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Sensualidade e beleza eram prioridades no regulamento do Paulistão feminino

Patrícia Santos/Folhapress
Imagem: Patrícia Santos/Folhapress

Brunno Carvalho

Do UOL, em São Paulo

24/09/2017 04h00

O regulamento do Campeonato Paulista Feminino já teve entre seus pontos enaltecer a beleza e sensualidade das jogadoras "para atrair o público masculino". O caso aconteceu na edição 2001 do torneio, vencida pela Palmeiras.

Na ocasião, a Federação Paulista de Futebol promoveu um draft com mais de 200 jogadoras para dividi-las entre as 12 equipes participantes. Entre os critérios de escolha, a beleza era um deles, como admitido pelo próprio Eduardo José Farah, presidente da FPF na época e morto em 2014.

Seletiva escolheu mais de 200 jogadoras para 12 times - Patrícia Santos/Folhapress
Seletiva escolheu mais de 200 jogadoras para 12 times
Imagem: Patrícia Santos/Folhapress

“Temos que mostrar uma nova roupagem no futebol feminino, que está reprimido por causa do machismo. Temos que tentar unir a imagem do futebol à feminilidade”, afirmou Farah à “Folha de S. Paulo” na época. “Vamos ter um campeonato tecnicamente bom e bonito”.

Um dos quesitos de beleza considerado pela FPF era o cabelo. Também em declaração à “Folha”, Renato Duprat, então vice-presidente da entidade, afirmara que “com cabelo raspado não joga”.

Presente no elenco palmeirense campeão da competição, a volante Liése Brancão afirmou ao UOL Esporte que algumas jogadoras acabaram fora da escolha por não cumprir os requisitos da beleza. “A gente ouviu falar sim, teve esse fator (beleza). Na época, não me pediram para mudar nada, e eu não mudaria. Mas jogadoras de qualidade acabaram ficando fora por isso”.

Treinadora na Áustria, onde vive desde 2004, Liése acredita que a repercussão negativa de um torneio como este nos dias de hoje seria muito maior do que foi na época.

“Na época, foi pouco divulgado porque o futebol feminino era desconhecido. Na época já achávamos um absurdo, hoje em dia mais gente ia achar. Pelo que tenho acompanhado daqui, as coisas melhoraram muito no Brasil neste sentido. É possível até que os responsáveis fossem punidos”.

Em contato com a reportagem, a Federação Paulista de Futebol afirmou que o torneio “foi uma experiência ruim”, mas ressaltou que a competição foi organizada por uma gestão anterior.

Renato Duprat, atualmente empresário de futebol, não foi encontrado pela reportagem até o fechamento desta matéria.

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