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De Marquinhos a Felipe: hierarquia da zaga desafia promessa do Corinthians

Léo Santos é hoje a quarta opção para defesa do Corinthians - Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians
Léo Santos é hoje a quarta opção para defesa do Corinthians Imagem: Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

Dassler Marques

Do UOL, em São Paulo

17/08/2017 04h00

Ser a quarta opção para a zaga do Corinthians não é uma tarefa simples. Com 18 anos e status de uma das principais promessas da posição no futebol brasileiro, Léo Santos encara o enraizado conceito de hierarquia entre os zagueiros do clube há praticamente uma década. As oportunidades, até aqui, têm sido escassas.

Em quase duas temporadas no elenco profissional, Léo Santos atuou por 137 minutos divididos por três partidas. Na estreia, empate por 1 a 1 diante do Figueirense em 2016, teve desempenho bastante elogiado por Oswaldo de Oliveira. Já nesse ano, anotou um gol contra a Ponte Preta no Paulistão e deu conta do recado em confronto com o Vitória, há exatamente um turno do Brasileiro.

No Corinthians, Léo Santos tenta crescer dentro de uma ideia de hierarquia estabelecida na posição. Os titulares são Pablo (34 jogos) e Balbuena (36 jogos), mas a reserva imediata é de Pedro Henrique (18 atuações) e três anos mais velho. Vílson, que também compõe o elenco, não foi a campo em partidas oficiais desse ano por conta de lesões, mas está recuperado.

Paulo André, Felipe e Balbuena: filhos desse conceito

Na linha de trabalhado estabelecida por Tite e seguida por Fábio Carille, o reserva imediato da defesa está quase sempre pré-estabelecido. Dentro dessa escada, por exemplo, o Corinthians venceu a Copa Libertadores com Chicão e Leandro Castán como titulares. Castán, porém, acabou vendido, e foi Paulo André que já era o reserva imediato aquele que assumiu a posição para se tornar campeão mundial em dezembro. O quarto nome à época também era bastante acionado - Wallace, hoje no Vitória.

Esse sistema de trabalho, basicamente, visa uma ascensão programada de um reserva imediato à condição de titular na medida em que acumule experiências. Ninguém, em tantos anos, aproveitou essa dinâmica tão bem quanto o zagueiro Felipe. Adquirido ainda em 2012, passou duas temporadas basicamente só com treinamentos para evoluir, aprender as ideias de funcionamento da defesa e subir degraus.

Assim, em 2014, Felipe já era o reserva imediato na temporada em que Mano Menezes esteve no clube. Adquirido do Bragantino e sem passagem por divisões de base, foi efetivamente formado no Corinthians e se tornou titular indiscutível em 2015. Esse ciclo se completaria no ano seguinte ao ser transferido para o Porto por R$ 24 milhões. Em entrevista recente, ele destacou esse trabalho dentro da hierarquia.

Dentro da própria equipe titular do Corinthians, atualmente, há quem se encaixe na ideia. Diferentemente de Pablo, adquirido já para ser titular, Balbuena chegou como reserva enquanto Tite optava ainda por Felipe e Yago - este, por sinal, um antigo suplente que ascendeu, embora hoje esteja emprestado à Ponte Preta. O paraguaio, por sua vez, se fixou inicialmente como a terceira opção até conquistar, neste ano, a condição de nome indiscutível.

A ideia da comissão técnica é sempre introduzir os conceitos que norteiam a linha defensiva de maneira gradual e que, a partir do amadurecimento, o atleta conquiste seu lugar após alguns meses ou anos de trabalho. Nem sempre, porém, isso dá certo.

Marquinhos, talvez o pior negócio do Corinthians, se cansou de esperar

Na mesma altura de Léo Santos no momento, portanto com 18 anos, Marquinhos era o quinto colocado na hierarquia de Tite, atrás de Chicão, Paulo André, Leandro Castán e Wallace. Assim, em razão da falta de oportunidades e o status que tinha de promessa no futebol europeu, acabou negociado com a Roma com só 14 partidas no currículo com a camisa corintiana. Hoje titular da seleção, se tornou um dos piores negócios do clube na década: saiu por 3 milhões de euros e um ano depois foi vendido ao PSG por 31 milhões de euros.

Léo Santos se mostra mais paciente dentro desse processo e recentemente renovou com o Corinthians até 2020, o que contrariou o interesse de seu então empresário, o italiano Mino Raiola. Já no último sábado, voltou ao time júnior para ajudar a vencer o Palmeiras por 1 a 0 em clássico pelo Paulista. A atuação dele foi destacada como uma das melhores da equipe Sub-20.

Depois de abdicar do interesse em Emerson Santos, que assinou com o Palmeiras para 2018, o Corinthians deve apostar ainda mais fichas em Léo Santos. Difícil, por enquanto, tem sido encontrar minutos na grande temporada do time dirigido por Carille.

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