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Comprado por Maradona, Charles diz que não ficou amigo do ídolo e relata pancadas no Boca

Charles integrou time do Bahia campeão brasileiro de 1988 e é ídolo do clube até hoje - Reprodução e Jayme Brandão/EC Bahia
Charles integrou time do Bahia campeão brasileiro de 1988 e é ídolo do clube até hoje Imagem: Reprodução e Jayme Brandão/EC Bahia

Bruno Freitas

Do UOL, em São Paulo

11/02/2013 06h00

Imagine hipoteticamente que hoje o craque Lionel Messi resolvesse comprar os direitos econômicos de algum jogador brasileiro para levar ao Newell’s Old Boys, seu time de coração na Argentina. Pois foi mais ou menos isso que aconteceu nos anos 90 com o baiano Charles. Ainda no auge como profissional, tratado como melhor do planeta, Diego Maradona decidiu adquirir o então centroavante do Cruzeiro para reforçar o seu Boca Juniors.

Em entrevista ao UOL Esporte, Charles relembrou detalhes da experiência de ter sido "jogador de Maradona", ainda na época do passe. O ídolo do Bahia campeão nacional de 1988 ainda apontou a pancadaria do futebol argentino como razão de seu insucesso em La Bombonera.

"Foi uma novidade, nunca tinha acontecido de um atleta comprar outro. O começo foi bom, mas fiquei sem jogar um tempo, não consegui uma sequência. Conhecia o estilo argentino da seleção deles, com muita qualidade. Mas, quando era clube contra clube, complicava. A maioria dos clubes de lá bate mais do que joga. Era uma pancadaria só. O nível do Campeonato Argentino era sofrível. Poucos times tinham plantel de qualidade", comentou Charles.

O atacante baiano chamou a atenção de Maradona após brilhar pelo Cruzeiro na conquista da Supercopa da Libertadores de 1991. Charles foi levado para Buenos Aires em uma época que Maradona estava por lá, cumprindo suspensão por doping. Mesmo assim o brasileiro relata ter tido contato limitado com a estrela do futebol mundial.

"Tive contato poucas vezes com ele. Na época ele estava morando lá, de vez em quando até treinava com a gente no Boca. Mas foi um contato muito rápido", descreve o baiano.

Apesar da experiência sem êxito, Charles participou da conquista do Torneo Apertura de 1992 com o Boca Juniors. Depois da passagem pela Argentina o atacante retornou ao futebol brasileiro, defendendo as camisas de Flamengo, de Grêmio e mais uma vez do Bahia.

Charles em reunião do time campeão do Bahia, em 2008: agachado na ponta esquerda, ao lado de Bobô

Segundo o ex-jogador, o momento mais especial de sua carreira foi o título brasileiro de 1988 pelo Bahia, com desfecho em Porto Alegre diante do Inter. Charles diz que a festa da torcida tricolor é o que segue mais vivo em sua memória.

"Dificilmente vai acontecer isso de novo na Bahia, a torcida fechou o aeroporto, lotou as ruas da cidade. Para chegar na Barra demorou umas 10 horas em cima do trio. As imagens impressionam até hoje. Guardadas as devidas proporções, foi parecido com o Corinthians agora na chegada do Mundial. Um verdadeiro carnaval na cidade", relata.  

CHARLES INSPIROU REVOLTA DA TORCIDA BAIANA CONTRA SELEÇÃO DE LAZARONI

Ídolo do Bahia, Charles teve um começo de trajetória arrasador pela seleção em 1989. O atacante foi convocado por Sebastião Lazaroni e marcou duas vezes na partida de estreia, na vitória sobre o Peru por 4 a 1 em Fortaleza. No jogo seguinte, balançou as redes diante de Portugal no Maracanã.

Mesmo assim Charles acabou preterido da lista final para a Copa América no país. Por isso, em um jogo de primeira fase na Fonte Nova, a torcida baiana acabou vaiando implacavelmente o time de Lazaroni. Na oportunidade, o atacante Renato Gaúcho polemizou ao chamar o público local de "índios".

"Não foi uma experiência boa, apesar do carinho que o torcedor baiano tinha por mim naquele período. Não foi um momento legal, a torcida se revoltou com a seleção brasileira. A torcida gostava de mim, me queria na seleção, mas acho que foi um exagero aquele tipo de manifestação", relembra Charles sobre o episódio [a seleção acabaria campeã da Copa América de 1989].

GOLEADOR EXPERIMENTOU A POLÍTICA NA CIDADE DE ITAPETINGA

Aos 44 anos, Charles Fabian Figueiredo Santos concluiu no final de 2012 sua experiência como secretário de Esportes de Itapetinga, sua cidade natal na Bahia. O ex-jogador diz que agora cuidará de negócios particulares, mas estuda um retorno ao futebol.

Charles chegou a atuar como técnico nas categorias de base do Bahia e dirigiu o time de cima como interino. Também comandou as equipes de Votoraty, Icasa e Camaçari. 

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