PUBLICIDADE
Topo

Futebol

Oito maneiras em que o árbitro de vídeo pode mudar o futebol

Arnaldo Cezar Coelho no Bem, Amigos - Reprodução/TV - Reprodução/TV
Imagem: Reprodução/TV

Bruno Freitas

Do UOL, em São Paulo

23/06/2017 04h00

O futebol que nós conhecemos vai gradualmente ganhando uma cara de século 21. Ainda mais neste momento, em que a Fifa parece decidida a fazer o árbitro de vídeo migrar do caráter de teste para um status de realidade. Estamos vendo na edição 2017 da Copa das Confederações como o jogo será afetado na prática. Mas, muito além das questões do apito, o uso da tecnologia tende a influenciar a cultura deste esporte, de comemoração de gol a comportamento da torcida.

Esta é a terceira vez que o VAR (Video Assistant Referee) está sendo testado em um torneio Fifa. A tendência é que o árbitro de vídeo seja confirmado para a Copa de 2018 – em março do próximo ano a "International Board", entidade responsável pelas regras do jogo, baterá o martelo.

Quando o VAR pode ser utilizado
Não é em qualquer situação de jogo. São quatro momentos que permitem a mudança de decisão da arbitragem. São eles: gols (para validar ou anular), pênaltis, cartões vermelhos e confusão da identidade de jogadores. A orientação da Fifa é que o vídeo só entre em ação quando detectar um "erro claro" do apito, procurando evitar interferência em lances de interpretação.

Como funciona o VAR
Quatro profissionais trabalham em uma sala de controle dentro do estádio, mas sem visão direta para o gramado. Neste recinto trabalham o árbitro VAR, o auxiliar VAR, um auxiliar somente para prestar atenção em impedimentos e um operador de vídeo. O líder desta equipe tem um canal de comunicação com o juiz de campo.

Questões técnicas à parte, veja como o árbitro em vídeo pode impactar o futebol:

1. Mão no ouvido do árbitro = apreensão
Árbitro aciona o recurso de vídeo durante jogo da Copa das Confederações - EFE/EPA/MARIO CRUZ - EFE/EPA/MARIO CRUZ
Imagem: EFE/EPA/MARIO CRUZ

Quando o juiz pressiona o fone de ouvido para escutar os colegas da sala de controle é sinal de que tem polêmica em campo. A partir deste momento, alguns segundos irão transcorrer até que a decisão sobre um gol ou outro lance capital seja mantida ou revista. Este gesto singelo deve começar a provocar taquicardia em alguns torcedores.

2. Técnicos e torcida vão consagrar "gesto da TV"
Árbitro sinaliza revisão por vídeo durante jogo da Copa das Confederações  - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Assim como acontece em outras modalidades, o pedido de revisão pela TV tende a virar comum no comportamento de técnicos na beira do campo – e mesmo de torcedores nos estádios. Ainda é difícil de imaginar o torcedor de futebol padrão reproduzindo o gesto em forma de quadrado (ou retângulo), mas é possível que ele vire um hábito.

3. Comemoração de gols estilo NFL
Árbitro da NFL faz revisão de lance durante partida - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

"Com grito em duas etapas, vamos ter que nos acostumar", disse Luis Carlos Júnior, narrador do Sportv, em uma transmissão da Copa das Confederações. A pausa dramática para a confirmação de um ponto é bastante comum no futebol americano, por exemplo (no caso, lá é com o touchdown). Será que o grito de gol vai ser o mesmo com essa interrupção?

4. A torcida do sofá vai entender melhor
Árbitros analisam lance pela sala de TV em novo padrão da Fifa - Reprodução/Fifa - Reprodução/Fifa
Imagem: Reprodução/Fifa

Pelo menos nas experiências já efetuadas, o torcedor presente no estádio parece ficar meio perdido quando o árbitro em vídeo é solicitado. Fica o sinal de revisão no telão, e nada mais. Já o espectador que acompanha a ação em casa pela televisão tende a ficar mais situado, com a ajuda do replay e dos comentários da equipe de transmissão.

5. Comemorar olhando para o telão
Árbitro aciona recurso de vídeo durante jogo do Chile na Copa das Confederações - Reuters - Reuters
Imagem: Reuters

Vire e mexe um jogador que marca um gol sai correndo para comemorar de olho na reação do árbitro ou do assistente. Costuma ser um indício de que existe alguma polêmica a respeito do lance. A partir de agora, é possível que o telão do estádio vire um novo ponto de conferência, se pintar o sinal do VAR.

6. Meta de inibir as simulações (o famoso "cai-cai")
Robben se joga em partida entre Holanda e México na Copa de 2014 - AP - AP
Imagem: AP

Uma das expectativas da Fifa é que a introdução do sistema de arbitragem em vídeo em torneios importantes passe a inibir as tentativas de simulação de falta. Caso comprove ser eficiente, o VAR pode aos poucos estimular uma cultura mais ética de comportamento por parte dos jogadores. Pelo menos essa é a crença da entidade. 

7. Reclamações exaltadas estão condenadas
Buffon reclama com a arbitragem durante jogo da Itália na Copa de 2014 - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Caso a incidência de erros de arbitragem desabe, com a interferência em vídeo, as discussões ríspidas entre juízes e jogadores tendem a também diminuir. Este é um desafio cultural e tanto, principalmente no futebol sul-americano. A aposta da Fifa é que a eficiência da nova tecnologia desestimule os atletas de perfil mais "reclamão".

8. Será o fim dos comentaristas de arbitragem?

Não é bem assim, a julgar pelas polêmicas testemunhadas até o momento na Copa das Confederações, principalmente no jogo entre México e Nova Zelândia. Os erros capitais podem até cair com o tempo, mas por outro lado existirá uma necessidade de didatismo – alguém para explicar com clareza o que está acontecendo.

Futebol