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Terceira via para o Coritiba, candidato prega austeridade e aposta na base

Chapa "Novo Coritiba" foi a última a se inscrever e aparece como terceira via - Arquivo pessoal
Chapa "Novo Coritiba" foi a última a se inscrever e aparece como terceira via Imagem: Arquivo pessoal

Napoleão de Almeida

Colaboração para o UOL

17/11/2017 08h45

No dia 9 de dezembro cerca de 6 mil sócios do Coritiba irão eleger o próximo presidente e o grupo gestor para o próximo triênio, 2018-2020. Entre as três opções está Pedro de Castro, engenheiro civil e empresário do ramo de construção, que aos 40 anos encabeça a chapa “Novo Coritiba”, a última das três a se inscreverem para o pleito. Antes, registraram-se a “Coritiba do Futuro” e “Sangue Verde”.

G5 Novo Coritiba - Divulgação - Divulgação
Novo Coritiba, da esq. p/ dir.: Cansian, Florenzano, Castro, Jango e Stenger
Imagem: Divulgação

Castro tem ao seu lado para formar o G5 André Cansian, Rodrigo Florenzano, Jango Luiz Buffara Lopes e Glenn Stenger. Pedro de Castro, Florenzano, Stenger e Jango são os que já passaram de alguma forma pela vida política do Coxa, como conselheiros. A chapa conta com o apoio do ex-presidente Vilson Ribeiro de Andrade, que antecedeu o atual, Rogério Bacellar, como mandatário do clube.

O UOL Esporte conversou com Castro sobre os planos dele para o Coritiba e ouviu dele uma grande preocupação: a dívida do clube.

UOL – Por que você quer ser presidente do Coritiba?

Pedro de Castro - Eu quero ser presidente do Coritiba por que sou movido e motivado por desafios. Gerir uma empresa como o Coritiba será um grande desafio. Eu não político, não tenho pretensões de ser. Eu gosto de começar e ir até o fim, e quando surgiu essa oportunidade pra mim, veio de forma surpreendente e a aceitação foi imediata. É um impacto dirigir um time de futebol, mas estou preparado.

UOL – Você falou que “a oportunidade surgiu”. Entre os três candidatos, você é o menos conhecido politicamente. Como foi essa decisão de sair candidato?

PC - A participação com o Coritiba inicialmente é como torcedor de arquibancada. E me envolvi com o conselho deliberativo, sou conselheiro, entrei alguns anos atrás. Tentei uma nova candidatura, por que as chapas são formatadas em 160 pessoas, e fiquei como suplente. E ingressei novamente há pouco tempo. Mas a gente tem envolvimento com as pessoas dentro do Coritiba no sentido de ter informações do clube. Eu não tenho negócios nem envolvimento pessoal no clube, mas como empresário a gente observa uma falha muito grande no Coritiba. Quando a gente observa pessoas que tem interesse político no clube, eu resolvi mudar.

Pedro de Castro Coxa - Divulgação - Divulgação
Pedro de Castro quer ser presidente do Coritiba
Imagem: Divulgação

UOL- E como a chapa pode mudar o Coxa?

PC - Iremos mudar a mentalidade, a forma de pensar o Coritiba. Pensar como empresa, de forma eficiente. Primeiramente eu quero definir alguns conceitos da chapa. Somos independentes, auto patrocinados. Não aceitaremos recursos em troca de favor. Procuramos montar um G5 independente e capacitado para gerir. Obviamente que os tratados de gestão vão estar relacionados, e as outras chapas também vão ter questões de gestões de departamento. Mas nós queremos uma gestão profissional. Todas as metas terão o futebol como objetivo.

A ideia é profissionalizar o clube. A nossa gestão irá utilizar os atletas de base na equipe profissional, mas não vamos nos precipitar ao afirmar um percentual mínimo em um determinado período. Mas não teremos medo de arriscar. Vamos investir em estrutura, dar todo o suporte a base, e o Coritiba voltará a ser um clube formador. Pontualmente iremos ao mercado, mas a vase será de pratas da casa.

UOL – Como você viu a Gestão Bacellar?

PC - Veja só, é complexo. Nós somos oposição, é importante deixar isso muito claro. Definitivamente oposição à forma de gerir o nosso Coritiba, em não utilizar os recursos de forma eficiente. Eu posso elogiar as pessoas que tiveram a coragem de administrar o nosso clube, pois não é fácil gerenciar pessoas. Mas quanto a gestão, não. Nosso clube manteve equilibrada a dívida, mas não a reduziu. O futebol não atendeu às expectativas. Não quero criar polêmica, mas estamos aqui para melhorar.

UOL – Vocês contam com o apoio do ex-presidente Vilson Ribeiro de Andrade. Como foi essa costura?

PC - É até interessante essa pergunta, nós queremos o apoio de todos os ex-presidentes e de todos os torcedores do Coritiba. Eu não tenho vinculo, ou qualquer um da minha chapa, com o Vilson. Inicialmente ele manifestou interesse em composição com as demais chapas que poderiam sair, por que ele entende que o Coritiba poderia estar desmembrando. Quando eu decidi sair candidato, eu recebi a notícia do apoio dele, mas ele não é parte da chapa, não temos esse vínculo com ele. Todo apoio é bem-vindo.

As dívidas do Coritiba e um novo estádio

UOL – Como você vê a questão do Couto Pereira e de um eventual novo estádio?

PC - Nós faremos de imediato as intervenções necessárias para atender as diretrizes da CBF, as manutenções corretivas de rotina, logicamente. Serão feitas reformas, buscando o conforto e o bem estar do nosso torcedor. Os trabalhos que já foram realizados, como propostas e projetos de novos estádios, serão analisados. Não seremos imaturos em rasgar projetos das gestões passadas, mas seremos prudentes em relação as finanças.

De forma algum deixaremos de pensar em projetos de um novo estádio, mas não perderemos tempo e energia em demonstrar o que não é viável, fazer novas maquetes. A atenção principal é no Couto e não deixaremos de estudar, mas não será feito gasto de energia com novo estádio. A nossa chapa não está preocupada, não está fomentando um novo estádio, mas não seremos imaturos em não analisar eventuais propostas.

Logo Novo Coritiba - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

UOL – Você citou a dívida do Coritiba. Conhece o que da situação atual?

PC - Estamos com uma dívida grande. Muito preocupante, superior a R$ 210 milhões. Teremos que administrar de forma eficiente. Temos que honrar os compromissos com o Profut, que representa 47% da nossa dívida*. Alongamos por muitos anos os tributos que não puderam ser pagos em tempo. Temos que ter sabedoria na condução das trabalhistas, que representam uns 20%. Temos a dívida da construção do setor Pro Tork. É gerir com inteligência e sabedoria para que possamos fomentar o mais importante, que é o produto final, o futebol.

*A assessoria do Coritiba não confirmou se os números são exatamente os citados pelo candidato. Informa apenas que a dívida do clube é menor que R$ 200 milhões

UOL – Nesse anos, o Coritiba andou ao lado do Atlético em decisões como as cotas de TV, a negociação não realizada para o Paranaense e a saída da Primeira Liga. Como você vê essas questões?

PC - Respeito o nosso adversário, não deixaremos de analisar projetos em parceria, mas deixando bem claro que os interesses do Coritiba estarão em primeiro lugar. Estaremos abertos a novas proposta da TV, agora, não vamos gastar energia com o Atlético. O momento é de equilíbrio para administrar nossas dívidas e ouvir as propostas. Não podemos fechar os portões. Todos os que entendam que o Coritiba possa ser um mecanismo de alavancagem, que venham e mostrem propostas, serão analisadas.

Os projetos para o futebol do clube

UOL – Vocês já têm nomes para o futebol do clube?

PC - Tão logo tomemos posse, faremos uma análise do plantel, dos contratos, a avaliação da estrutura. Obviamente novas contratações serão necessárias, com procedimentos de forma a minimizar conflitos trabalhistas. O balanço entre manutenções e demissões deve respeitar o orçamento aprovado. Mas eu não posso no momento citar nomes, estamos num momento conturbado de competição.

UOL – O gerente de futebol Alex Brasil e o técnico Marcelo Oliveira fazem parte dos planos?

PC - Não entendo ser oportuno falar nesses nomes nesse momento. Mas sem dúvida que falaremos com todos que compõem a estrutura. Vamos analisa-los. Vai ser reestruturado o futebol, sem sombras de dúvidas.

UOL – Qual o teto do Coritiba no futebol brasileiro hoje?

PC - O Coritiba é complexo... acredito que a maioria dos clubes. O nosso Coritiba precisa estar no topo, entre os melhores. Mas tem que ser um trabalho continuo, de longo prazo. É a nossa proposta, uma gestão focada no futebol delineando todos os departamentos com prudência. Ele deve estar sempre entre os melhores do Brasil.

UOL – O que muda nos seus planos uma eventual queda para a segunda divisão?

PC - Boa pergunta. Eu sou engenheiro civil, cartesiano e pragmático. Trabalho com números e estatísticas. Se a proposta inicial não trouxer os resultados, nos mudaremos. Mas os indicadores serão mostrados com o desenvolvimento do trabalho. É uma estrutura, muito complexa, envolve pessoas, material e dinheiro. Queremos fazer com que o clube tenha capacidade de se pagar e cumpra as metas estabelecidas. Atrapalha muito pegar o time numa segunda divisão, por que depois do segundo ano vamos ter uma receita liquida fortemente abalada. Vamos ter muito menos recursos para gerir. É muito preocupante.

UOL – Como está encarando a campanha e a relação com os demais candidatos?

PC - A relação está boa, tive a chance de conhece o (candidato da “Sangue Verde”, João Carlos) Vialle, conversei com o Samir (Namur, da “Coritiba do Futuro”) umas três vezes, e a proposta tem sido limpa, de não ter agressão, de manter os propósitos de cada um. Tem que ter essa compreensão de política e clube de futebol, não pode misturar. Se alguém almeja ser político, tem que procurar outros caminhos. E a gente tem procurado conversar para não ter agressões. Eu sou empresário, estou compreendendo um pouco melhor esse universo de mídia, mas acho que vai sair tudo bem e que ocorra o melhor para o Coritiba.

UOL – Você tem 40 anos e uma empresa (a P1 Engenharia, de construção civil, com atuação no Paraná). Quanto pretende dedicar do seu tempo ao Coritiba?

PC - Eu estruturei a minha vida familiar nas questões do Coritiba. A estrutura está preparada, sou casado, tenho dois filhos, a gente já definiu as metas para os próximos três anos. E quanto a minha empresa, modéstia à parte, ela é de sucesso. Ela conseguiu atingir um patamar significativo no nosso Estado. É de médio porte e eu tenho um corpo profissional muito competente. Se nós temos capacidade de gerência sobre várias capacidades, eu deixarei a minha empresa para me dedicar ao Coritiba por esses três anos. Mas eu não sou ganancioso, com o patrimônio que ela tem hoje, mesmo que se mantenha por esses 3 anos, vai poder tranquilamente as necessidades da minha família.

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