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Daniel Carvalho desabafa sobre fama de gordo e diz que sofria com críticas

Daniel Carvalho nos tempos de Palmeiras; hoje está no futsal - Julia Chequer/Folhapress
Daniel Carvalho nos tempos de Palmeiras; hoje está no futsal Imagem: Julia Chequer/Folhapress

José Ricardo Leite e Vanderlei Lima

Do UOL, em São Paulo

22/05/2014 06h00

Tranquilidade, paz e uma vida pessoal e profissional bem menos atacadas do que nos tempos de jogador profissional. Assim está a rotina atualmente de Daniel Carvalho, meia que já foi grande esperança do futebol brasileiro e que decidiu interromper a carreira precocemente. Hoje, aos 31 anos, montou um time de futsal que disputa a segunda divisão gaúcha, o Pelotas, da cidade que leva o mesmo nome da equipe.

“Estou feliz e contente nessa brincadeira do salão. Não me arrependo. Nos últimos tempos eu não estava conseguindo jogar o que joguei antigamente e havia muita cobrança. Era muita besteira que se falava sobre meu peso. Isso foi desgastando, sabe?”, falou, em entrevista ao UOL Esporte.

Daniel surgiu no Internacional com 18 anos como um meia canhoto e habilidoso que jogava aberto pela ponta, com muita rapidez. Foi campeão mundial com a seleção brasileira sub-20 em 2003 e vendido para o CSKA, de Moscou. Conquistou vários títulos e foi o grande destaque da equipe russa na conquista da Liga Europa de 2005, eleito o melhor da partida.

Um ano depois, começou como titular os primeiro jogos da era Dunga como treinador da seleção brasileira. Deixou Kaká no banco e teve boa atuação em uma vitória por 3 a 0 sobre a Argentina que tinha Messi, Tevez e Aguero, entre outros. Mas a ascensão pararia por ali. Depois disso, caiu de rendimento no CSKA, voltou ao Internacional em 2008 e pouco fez, sendo reserva.

Passou a conviver com críticas pelo excesso de peso e pouca mobilidade em campo, principalmente nas passagens por Atlético-MG e Palmeiras, onde venceu a Copa do Brasil e amargou o rebaixamento em 2012. No ano passado, tentou atuar pelo Criciúma, mas lá teve a certeza de que não queria mais atuar com o futebol.


Ele conta que chegou um momento em que as críticas pelo excesso de peso e pouca vontade passaram a incomodar tanto que nem queria mais saber de pensar no dinheiro para se sustentar. Admite a decepção por não render mais como outrora e por isso as críticas doíam ainda mais.

“Estava desgastado e tinha perdido o prazer de jogar. Estava decepcionado por não jogar mais em alto nível. Então achei melhor parar do que ficar me desgastando e estressado. Até brinco com minha família que tem jogadores que ficam ´roubando´ e só jogando pra tirar dinheiro do clube. Não consigo fazer isso.  Não conseguia sair de casa pra treinar só por causa de dinheiro”, falou.

“Quando eu estava acima do peso e jogando bem, ninguém falava nada do meu peso. Aí, na primeira partida que o time perde, começam a falar do meu peso. Eu poderia estar gordo, machucado ou velho, mas se o time estivesse ganhando me colocavam lá em cima. Aí, se o time perde, falavam que o Daniel Carvalho está gordo. Essas coisas foram desgastando, sabe?  Eu acabava ficando chateado com o que eu lia. Chegou uma hora que deu”, desabafou.

A situação é bem diferente da  vivenciada hoje em Pelotas, em que pode sair tranquilamente pelos estabelecimentos da cidade sem ser cobrado por torcedores pelo que está fazendo ou como está se alimentando. “Estou tendo uma vida anônima como nunca tive. Faço o que eu queria fazer. Antigamente se fosse num restaurante as pessoas já criticavam que era gordo. Agora não tem nada disso, posso ir em um restaurante À vontade. Levo uma vida mais feliz.”

O ponto final para a sua decisão de parar foi no seu último clube, o Criciúma. Daniel não engoliu o fato de as cobranças terem sido exageradas. Conta não admitir quando o então técnico do time, Argel Fucks, questionou o seu empenho e colocou em dúvida o seu caráter.

“Um dos motivos do desgaste foi o Argel ter falado do meu caráter. Ele me disse que os jogadores estavam falando do meu caráter. Aí não deixei barato e bati de frente, entendeu? Pode falar que eu não treino, que sou gordo, que eu não me esforço. A pessoa  tem todo o direito de ter uma opinião sobre isso. Agora, duvidar do meu caráter, aí não. Isso eu não admito. Não aceitou”, lembrou com mágoa.

Ele conta que não aceitou as críticas e disse que a partir daquele momento não ficaria mais no clube por se sentir desrespeitado. E ainda colocou em xeque a informação passada pelo treinador a ele na ocasião. 

“Sempre fui um cara correto. Aí chegou um almoço ele disse que os jogadores estavam puto comigo e que eu era um mau exemplo. Foi aí que eu decidi ir embora e rescindir meu contrato”, explicou. “Não sei se era verdade o que ele me falou, porque o grupo me adorava. Quando eu saí do Criciúma, todo mundo lamentou. Os jogadores gostavam de mim, o presidente também gostava de mim. Foi só essa questão que pegou pra mim.”

 

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