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Como um ex-jogador do United se cansou de dinheiro e mulheres e virou padre

Mulryne: "Comprava quatro carros no ano porque vivia entediado" - Reprodução/www.dominicans.ie
Mulryne: "Comprava quatro carros no ano porque vivia entediado" Imagem: Reprodução/www.dominicans.ie

Do UOL, em São Paulo

17/11/2017 15h26

Ex-meio-campista com passagens por Manchester United e Norwich City, na Inglaterra, o norte-irlandês Philip Mulryne tomou um rumo nada convencional para alguém que já foi jogador de futebol: virou padre. Em entrevista ao jornal inglês The Times publicada nesta sexta-feira, ele contou os motivos que o levaram a tomar esta decisão.

“Não gostei das armadilhas de ser jogador. O dinheiro, as casas noturnas e a atenção das mulheres...", conta. “Isso foi bom durante algum tempo, mas quando me aproximei dos 30 anos comecei a me sentir realmente insatisfeito. Gostava do treino, dos jogos. O estilo de vida trazia prazer, mas nada duradouro. Estava comprando três ou quatro carros por ano porque eu estava ficando entediado e sempre querendo mais. Era o mesmo com roupas e casas”.

Natural de Belfast, Mulryne relata que cresceu em uma “família católica normal”, indo à missa aos domingos e rezando antes de dormir, mas se afastou de sua fé quando entrou na academia de jovens jogadores do Manchester United aos 14 anos. O meio-campista não chegou a se firmar no time à época comandado por Alex Ferguson, tendo atuado apenas em cinco jogos em três temporadas, mas dividiu vestiário com lendas do clube como David Beckham e Ryan Giggs.

Ele faria mais sucesso no Norwich City, clube pelo qual atuou por seis anos, e também chegou a defender a seleção da Irlanda do Norte. Depois, ainda passou por Cardiff City, Leyton Orient e o pequeno King´s Lynn, hoje licenciado. Em 2009, prestes a completar 30 anos e sofrendo com uma série de lesões, decidiu voltar para a casa da família. Foi quando fez a reflexão que mudou seu caminho. 

"Comecei a me perguntar: "por que estou fazendo isso? "E, basicamente, a resposta foi que nada era suficiente. Estava constantemente inquieto, devido ao fato de que eu pensava que esse modo de vida deveria me fazer feliz. Eu descobri mais tarde que estava completamente vazio por dentro e isso me levou a um processo de fazer perguntas mais profundas sobre a vida e o que me faz feliz. O que estou perdendo?", afirma.

Esse vazio começou a ser preenchido em uma visita à igreja local acompanhado pela família. Depois de pesquisar o modo de vida dos integrantes do sacerdócio e fazer trabalhos voluntários acompanhado pelo bispo da cidade, Mulryne tomou a decisão de se inscrever na Ordem Dominicana. "Foi um chamado. Não que eu tenha ouvido uma voz na minha cabeça ou qualquer coisa. Veio do nada e não era algo que veio de mim, eu sabia que era autêntico”.

Hoje com 39 anos e ordenado desde 2016, o ex-meio-campista conta que está "no meio do caminho entre um monge e um pároco", orando cinco vezes ao dia e ensinando religião a uma escola com mais de 800 alunos. E o homem que chegou a comprar quatro carros num ano para preencher seu vazio existencial hoje vive sob voto de pobreza.

"Uma das características dos dominicanos é que somos livres para nos movermos", explica. "É por isso que fazemos votos de celibato e pobreza, o que basicamente significa que não possuímos nada ou que temos algo para nos manter em um só lugar. Há também uma necessidade de obediência porque temos um superior que pode nos enviar para a Índia ou o Irã amanhã para missões. Há uma grande espontaneidade e adoro isso".

Mulryne concluiu a entrevista ao Times citando uma crença católica para resumir a sua trajetória. "Acredito na ideia de ter um corpo e a alma. Usei meu corpo para jogar futebol. Minha alma me levou a esse chamado ".

 

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