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Viciado em pôquer? Luxemburgo processa revista. E perde. Duas vezes

Luxemburgo diz gostar de pôquer, mas que o hábito não lhe causa nenhum mal  - Reinaldo Canato/UOL
Luxemburgo diz gostar de pôquer, mas que o hábito não lhe causa nenhum mal Imagem: Reinaldo Canato/UOL

Vinícius Segalla

Do UOL, em São Paulo

31/07/2014 20h21

O técnico de futebol Vanderlei Luxemburgo sofreu, no início deste mês, a segunda derrota consecutiva em um processo por danos morais que move contra a editora da extinta revista ESPN. Ele já entrou com novo recurso, para levar o caso para o STJ (Superior Tribunal de Justiça), em Brasília.

Em novembro de 2010, quando Luxemburgo treinava o Flamengo, o periódico publicou uma reportagem que afirmava que o rendimento do treinador vinha caindo em virtude de seu vício no jogo de pôquer.

De acordo com a revista, pessoas próximas ao treinador disseram que o jogo de cartas era um dos motivos para sua derrocada no futebol. O primeiro time a sofrer com isso teria sido o Palmeiras, equipe comandada pelo técnico em 2008. Naquele ano, sempre segundo a revista, Luxemburgo era acompanhado em noitadas de pôquer por jogadores como Carlos Alberto, atualmente no Botafogo, e o ex-atacante Denílson.

A matéria apontou que os jogos de pôquer eram os motivos para que o time do Palestra Itália treinasse cada vez menos no período da manhã na Academia de Futebol. Seu vício também o acompanhou no Santos, com Neymar e Ganso começando a brilhar. Kléber Pereira também era adepto.

Contrariado com o conteúdo da matéria, Luxemburgo decidiu processar a revista. Em seu blog, o treinador escreveu: "Cheguei à conclusão de que o tal Augusto Amaral não é nem jornalista, nem comediante, nem escritor de ficção. É, na verdade, mais um caluniador que passa a integrar o grupo de percevejos que escrevem apenas para incomodar a minha honra pessoal e profissional". E avisou: "Terão de provar, palavra por palavra, tudo o que sobre mim criminosamente inventaram".

Em dezembro de 2010, dois meses após a publicação da reportagem, Luxemburgo entrou com uma ação por danos morais pedindo indenização de R$ 500 mil. Em dezembro do ano passado, saiu a decisão em primeira instância, negando o pedido de Luxemburgo e ordenando que o técnico pagasse os custos com advogado que teve a revista. De acordo com a juíza Luciana Leal Junqueira Vieira Rebelo da Silva, "da leitura da reportagem objeto desta demanda se conclui que não houve abuso por parte do jornalista nem, tampouco, da editora responsável pela publicação e veiculação da matéria, os quais se restringiram narrar fatos de interesse público, cumprindo o seu dever de ofício, sem com isso extrapolar os limites da liberdade de imprensa".

Inconformado com a decisão, Luxemburgo apelou à segunda instância, levando o caso ao TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo). No último dia 18 de junho, saiu a decisão dos desembargadores, novamente negando o pedido de indenização de Luxemburgo: "a matéria, ao reverso do sustentado no apelo, não se reveste de ilicitude. Exibe conteúdo narrativo e crítico. Relata a atuação profissional do recorrente, atribuindo o seu suposto declínio à prática de outras atividades paralelas, notadamente o gosto pelo jogo de cartas, que não é por ele negada. A narrativa de acontecimentos de interesse geral, como operado, não redunda em ato ilícito".

No início deste mês, os advogados de Luxemburgo entraram com novo recurso, desta vez um pedido que será apreciado pelo presidente do TJ-SP para que o caso seja julgado em terceira instância, em Brasília, pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça). Até a publicação desta reportagem, este pedido ainda não havia sido apreciado. 

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