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R. Oliveira cita aulas com Ronaldo e lembra dia em que pôs Robinho no banco

Ricardo Oliveira jogou ao lado de Ronaldo Fenômeno no Milan e na seleção brasileira - AFP PHOTO Paco SERINELLI
Ricardo Oliveira jogou ao lado de Ronaldo Fenômeno no Milan e na seleção brasileira Imagem: AFP PHOTO Paco SERINELLI

Samir Carvalho

Do UOL, em Santos (SP)

07/04/2015 06h00

O atacante Ricardo Oliveira, artilheiro do Santos na temporada 2015, com sete gols, faz parte de um grupo seleto de centroavantes que não costuma desperdiçar oportunidades dentro da área. Em entrevista exclusiva ao UOL Esporte, o camisa 9 revelou o segredo de seu sucesso ao dizer que aperfeiçoou as finalizações após receber “aulas práticas” de Ronaldo Fenômeno, no Milan, da Itália.

Ricardo Oliveira jogou por cerca de seis meses ao lado de Ronaldo no clube italiano em 2008. O atacante santista lembra que fazia questão de observar a maneira como o Fenômeno batia na bola e, inclusive, ouvia conselhos do ex-camisa 9 da seleção brasileira sobre finalizações.

“Muito [aprendizado]. Surpreendi-me na forma como ele se dedicava em treinos no Milan. Ele treinava muito. Eu ficava só olhando ele nas finalizações, como ele batia na bola. E os conselhos: ‘quando sair na frente do goleiro faz assim, não chuta forte, o goleiro gosta disso, se você põe força sai sem direção, melhor direcionar, tira do goleiro, o goleiro não gosta quando você tira’. Ele ajuda muito, fora de campo também com a história de vida dele. Isso marca muito. Contribuiu muito para a minha carreira. Fiquei feliz com a simplicidade e humildade dele”, afirmou Ricardo Oliveira.

“Contribuiu muito em campo. Eu sempre trabalhei as duas pernas, o Ronaldo não tinha muito a esquerda, eu já tinha uma facilidade maior com a esquerda. Mas a forma de definir que eu peguei com ele. Às vezes pegava  a bola com esquerda, eu chutava de um jeito, e comecei aperfeiçoar”, completou.

Ricardo Oliveira também recorda com orgulho o dia em que formou dupla de ataque com Ronaldo na seleção brasileira e deixou Robinho no banco de reservas. Na ocasião, a dupla não balançou as redes no empate contra o Uruguai por 1 a 1, em Montevidéu, pelas Eliminatórias do Mundial de 2006. O gol do Brasil foi marcado pelo volante Emerson. No segundo tempo da partida, Ricardo Oliveira, lesionado, foi substituído por Robinho.

“Dentro da seleção eu fiz dupla com o Ronaldo, joguei Eliminatória da Copa – Uruguai e Brasil lá no Uruguai. Eu fiz dupla de ataque com o Ronaldo e o Robinho ficou no banco. Nem se compara, o Ronaldo foi o cara que eu me espelhei muito. Mas eu não jogava com ele no dia a dia, apenas no Milan, onde fiquei com ele seis meses. Fiz dupla com ele no Milan”, disse.

Ricardo Oliveira defendeu o Brasil nas Eliminatórias, mas não participou do Mundial na Alemanha de 2006. O centroavante sofreu uma lesão de ligamento cruzado no joelho direito e não se recuperou para a competição. Apesar de ficar de fora, o atacante ficou feliz com o consolo que recebeu da comissão técnica da seleção, comandada por Carlos Alberto Parreira e Zagalo, minutos após a divulgação dos convocados.

“Eu não fui porque eu me lesionei em novembro de 2005 o cruzado anterior da perna direita, jogando a Champions League pelo Betis, da Espanha. Com prazo de seis a oito meses, eu voltei com cinco: em um domingo contra o Inter, jogando pelo São Paulo, mas a convocação saiu na segunda-feira [no dia seguinte], fiquei de fora”, disse.

“Logo quando termina a convocação, passam dez minutos, me ligou Dr. Runco, médico da seleção, para justificar porque eu não fui. Ele disse que falava em nome do Zagalo, do Parreira, e disse que não podia correr riscos. Eu fiquei super feliz, eles nem precisavam fazer isso. A vida segue. Consegui voltar sem recaída, passou”, completou.

Ricardo Oliveira foi revelado pela Portuguesa e também jogou por empréstimo no São Paulo. Até voltar ao Santos, equipe que já havia defendido em 2003, o atacante passou por diversos clubes no exterior. Entre eles: Valencia, Betis, Zaragoza, da Espanha, Milan, da Itália, e Al-Jazira e Al-Wasl, dos Emirados Árabes.

O camisa 9, que aceitou um salário modesto para a realidade do futebol, R$ 50 mil, e assinou contrato somente até o fim do Campeonato Paulista, deve renovar contrato com o Santos nesta semana. O jogador receberá um reajuste de quase R$ 150 mil mensais.

Confira outros trechos da entrevista com Ricardo Oliveira:

Resultado das “aulas” com Ronaldo

Hoje é um diferencial: eu bato falta, faço gol de esquerda, direita, bato pênalti, tenho cabeceio bom. Se tiver uma chance no jogo, eu concluo bem. Isso faz diferença. O atacante, às vezes, não tem muita chance de fazer gol não, se tiver, tem que por para dentro.

Aposentadoria

Não tenho ideia, eu deixo acontecer. Tem força naquilo você fala. Se eu falar que vou me aposentar tal dia, no treino eu já ficarei devagar. Agora, o tempo vai passando, o corpo não é o mesmo. Mas hoje eu vivo um momento fantástico.

Pior momento da carreira: vice da Libertadores de 2003

O momento triste que ficou marcado foi 2003, quando sai do Santos vice-campeão da Libertadores. Artilheiro, mas tinha machucado no Brasileiro, contra o Cruzeiro. Tive uma extensão no ligamento do joelho. Cheguei meia-boca para as finais. Minha condição clínica não era a melhor. Morumbi lotado de branco e preto, time forte que tínhamos. Não consegui o titulo e voltei chateado para a casa. Ficou marcado. Aquele ano seria o ano para coroar. Curou essa tristeza, mas sempre vem uma lembrançinha. É diferente ganhar a Libertadores, imagino que seria fantástico.

Vida de pastor

É minha vida [cristianismo], 15 nos que me converti, tenho feito isso em todos os clubes que passei. Não posso estar ativo na igreja, mas não me impedi o lado espiritual. Precisamos alimentar esse lado também. Só o físico, não conseguimos saciar, e a gente não encontra muito sentido para a vida. É o maior troféu que conquistei.

Conciliar pastorado e futebol

Eu apascento. Pastor nunca vai deixar de ser pastor, não me dedico integralmente a isso. Aceitei o chamado e até aqui o Senhor tem me ajudado. Não dá para ir ao final de semana. Quando sobra uma oportunidade de semana eu corro para a igreja.

Robinho e santistas como seguidores

Ele [Robinho] teve um chamado. Ele aceitou essa chamada. Ele tem essa liderança com a gente. Senta, fala, escuta e contribuí para o reino. Eu sento com eles [atletas do Santos] na conversa deles. A gente sorri, se diverte. Eles acabam tocando nesse assunto. Todos são tranqüilos para ouvir. Eles gostam, tem raízes.

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