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Ceni rouba cena em evento do Bom Senso e expõe problema do grupo

Guilherme Costa

Do UOL, em São Paulo

17/03/2014 19h24

Rogério Ceni não estava sequer na lista inicial de jogadores que subiriam ao palco nesta segunda-feira, em seminário do Bom Senso FC para jornalistas e convidados. Quando chegou ao auditório da Uninove, porém, o goleiro do São Paulo foi incluído em painel que debateria a proposta do coletivo para o calendário do futebol brasileiro. O capitão tricolor assumiu protagonismo na mesa, com declarações fortes e um longo discurso. E isso expôs um problema de comunicação da instituição de atletas.

Formado no ano passado a partir de uma insatisfação de um grupo de jogadores com o atual momento do futebol brasileiro, o Bom Senso FC surgiu com proposta de debater e sugerir novos caminhos para a modalidade. O grupo já passou de mil adesões de atletas.

O problema é que ainda não há uma unidade plena no discurso desses jogadores, e a participação de Ceni nesta segunda escancarou isso. Em longo discurso, o goleiro falou sobre objetivos do Bom Senso FC e misturou isso com política esportiva pública e até o Mensalão.

“Nós ainda somos atletas privilegiados. Hoje você vê atleta olímpico fazendo vaquinha para poder treinar. O governo brasileiro vai sediar a Olimpíada, e atleta ainda tem de fazer vaquinha para poder treinar? Até para o Mensalão eles arrecadam mais do que para o esporte. Até para nego condenado, na cadeia. Essa é a situação do nosso país? Ter de fazer vaquinha para poder sobreviver e treinar para uma Olimpíada no nosso país?”, questionou Ceni.

A primeira participação do goleiro no evento desta segunda-feira foi uma piada. Após apresentação sobre a proposta do Bom Senso FC para o calendário nacional, como não houve perguntas imediatas, Ceni brincou que esse era um reflexo de um conteúdo muito bem transmitido.

Depois, Ceni fez duas longas participações. Foram posicionamentos fortes, que não têm grande distanciamento das premissas básicas do Bom Senso FC, mas que foram vistos como “personalistas” por integrantes do grupo.

Quando foi questionado por um repórter do "Sportv", por exemplo, Ceni respondeu com uma cobrança ao canal fechado, que é da Globo: "A coisa tem de passa pela sua emissora, que é dona dos direitos de transmissão porque paga mais e tem todo direito de ser. Nós temos de movimentar a opinião pública e colocar todos os meios a nosso serviço para conseguir mudar esse modelo que é ruim para o futebol brasileiro".

Outros atletas que participaram do evento nesta segunda-feira mostraram o quanto o discurso de Ceni teve tom diferente. Nomes como Dida, Roberto, Fernando Prass e até o meia Alex, que costuma ser contumaz nas críticas à estrutura do futebol nacional, foram muito similares em todas as falas relacionadas ao Bom Senso FC.

A falta de unidade do grupo não é uma preocupação recente. Isso também surgiu nas discussões sobre uma greve no futebol brasileiro. Algumas das lideranças do Bom Senso FC são notadamente mais favoráveis a um movimento de protesto.

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