida do Chelsea. Saber que esse gol deixou meu nome na história do Chelsea e da maior competição de clubes do mundo não tem preço. É algo que vou poder contar para os meus filhos e netos com muito orgulho.

Messi pênalti - Shaun Botterill/Getty Images - Shaun Botterill/Getty Images
Messi desperdiçou pênalti que poderia ter mudado finalista em 2012
Imagem: Shaun Botterill/Getty Images

E ainda teve um pênalti para o Messi bater, se ele converte...
O momento do pênalti perdido pelo Messi foi bem tenso. Sabíamos que se ele fizesse ia ser praticamente impossível reverter. Esse é o típico lance que acaba mudando tudo. A confiança volta, você volta a achar que é possível e vai em frente. Foi um momento chave para conquistarmos aquela vitória.

Acredita que eliminar o Barcelona foi fundamental para a conquista inédita?
A vitória sobre eles com certeza mudou a nossa confiança. Muitos que estavam criticando a nossa maneira de jogar passaram a ver que era um modo inteligente e eficaz, ainda mais pelas peças que formavam o nosso grupo, pelas características de cada um de nós, e aí não tínhamos mais o que temer. O título era o limite e alcançamos isso, com muita garra e dedicação.

No entanto, você recebeu um amarelo contra o Barça e estava suspenso na final. Como foi esse momento?
Para mim foi muito sofrido. Ter que ficar de fora daquele jogo foi uma das piores coisas que poderiam acontecer na minha carreira. Já havia passado por um momento parecido na Copa de 2010, quando não pude jogar contra a Holanda e acabamos saindo da competição. E aí passou um filme na minha cabeça de que isso poderia acontecer novamente. Graças a Deus deu tudo certo e pude comemorar no final. Nós tínhamos um time muito unido. Ganhar é sempre bom, entre amigos é melhor ainda.

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