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Gandula espancado por jogador diz perdoar agressor: 'Acabar com a mágoa'

Jefferson Reis, do Operário, agride gandula Tadeu Francisco Kutter Júnior - Reprodução de TV
Jefferson Reis, do Operário, agride gandula Tadeu Francisco Kutter Júnior Imagem: Reprodução de TV

Beatriz Cesarini

Do UOL, em São Paulo

20/02/2018 14h50

Tadeu Francisco Kutter Júnior é o gandula de 19 anos de idade que foi espancado por jogadores do Operário nos minutos finais da partida contra o Comercial, realizada em Campo Grande (MS), no último domingo (18). O jovem, que também é atleta da base do time colorado, disse, em entrevista ao UOL Esporte, que perdoa os responsáveis por deferirem os socos contra ele, mesmo sem receber algum pedido de desculpas.

“Eu perdoo sim. O perdão é o melhor remédio para acabar com a mágoa no coração”, falou Tadeu, que contou que não recebeu qualquer tipo de assistência do Operário ou um pedido de desculpas dos responsáveis pelas agressões.

A confusão ocorreu quando a partida de domingo entre Comercial e Operário, pela sétima rodada do Campeonato Sul-Mato-Grossense, caminhava para o final, no estádio Morenão. O jogo estava nos acréscimos do segundo tempo quando o Comercial fez 1 a 0. Irritado com a comemoração do gandula, integrantes da delegação do Operário partiram para a agressão.

Enquanto o gandula deixava o campo de ambulância com o nariz ensanguentado, jogadores das duas equipes trocavam pontapés e empurrões. O árbitro Paulo Salmázio encerrou o clássico local e expulsou três jogadores, Jefferson Reis entre eles, para que o policiamento agisse para conter a confusão.

Tadeu registrou boletim de ocorrência e, de acordo com o relato escrito no documento, os jogadores Jefferson e Rodrigo Grau, o massagista Raul e um preparador de goleiro, todos ligados ao Operário, agrediram o gandula ao longo da confusão.

Apesar dos fortes socos, Tadeu não sofreu uma lesão grave. Exames realizados na última segunda-feira (19) mostraram apenas um machucado na cartilagem e a fratura no osso nasal foi descartada. Agora, o gandula está tomando medicações necessárias, mas assegurou que está bem.

Tadeu Francisco Kutter Júnior, gandula e goleiro do Comercial - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal
Estudante do quinto semestre do curso de educação física e goleiro da base do Comercial, Tadeu utilizava o dinheiro que recebia no trabalho como gandula para pagar parte dos estudos. O jovem não se arrepende da comemoração, porque, segundo ele, era uma característica dele durante as partidas.

“Eu sempre comemoro daquele jeito. Gol aos 47 minutos do segundo tempo, quem não vai comemorar, não é?”, disse Tadeu, que espera seguir nas funções de goleiro e gandula.

Ao UOL Esporte, o presidente do Comercial, Walter Magini, disse que é um costume do clube utilizar atletas como gandulas dos jogos do time principal. “Nós sempre fazemos um revezamento, uma partida os meninos da base e outra, as meninas. No nosso próximo jogo do estadual, vamos colocar as meninas do nosso time feminino”, explicou.

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