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Maior colecionador do país tem 1ª figurinha de Pelé e corintianos de 1919

Desembargador Moacir Peres tem maior coleção de álbuns de futebol do país, com a 1ª figurinha do Rei - Reinaldo Canato/UOL
Desembargador Moacir Peres tem maior coleção de álbuns de futebol do país, com a 1ª figurinha do Rei Imagem: Reinaldo Canato/UOL

Bruno Freitas

Do UOL, em São Paulo

25/10/2013 06h00

A proximidade da Copa do Mundo do país já aquece a expectativa de uma nova febre local de figurinhas, daquelas que tomam legiões de fanáticos por futebol a cada quatro anos. Mas, na casa do desembargador Moacir Andrades Peres em São Paulo, o torneio de 2014 vem mais para engordar um impressionante acervo de mais de três mil álbuns, com preciosidades da história do esporte. O maior colecionador do país conta com tesouros como a primeira figurinha de Pelé publicada e exemplares de dois jogadores do Corinthians lançados quase um século atrás, em 1919.

Criança nos anos 50 e 60, Moacir inicialmente se encantou pelos álbuns de jogadores na época do primeiro título mundial da seleção. Assim como outros meninos de seu tempo, o futuro desembargador do Tribunal de Justiça perseguiu com afinco a rara figurinha do santista Mengálvio, carimbada em alto relevo, uma verdadeira raridade de um exemplar de 1961. Foi com esta lembrança em mente que o paulista iniciou sua coleção em 2000, já na condição de um homem do direito bem-sucedido.

Tudo começou com a compra do acervo do colecionador falecido Laerte Pastore. A partir desta aquisição, Moacir Peres passou a garimpar as raridades entre os álbuns de figurinhas, num resgate de memória que acabou indo além dos anos do período de infância, em busca focada exclusivamente em exemplares lançados no Brasil.

Em meio a esta procura, o colecionador chegou a um álbum de 1957 que conta com a primeira figurinha de Pelé que se tem conhecimento [Moacir também conta com a primeira de Garrincha, de 1953]. Segundo o desembargador, o pequeno pedaço de papel com o rosto ainda juvenil do mito do futebol chega a ter na internet ofertas suntuosas de venda [outras figurinhas da Pelé nesta época são oferecidas por até US$ 15 mil].

Entre as raridades da coleção, duas figurinhas datadas de 1919, lançadas de forma avulsa por uma empresa de doces, ainda sem o conceito de um álbum para coleção [veja na galeria de fotos, abaixo]. Moacir Peres conta em seu acervo com modelos de Amílcar Barbuy, um dos primeiros ídolos do Corinthians, e de Russo, antigo goleiro do centenário time paulista.

Moacir diz que não gosta de se sentir como um colecionador egoísta, que contempla seu acervo em uma distração solitária. Com esta premissa, o desembargador recentemente cedeu álbuns para serem retratados para uma exposição a ser organizada no Museu do Futebol, em São Paulo. Apesar disso, o entusiasta das figurinhas diz que procura moderar sua exposição pública nesta atividade, em razão da alta posição em sua atuação jurídica.

"É mais em época de Copa, porque pode dar uma leitura inadequada, de um desembargador que está preocupado com figurinhas. Podem falar: 'você deveria estar lendo o meu processo'. Mas eu com certeza estou lendo", diz o desembargador, que também atua como professor da Fundação Getúlio Vargas, na faculdade de administração.

GOLEIRO DE BOINA, LENDAS DO FLA E ADEMIR DA GUIA NO BANGU

Há quem atrele a coleção de figurinhas de futebol como uma mania moderna, que se renova em tempos de Copa. Mas os álbuns mais antigos da coleção de Moacir Andrade Peres, por exemplo, datam dos anos 30. Já na década seguinte o Brasil contava com uma frequência aquecida de lançamentos. Assim, o colecionador possui em seu acervo artigos que contam detalhes de uma época romântica do futebol nacional.

Por exemplo, a figura do goleiro corintiano Barchetta, retratado para um álbum da época usando uma boina. Ainda um dos exemplares, do início dos anos 40, apresenta, lado a lado no elenco do Flamengo, figurinhas de dois ícones: Leônidas da Silva e Zizinho.

O acervo do desembargador também conta com exemplares de caricaturas, com o São Paulo de Bauer e companhia, além de um lançamento que traz Oberdan Cattani no Palestra Itália, antes da mudança de nome do clube para Sociedade Esportiva Palmeiras. Já um álbum menos antigo, da década 60, apresenta uma rara figurinha de Ademir da Guia como jogador do Bangu.

Ao todo são mais de três mil álbuns no acervo de Moacir Peres, que considera cerca de 200 deles como realmente raros. Na predileção pessoal do colecionador figuram os exemplares da série "Balas Futebol", veiculados entre 1938 e 1960, com obras gráficas assinadas por nomes como Nino Borges e Miécio Caffé.

Hoje em dia o maior colecionador de figurinhas de futebol do Brasil encontra pouco tempo para acumular álbuns novos, mas não exatamente por um eventual declínio de interesse em relação às novidades do segmento.

"Os álbuns novos eu costumo comprar já completo, pela internet mesmo. É por falta de tempo. Mas existe uma certa frustração por não poder comprar e abrir cada pacotinho", afirma Moacir, que se define como um corintiano "não fanático".

Em seu apartamento em São Paulo, o desembargador cultiva com carinho a coleção, em pastas especiais e manuseio cuidadoso. O colecionador diz gostar de acreditar que sua entrega às figurinhas pode inspirar outras pessoas maduras na mesma paixão.

"O irmão de minha esposa tem um estabelecimento comercial em uma cidade do interior paulista que abrange, entre outras coisas, a venda de jornais e revistas. Uma advogada, já madura, compareceu à loja para adquirir figurinhas e confessou que, em razão de sua idade, sentia medo do ridículo, apesar da vontade que tinha de colecioná-las. Disse que a coragem surgiu após a leitura de uma de minhas entrevistas. Conversando com meu cunhado acentuou que, se um desembargador e professor universitário admitia que colecionava figurinhas, ela não poderia nem deveria ter vergonha também colecionar", relata.

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