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Palmeiras fecha operação Barcos com 'prejuízo' de R$ 9 milhões

Barcos comemora o gol do Grêmio contra o Goiás - Vinícius Costa/ Agência Preview
Barcos comemora o gol do Grêmio contra o Goiás Imagem: Vinícius Costa/ Agência Preview

Marinho Saldanha e Mauricio Duarte

Do UOL, em Porto Alegre e São Paulo

10/01/2014 06h00

Com a permanência de Leandro no Palmeiras, a negociação entre o clube alviverde e o Grêmio pelo atacante Barcos finalmente tem um ponto final, com um saldo financeiro favorável ao time gaúcho. Considerando a forma como o time paulista utilizou o valor recebido, a devolução dos atletas que vieram por empréstimo e o que teve que pagar para ficar com Leandro, na prática foi como se o time alviverde tivesse dado Barcos e mais R$ 9,2 milhões para manter o jovem atacante em São Paulo.

Quando o Palmeiras anunciou que Barcos seria negociado com o Grêmio, José Carlos Brunoro, diretor executivo do clube, disse que o clube receberia cinco jogadores por empréstimo e mais uma parte em dinheiro – R$ 6,8 milhões. Deste valor, R$ 4 milhões ficaram com o clube, R$ 1,3 mi foi usado para quitar dívidas com o argentino, e R$ 1,5 mi para saldar compromissos devidos à LDU pela compra do atleta.

Agora, para exercer o direito de compra sobre Leandro, o Palmeiras pagou cerca de R$ 16 milhões (5 milhões de euros), com a ajuda de investidores. Tudo isso graças à valorização que ele teve no clube, o que inflacionou o seu salário. Ele foi o artilheiro alviverde da temporada e chegou até a ser convocado pela seleção brasileira.

A questão mais controversa foi a dos atletas que chegaram por empréstimo. Isso porque só apareceram quatro no Palestra Itália. Vieram para São Paulo Vilson, Leandro, Léo Gago e Rondinelly. O quinto jogador nunca foi transferido. Segundo a diretoria do Grêmio, esse jogador a mais nunca existiu na negociação, ao contrário do que disse o Palmeiras quando o negócio foi anunciado.

“Íamos ter a troca por cinco jogadores, mais compensação e dívidas. O Grêmio nos apresentou uma lista e estamos escolhendo cirurgicamente. Foi a primeira decisão polêmica dessa presidência, e eu posso até vir a errar, mas não vou errar por omissão. É um ônus da presidência tomar decisões difíceis quando elas aparecerem. Toda decisão será o melhor para o Palmeiras”, disse o presidente Paulo Nobre em fevereiro.

Por outro lado, Brunoro, no mesmo mês, se contradisse ao dizer que não haveria quinto jogador. “Não vou mais falar sobre isso [negociação envolvendo Barcos]. Os jogadores estão chegando, não vou bater na mesma tecla. Se tiver alguma coisa aguda a gente fala, mas bater na mesma tecla não é bom para o Palmeiras”, afirmou, para reiterar em outubro. “Não temos pendência, mas sim uma relação muito boa com o Grêmio. Optamos por não ter o quinto jogador, mas podemos ter as renovações de empréstimos se quisermos”.

Brunoro chegou, inclusive, a dizer que quem cobrava explicações sobre a transação era “viúva do Barcos”. “O Palmeiras hoje é um clube responsável, paga o que pode e não faz loucuras. Se você me perguntar se hoje eu faria de novo, te responderia que sim, embora a gente leve porrada até hoje. As viúvas do Barcos ainda estão presentes por aqui”, falou em outubro.

Enquanto isso, o Grêmio sempre alegou que não havia previsão de quinto jogador cedido ao Palmeiras. Isso porque Vilson não foi liberado por empréstimo, mas cedido ao clube paulista de forma definitiva.

Internamente, para acalmar conselheiros irritados com o negócio, o Palmeiras argumentou que precisava equilibrar as contas no início do ano e que, além de sanar as dívidas citadas, ainda poderia se livrar de um salário estimado em cerca de R$ 500 mil. Além disso, o jogador já havia deixado claro para a comissão técnica que não queria disputar a Série B, pois isso acabaria com suas chances na seleção argentina.

Outra parte da negociação, o Grêmio foi beneficiado no negócio. O clube gastou R$ 6,8 milhões para ter o argentino, além dos jogadores cedidos. E após um ano, recebeu de volta 2,7 milhões de euros [R$ 8,7 milhões], referente a 55% do valor pago por Leandro. Ou seja, o clube gaúcho recebeu R$ 1,9 milhões e mais o "Pirata".

E analisando a trajetória dos jogadores cedidos ao Palmeiras por empréstimo, a tese de bom negócio para o Grêmio se reforça. Rondinelly jamais figurou entre os principais jogadores do alviverde. Léo Gago sofreu com lesões e acabou mais tempo no departamento médico que em campo. Vilson foi usado eventualmente, e Leandro acabou gerando o lucro esperado pelo clube gaúcho.

"O Palmeiras fez uma oferta ao Grêmio e entendemos que atende quase integralmente ao que tínhamos projetado de valorização. Quando ele saiu daqui, achamos que não tinha a valorização merecida", disse o diretor executivo de futebol do Grêmio, Rui Costa, na quarta-feira.

Por meio de sua assessoria de imprensa, o Palmeiras comunicou que “desmente veementemente os valores apresentados”. Neste ano, até o momento, o clube alviverde  já confirmou as contratações de Lúcio, Diogo, William Matheus, Victorino, França e Rodolfo. Marquinhos Gabriel, ex-jogador do Bahia, e Danilo Neco, que estava na Rússia, também estão em negociação.

O Grêmio, por sua vez, está cortando gastos e liberou mais jogadores do que contratou. Chegaram Edinho, ex-Fluminense, e Pedro Geromel, vindo do Mallorca, da Espanha. E saíram Dida, Elano, Vargas, Marcelo Moreno e Fábio Aurélio.

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