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Galo se inspirou em Itaquera e Allianz, mas quer ser melhor. Veja por quê

Projeção de como vai ficar o estádio do Atlético-MG. Início das obras está previsto para março de 2018 - Reprodução
Projeção de como vai ficar o estádio do Atlético-MG. Início das obras está previsto para março de 2018 Imagem: Reprodução

Victor Martins

Do UOL, em Belo Horizonte

20/10/2017 04h00

Não há dúvidas de como a Arena Corinthians e o Allianz Parque fizeram bem para Corinthians e Palmeiras, respectivamente. Desde a inauguração dos estádios, em 2014, os clubes melhoram o desempenho esportivo com conquistas nacionais e também alavancaram a arrecadação. E foi com a dupla como grande exemplo que o Atlético-MG elaborou o projeto da Arena MRV, que deve ser construída a partir do primeiro semestre de 2018.

Só que o clube mineiro diz que sua casa vai ser ainda melhor. A afirmação é baseada na observação atenta do que Corinthians e Palmeiras fizeram em suas novas casas, tanto em dias de jogos quando em eventos, além do lado financeiro. Os problemas que tem o Corinthians para pagar o empréstimo e a conturbada relação entre Palmeiras e WTorre também serviram como parâmetro para o Galo.

Atlético escapou dos juros de empréstimos

É constante a negociação entre Corinthians e Caixa Econômica Federal envolvendo a dívida para o pagamento do empréstimo referente à construção da Arena. Tanto que o clube paulista usa o dinheiro arrecadado com bilheteria para abater na quantia. Embora tenha elevado o ganho com a venda de ingressos, o Corinthians segue com problemas para quitar o montante. Cada parcela do empréstimo gira em torno de R$ 5 milhões, sendo que R$ 3,5 mi são de juros.

Já o Atlético-MG só vai iniciar a construção do seu estádio quando estiver com todo o dinheiro garantido. Para atingir aos R$ 410 milhões, como previsto em orçamento, o clube mineiro traçou três caminhos. São R$ 250 milhões referentes à venda de 50,1% de um shopping que pertence ao Galo, localizado na zona Centro-Sul de Belo Horizonte. Essa operação foi votada e aprovada pelo Conselho Deliberativo, em 17 de setembro. Além da negociação do nome do estádio, já feita com a construtora MRV, por R$ 60 milhões. Por fim, o clube ainda pretende negociar 4,7 mil cadeiras por R$ 25 mil cada. Com esse plano, o Atlético quer levantar mais de R$ 100 milhões, sendo que 60% disso já está garantido pelo Banco BMG, que vai investir mesmo que não haja demanda por parte da torcida.

Futebol vai ser a prioridade na Arena MRV

Ilustração de como será a parte interna do futuro estádio do Atlético-MG - Reprodução - Reprodução
Ilustração de como será a parte interna do futuro estádio do Atlético-MG
Imagem: Reprodução

Se o Corinthians enfrenta problemas para quitar seu estádio, o Palmeiras fez um acordo com WTorre em que o clube ganhou uma nova arena, no lugar do antigo Palestra Itália. Em troca, a construtora tem o direito de explorar o local por 30 anos. Para recuperar o investimento, ela tem controle da agenda e preferência até mesmo sobre o futebol. Nesta reta final do Brasileiro, por exemplo, o Palmeiras teve de jogar como mandante no Pacaembu, contra Bahia e Ponte Preta, por conta dos shows em sua casa. E não vai ser diferente em 2018, como mostra o UOL Esporte.

O futuro estádio atleticano é tratado como uma arena multiuso. No entanto, como o clube vai construir o espaço com recursos próprios, é ele mesmo quem vai gerir o local. A promessa da diretoria é de que o time jamais vai ter de jogar nos outros estádios de Belo Horizonte, casos de Independência e Mineirão, para que a Arena MRV receba algum outro evento.

De acordo com os responsáveis do projeto alvinegro, o estádio será construído já pensando em grandes e pequenos eventos. Neste contexto, vai ser possível desmontar e montar grandes estruturas com menos de 24 horas, sem que isso afete a utilização do campo de futebol.

Receitas vão ser 100% para o Atlético

O Corinthians fatura alto com bilheteria, mas não pega o dinheiro. O Palmeiras também tem uma arrecadação alta, mas apenas com a venda de ingressos, já que os demais ativos como venda de camarotes, bares e aluguel do estádio para shows, por exemplo, são da WTorre. Com a Arena MRV o Atlético vai ficar com todo o dinheiro da venda de ingressos, estacionamento, eventos até aos alimentos e bebidas consumidas pelos torcedores.

Isso só vai ser possível pelo fato de o Atlético usar recursos próprios para fazer o estádio. Quando decidiu construir sua arena, o clube chegou a conversar com algumas empresas, inclusive a WTorre. A empresa que fez o novo estádio do Palmeiras também tinha interesse em fazer negócio com o Atlético, mas a conversa não avançou. Como a diretoria do clube mineiro estava determinada em construir o estádio, outros meios foram estudados para que fosse possível viabilizar o projeto.

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