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Máfia do ingresso vai ao banco dos réus; suposto líder livra-se da Justiça

Fofana (esq) deixa prisão em agosto de 2014; francês está sendo julgado no Rio - Gabriel de Paiva/Agência O Globo
Fofana (esq) deixa prisão em agosto de 2014; francês está sendo julgado no Rio Imagem: Gabriel de Paiva/Agência O Globo

Vinicius Konchinski

Do UOL, no Rio de Janeiro

17/08/2015 17h33

Começou nesta segunda-feira (17) o julgamento da chamada máfia do ingresso, grupo acusado de vender ilegalmente entradas para jogos da Copa do Mundo de 2014. Advogados e alguns dos 11 réus do processo sobre caso estiveram nesta manhã no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) ouvindo as primeiras testemunhas de acusação convocadas pelo Ministério Público (MP). Ainda não há previsão para a divulgação da sentença judicial.

Nesta segunda-feira, policiais e o delegado responsável pela operação que desbaratou o esquema de venda irregular de ingressos, Fabio Barucke, deram seus depoimentos. Nos testemunhos, o inglês Raymond Whelan, diretor executivo da Match (empresa parceira da Fifa), foi novamente apontado como o principal fornecedor de ingressos da quadrilha. Whelan, contudo, é único suspeito preso pela Polícia Civil durante Copa que está livre de julgamento.

Whelan teve sua acusação arquivada pela 6ª Câmara Criminal do TJ-RJ em fevereiro. Desembargadores decidiram que as provas levantadas pela polícia contra o inglês não eram suficientes para processá-lo. Whelan já deixou o Brasil e retornou à Inglaterra, apesar do MP ainda trabalhar por sua condenação.

Marcos Kac, promotor responsável pela ação, afirmou que a decisão para o arquivamento da denúncia ainda não foi publicada. Ele disse que, quando for, o MP vai avaliar um possível recurso contra ela. Se o recurso do MP for aceito, Whelan voltaria a tornar-se réu do processo contra a máfia do ingresso. “Não é normal uma decisão demorar seis meses para ser publicada. Deve haver algum motivo para isso”, afirmou Kac, visivelmente insatisfeito.

Kac disse que há provas suficientes para condenação de Whelan e de todos os membros da chamada máfia do ingresso. Segundo ele, interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça registraram ao menos 900 tentativas de contatos entre Whelan e o francês Mohamadou Lamine Fofana, outro estrangeiro apontado como um dos líderes do grupo de venda ilegal de entradas.

A defesa de Whelan alega que ele é inocente. Os advogados do inglês, aliás, dizem que o MP "inflou" as acusações contra o executivo já que as 900 tentativas de contato telefônico teriam resultado em 61 ligações efetivamente realizadas. Todas teriam gerado 17 minutos e 24 segundos de gravação.

Os advogados dos outros acusados também dizem que seus clientes são inocentes. A advogada Lilian Rosemary Weeks, que representa Fofana, ratificou na audiência desta segunda que o francês nuca foi cambista nem praticou ato ilegal. “Ele é um empresário reconhecido no meu do futebol”, disse.

Fofana responde ao processo em liberdade e já recebeu autorização da Justiça para viajar para fora do país. Os outros réus também estão soltos.
 

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