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Viúva de vítima de vôo da Chape mantém roupas intactas e se apoia no filho

Graziele posa com o pequeno Tiago na casa da família - Arquivo pessoal
Graziele posa com o pequeno Tiago na casa da família Imagem: Arquivo pessoal

Leo Burlá

Do UOL, no Rio de Janeiro

29/11/2017 04h00

A madrugada do dia 29 de novembro ainda permanece viva para Graziele de Aquino Alves, viúva de Tiaguinho, uma das vítimas fatais do acidente com o voo que levava a Chapecoense para Medellín.

Passado um ano do desastre, ela ainda mantém vivas as lembranças do marido. Mas se as roupas guardadas cuidadosamente no armário da casa da família são apenas um conforto para Graziele, a presença do ex-atacante está materializada na figura do pequeno Tiago, filho do casal que nem chegou a conhecer o pai.

É no cuidado diário com o bebê de quatro meses que ela se conecta com o ex-marido, morto na semana mais feliz da vida do casal. Cinco dias antes do embarque final, os dois souberam que seriam pais pela primeira vez.

"Eu mantenho ele vivo dentro da minha casa e na minha memória por todos os dias da minha vida e tento fazer tudo do jeito que ele gostava. O meu guarda-roupa é repleto de roupas dele, eu mantive e quero manter para sempre, pois isso me faz bem. Depois daquele dia eu me vi perdida, tentei achar uma saída, sem motivo para querer viver. Mas no dia 19 de julho a minha força nascia, o motivo para eu ter forças e querer continuar vivendo", contou ela.

O amor de Graziele não se limitou apenas ao culto à memória de Tiaguinho. Além das fotos que decoram o apartamento em Bom Jardim, na Região Serrana do Rio, ela tatuou na nuca uma homenagem ao ex-atacante. Entre duas asas que sugerem a imagem de um anjo, Graziele pediu para gravar em sua pele a inscrição "T94", uma referência ao número da camisa do ex-jogador e a letra inicial de seu nome.

Após o trauma inicial causado pelo acidente, o contato com as demais famílias das outras 70 vítimas tornou-se menos próximo, embora ainda constante. Por meio de um grupo de Whatsapp, muitas esposas compartilham suas experiências e trocam palavras de incentivo para seguir adiante.

"Quero seguir a caminhada junto com o meu filho, que é a maior motivação dos meus sonhos. Falo sempre com as outras esposas, estaremos sempre unidas pela dor e pelo amor", disse.

No dia que marcou um ano da triste noite na Colômbia, muitas orações, postagem nas redes sociais e outras tantas mamadeiras para Tiago Filho. Vida que segue para Graziele e família.
 

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