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Bosco conta como foi acerto de Ceni com Fortaleza e diz que SP foi injusto

Bosco foi companheiro de Ceni no São Paulo por seis anos: entre 2005 e 2011 - Gaspar Nóbrega/VIPCOMM
Bosco foi companheiro de Ceni no São Paulo por seis anos: entre 2005 e 2011 Imagem: Gaspar Nóbrega/VIPCOMM

Marcello De Vico e Vanderlei Lima

Do UOL, em Santos (SP)

18/11/2017 04h00

Depois de seis anos de convivência no São Paulo, Rogério Ceni e Bosco voltarão a trabalhar juntos, agora no Fortaleza e em posições totalmente diferentes. Ceni será o novo técnico do Leão do Pici, enquanto Bosco exerce a função de preparador de goleiros do clube cearense desde dezembro do ano passado. E a sintonia que ambos tinham desde a passagem pelo Morumbi parece continuar a mesma de anos atrás. A própria chegada de Ceni passou pelas mãos de Bosco, que além de ceder à diretoria o contato do treinador e lhe apresentar o CT do Fortaleza, fez questão de insistir junto aos mandatários que contratassem o ex-companheiro.

Em conversa por telefone com o UOL Esporte, Bosco, hoje com 43 anos, mostrou-se bastante empolgado com a chegada de Rogério Ceni justamente para o ano do Centenário do Fortaleza (2018). Ele fez questão de elogiar a ousadia do clube em apostar em Ceni e deu sua opinião sobre a passagem do ex-goleiro como técnico do São Paulo – ressaltando inclusive que considerou injusta a forma com que o clube do Morumbi tratou um de seus maiores ídolos.

Rogério Ceni, São Paulo - Marcello Zambrana/AGIF - Marcello Zambrana/AGIF
Imagem: Marcello Zambrana/AGIF
“O São Paulo foi até um pouco injusto com ele, porque deu pouco tempo para ele trabalhar. O time do Rogério empolgava a gente para assistir porque era um time que fazia muitos gols, um time que jogava para frente. Claro que ficava exposto lá atrás e também acabava tomando alguns gols, mas era um time que estava inovando, um time que atacava, que fazia gol, que fazia bonito, porém ele foi traído pela situação financeira do clube, que precisava vender jogadores para poder fazer o caixa, então peças importantes do elenco foram indo embora e o Rogério ficou de mãos atadas. E o São Paulo é um clube grande, de pressão, vive de resultados, e quando o resultado não vem acaba não poupando ninguém, mas na minha opinião foi injusto, o pouco tempo que ele teve de mostrar o seu trabalho, mas mesmo assim, com esse pouco tempo, ele pôde mostrar a sua cara e que realmente é um treinador muito promissor”, analisou.

O São Paulo foi um pouco injusto porque deu pouco tempo para o Rogério trabalhar.

Bosco ainda saiu em defesa de Rogério Ceni por ele ter iniciado a carreira de treinador justamente no São Paulo, um clube de grande expressão. E justificou.

“Na própria entrevista do Rogério ele falou assim: que ele não poderia nunca dizer um não ao convite do clube que deu tanta glória para ele, então quando ele teve o convite de ser o treinador do São Paulo, ele falou que não era honesto dizer não ao clube que ele tanto ama, então ele aceitou o desafio, e estudou e se preparou para isso. O estudo maior de um profissional é a carreira dele, aquilo que ele aprendeu nos anos de atleta. É claro que o estudo fora do campo é também interessante e importante, mas nada é melhor do que você ter vivido aquilo ali, então o Rogério conhece esta parte, então ele está associando essas duas coisas e por isso que ele vai ser um grande treinador”, garante o ex-goleiro de São Paulo e Fortaleza.

COINCIDÊNCIA: COMO AS NEGOCIAÇÕES COMEÇARAM

Bosco contou que o nome de Rogério Ceni começou a ser cogitado – após a confirmação da não permanência de Antônio Carlos Zago – justamente num momento em que o agora treinador tinha participação confirmada em um evento na cidade de Fortaleza. A partir de então, tudo caminhou rapidamente, desde a apresentação do CT a Ceni até a conclusão do negócio.

Bosco em treinamento nos tempos de São Paulo - Fernando Santos/Folhapress - Fernando Santos/Folhapress
Imagem: Fernando Santos/Folhapress
“O nosso técnico até então era o [Antônio Carlos] Zago... Ele estava em negociação para renovação de contrato com o Fortaleza e, ao mesmo tempo, surgiu a proposta do Juventude, e como o Zago não chegou a um acerto com o Fortaleza, o clube ficou sem treinador. O Fortaleza ficou focado na Taça Fares Lopes, competição que dá uma vaga para a Copa do Brasil, mas, claro, trabalhando com alguns nomes, com algumas possibilidades. Aí o Sérgio Papellin, que é o nosso executivo de futebol, me pediu o telefone do Rogério Ceni; eu passei, ele ligou para o Rogério e o Rogério me ligou em seguida perguntando se eu tinha passado o telefone e tal, e o Rogério falou: ‘coincidentemente eu vou estar aí em Fortaleza amanhã, vou fazer um evento no domingo e quem sabe, sentar e começar a ouvir o que eles têm, a proposta e tal’”, revela Bosco.

“Então a gente ficou meio combinado que, quando ele chegasse de viagem, a gente iria ao hotel conversar, e nós fomos lá, eu, o presidente Marcelo Paz, o Eduardo Girão, presidente geral, e o Sergio Papellin. Batemos um papo de mais ou menos duas horas, mas não foi falado sobre nenhuma proposta, nada...Apenas falando sobre as pretensões do Fortaleza, que era um ano de Centenário, os objetivos que o Fortaleza tem no ano que vem, e se ele Rogério se sentiria disponível para comandar a equipe. Foi quando o Rogério falou: ‘amanhã eu tenho um evento, mas depois do evento eu gostaria de conhecer o CT’, e foi quando a gente convidou e o Rogério foi lá. Ele gostou, mas nada foi realmente programado, foi coincidência ter conseguido aquele papo amigável justamente na véspera de um evento em Fortaleza”, afirma Bosco.

BOSCO ELOGIA OUSADIA DO FORTALEZA POR BUSCAR CENI

Bosco admite que as negociações com Rogério Ceni não foram das mais simples. Acredita, porém, que a estrutura atual do Fortaleza e a seriedade do clube ajudaram o treinador a optar pelo acerto com o Leão. Ele ainda elogiou a diretoria pela ‘ousadia’ em tentar trazer Ceni.

Bosco, ex-goleiro do Fortaleza - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução
“Trata-se de um grande nome, e quando se trata de um grande nome, as negociações perduram um pouco mais. Mas eu fiquei feliz pela ousadia do Fortaleza de poder trazer um profissional da altura do Rogério e feliz também pelo Rogério aceitar o desafio, de poder treinar uma equipe tão grande como a do Fortaleza. Claro que, a nível nacional, não tem a expressão que merece, mas na região e no Nordeste o Fortaleza é muito forte, a sua torcida é muito presente, é muito grande e muita apaixonada, e o Rogério já sentiu isso quando foi jogar contra o Fortaleza algumas vezes. Ele pode experimentar ali a força dos torcedores”, analisou.

Eu fiquei feliz pela ousadia do Fortaleza de poder trazer um profissional da altura do Rogério.

“É um clube que oferece uma estrutura muito boa de trabalho, tanto é que, quando o Rogério visitou o nosso centro de treinamento, antes até de receber qualquer proposta ou aceitar, ele primeiro teria que ver se existia alguma estrutura de trabalho. E ele foi lá, conheceu e achou muito bom. Claro que precisa de algumas melhorias e, mesmo antes do Rogério, já estava sendo providenciado. É um clube que oferece muita estrutura, é uma diretoria muito séria, é um clube que, desde abril até agora, paga rigorosamente em dia os funcionários, os jogadores... Então o Rogério percebeu isso”, acrescentou.

FAMÍLIA FEZ CENI BALANÇAR A QUASE RECUSAR PROPOSTA

De acordo com Bosco, o fato de deixar a família em São Paulo e seguir ‘sozinho’ para Fortaleza foi o que mais balançou Ceni na hora de fechar com o Fortaleza. Porém, uma conversa com a mulher e os filhos deu a confiança suficiente para o treinador aceitar o novo desafio.

Rogério Ceni entra acompanhado das filhas no Morumbi. Vencedor do duelo contra o Penapolense encarará o Corinthians nas semis - Leandro Moraes/UOL - Leandro Moraes/UOL
Imagem: Leandro Moraes/UOL
“Claro que a parte financeira foi uma questão discutida, mas o que mais pesou foi justamente a família... Pela primeira vez saindo de São Paulo para ir para um lugar como o Nordeste, longe das filhas; isso até pesou um pouco mais. Mas aí ele deu um tempo para pensar e creio que chegaram a um consenso, ele com a família, e viram o que era melhor para ele, para o segmento de sua carreira como treinador. Então acho que foi bom para ele e para a família. O Rogério já está sendo muito bem recebido pelo torcedor do Fortaleza, pela imprensa, por todos que fazem parte do clube. Ele vai começar o trabalho focado como ele realmente é, mais à vontade, com mais liberdade, porque a cidade está o recebendo muito bem”.

CONTRATAÇÃO DE CENI TEVE APELO DOS ‘GOLEIROS

Além de Bosco, o goleiro e capitão Marcelo Boeck, ex-Chapecoense e um dos heróis do Fortaleza na conquista do acesso à Série B do Brasileiro nesta temporada, foi mais um a torcer pela chegada de Ceni.

Eu fui uma das pessoas que mais torceu para que o Rogério viesse; eu juntamente com o presidente e o Marcelo Boeck, nosso goleiro.

“Eu fui uma das pessoas que mais torceu para que isso acontecesse; eu juntamente com o presidente, que queria muito, e o Marcelo Boeck também, o nosso goleiro, que é o nosso capitão, ele intercedeu muito. A gente falou: ‘esse é o nome, esse é o nome, tem que vir, tem que vir’, e por isso que o Fortaleza juntou tantas forças para poder realmente trazê-lo. Para mim será uma satisfação enorme poder voltar a trabalhar com o Rogério”, disse Bosco.

Marcelo Boeck comemora vitória do Fortaleza - Divulgação/Fortaleza - Divulgação/Fortaleza
Marcelo Boeck, goleiro do Fortaleza
Imagem: Divulgação/Fortaleza
“Sei da sua capacidade, do seu foco, do seu profissionalismo. Passamos seis anos juntos no São Paulo, eu vi o quanto ele é focado e concentrado nos objetivos e eu penso que, como ele foi jogador assim, ele vai ser como treinador também: focado, vencedor, buscando sempre estar em cima, então o Fortaleza ganhou muito. O Rogério é um cara muito profissional, talvez um dos mais profissionais com quem já trabalhei. É difícil achar um profissional como o Rogério, como ele foi como jogador, de treinar muito, ser focado, estar comprometido com os objetivos do clube. Vai ser maravilhoso trabalhar ao lado dele mais uma vez, e será um ano muito inédito para o Fortaleza; depois de oito anos na Série C, voltando para uma Série B, então é um momento mágico, e o Rogério veio realmente a calhar. E será ano de Centenário, o Fortaleza tem muito a ganhar com isso e o Rogério também, para que a sua carreira possa realmente decolar, e eu tenho certeza que ele vai ser um treinador glorioso”, completou.

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