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Dispensado por telefone após perder ouro no Pan, Kleiton Lima chia por não ir à Olimpíada

Kleiton Lima conquistou a vaga para Londres e não comandará a seleção na competição - João Henrique Marques (UOL Esporte)
Kleiton Lima conquistou a vaga para Londres e não comandará a seleção na competição Imagem: João Henrique Marques (UOL Esporte)

Fernando Poffo

Em São Paulo

24/11/2011 06h00

Depois de quatro anos à frente da seleção brasileira feminina de futebol, Kleiton Lima recebeu um telefonema na última segunda-feira comunicando que estava sendo dispensado. Mas a maneira como foi demitido nem foi o pior: ele está chateado por não dar sequência ao planejamento olímpico que ele já tinha até adiantado a algumas jogadoras.

“Foi do nada mesmo. Na verdade eu soube na segunda-feira, quando recebi uma ligação do Paulo Dutra, supervisor da seleção, falando que estava me dispensando. As lembranças na seleção são boas, mas ficou um pouquinho de tristeza por não chegar a Olimpíada, o fim do ciclo era em Londres”, falou Kleiton Lima por telefone ao UOL Esporte, contando que já tinha programado período de treinos e amistosos, além de conversar sobre os futuros clubes com algumas atletas para facilitar a presença em amistosos.

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O treinador também ficou insatisfeito por sentir que seu trabalho não foi considerado positivo, o que ele não admite, já que conquistou o Sul-Americano e conquistou a vaga na Olimpíada e, em 33 partidas, perdeu só para a Suécia, pois foi eliminado da Copa do Mundo nos pênaltis diante dos Estados Unidos, e perdeu o ouro no Pan da mesma forma, para o Canadá. A derrota em Guadalajara, na análise de Kleiton, foi a razão para ele ser demitido, mesmo sendo uma competição em que ele teve de se desdobrar para montar a seleção.

“O trabalho foi bem feito no Pan, uma competição difícil na qual estávamos com uma seleção muito alternativa, pois não teve o apoio necessário, já que não era uma data Fifa e fiquei sem nove titulares da Copa do Mundo e outras jogadoras que não foram liberadas pelos seus clubes. Não teve braço de ferro para buscar um time do potencial do de 2007, por exemplo. Mas eu tentei de todas as formas e claro que foi importante confiarmos nas meninas que foram lá no México e mostraram trabalho, pois chegamos à final depois de jogos difíceis, contra o time da casa, na altitude e no campo sintético. Na final estávamos ganhando do  Canadá, que tem melhor estrutura, até os 42 do 2º tempo. O ouro escapou por circunstâncias e falar que o trabalho foi improdutivo dói e foi desagradável”,  analisou Kleiton, dizendo que não ouviu essas palavras na hora da demissão, mas sentiu pelo ambiente desde a conquista da prata no México quais foram as motivações que fizeram a CBF optar por sua saída.

Além dos resultados, que podem até ser questionados em uma análise fria, o treinador considera que seu trabalho nesses quatro anos foi produtivo e que os objetivos foram alcançados.

“Apesar de não ganhar a Copa e o Pan, fizemos um bom trabalho, projetamos meninas que hoje são reconhecidas pela seleção, faço trabalho nos clubes também. Mas o futebol feminino só difere do masculino em termos de estrutura. Mas sei que fiz o possível nesse quatro anos, com a maior dedicação possível e buscando evoluir. Agradeço pelas meninas, esse período foi bem aproveitado para o futebol feminino, me doei para me dedicar ao feminino e continuo na torcida para ver o futebol feminino do Brasil no topo”, comentou Kleiton Lima, que teve uma surpresa positiva ao receber mensagens e telefonemas depois do anúncio da sua demissão.

“Eu estou surpreso porque recebi uma porrada de mensagem. Muitas das meninas da seleção, que são tratadas como filha mesmo. Além disso teve uma repercussão positiva, recebi ligações, teve uma sondagem para eu voltar ao futebol masculino. Mas me liga em dezembro porque tenho contrato aqui até dezembro e, apesar disposto a ouvir propostas, estou no meio de uma decisão. Tem outras coisas para 2012, mas não posso falar mais nada para não atrapalhar”, revelou Kleiton Lima, que no futebol masculino trabalhou na base do Santos com Diego e Robinho e ainda com o Assisense, na Segunda Divisão do Paulista.

Apesar da sondagem, o técnico garante que só vai pensar no que fazer em 2012 sem a Olimpíada a partir de dezembro, quando vence o seu contrato com o Vitória, de Pernambuco, clube com o qual já ganhou um título estadual e no sábado luta para ganhar a Copa do Brasil, em jogo que vale o título e uma vaga na Libertadores. Mas a situação do Vitória não é boa, pois o time perdeu na ida, em casa, por 2 a 0, e terá que inverter o resultado no Paraná, diante do Foz Cataratas.

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