Rodrigo Mattos

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Landim: SAF do Flamengo é para construir estádio sem ceder poder no futebol

O Flamengo vive uma recente ebulição por conta da discussão relacionada ao projeto de estádio próprio e a constituição de uma SAF para financiar sua construção. Nesta semana, o presidente do clube, Rodolfo Landim, falou sobre sobre o assunto em reunião no Conselho Deliberativo e defendeu a ideia.

Para entender melhor o quadro, o blog entrevistou Landim sobre como funcionaria um eventual SAF do Flamengo. O dirigente propõe que seja um modelo similar ao Bayern de Munique, com a constituição de uma empresa e a venda de um percentual minoritário para um sócio estratégico. Descarta qualquer cessão do controle do futebol que continuaria com o clube: "Claro que não".

Segundo ele, o modelo de SAF proposto também não permitiria que sócios-proprietários vendessem seus títulos como se fossem ações da empresa.

Para Landim, a SAF é a melhor solução para financiar o estádio porque permite ao clube ficar com as receitas da arena sem ter de dividi-las com um eventual sócio em Sociedade de Propósito Específico. Mas, se não for aprovada, há outras alternativas como a SPE ou um financiamento próprio por meio de bancos. Neste caso, ele teme o aumento do endividamento, o que reduziria o investimento no futebol.

Blog: Como seria um projeto de SAF para o Flamengo? Por que faria sentido para o clube no projeto de estádio?

Rodolfo Landim: Na verdade, o Flamengo está muito bem financeiramente. A gente estruturou o clube. A gente poderia utilizar esse modelo de SAF como uma forma de captar recurso para um projeto estratégico do Flamengo. Qual seria o principal projeto estratégico do Flamengo? Um estádio onde vai precisar de muitos recursos. Como a gente faria isso? A gente montaria uma SAF onde a gente, e falo a gente Flamengo, teria 100%. A instituição Flamengo teria 100% das ações dessa SAF. Depois, a gente chamaria um sócio que a gente venderia uma parte dessas ações. E o capital ficaria diluído, mas o sócio dessa SAF seria o clube Flamengo como um todo. Então passaria a ter o Flamengo como clube com um percentual elevado que permitisse o Flamengo ter o controle.

Blog: Há um percentual ótimo para o clube nessa SAF?

Landim: A diluição (venda) seria a nível de permanecer no controle dessa SAF, mas no volume necessário para captar recurso para a construção do estádio sem endividar o Flamengo. Esse é o princípio. Existem outros exemplos. O Flamengo está agora montando uma empresa com o Fluminense para administrar o futuro estádio do Maracanã. E o sócio dessa empresa que vai estar lá é o Flamengo, não são os sócios do Flamengo individuais. É o Flamengo como um todo.

Blog: Por que não poderia ser feito um projeto de estádio com uma empresa separada?

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Landim. Boa pergunta. Se fizéssemos uma empresa separada no estádio, o que acontece com essa empresa? Todo resultado econômico que esta empresa viesse a ter seria dividido entre o Flamengo e esse sócio. Um sócio que quisesse entrar no estádio certamente entraria no estádio para ganhar dinheiro e para dividir o resultado econômico do estádio com o Flamengo. Já um sócio para participar de uma SAF, o que nós vimos no exemplo do Bayern de Munique, são empresas que têm interesse estratégico de estar naquilo. Desde que foi criada a SAF do Bayern, continua controlada pelo clube e tem três sócios. E os dividendos que são distribuídos para ele são quase nenhum. Por que? Não é o objetivo de uma SAF ter lucro para distribuir dividendos. O objetivo? A participação estratégica para atender outros objetivos estratégicos que eles tinham. No caso do Bayern, a Allianz queria associar o seu nome ao naming rights do estádio.

Blog: Então economicamente você entende que seria um melhor negócio porque ficaria mais dinheiro da receita para o Flamengo?

Landim: Muito melhor. Até porque toda a receita do estádio gerado no futuro do futebol seria reinvestido no futebol do Flamengo. Se fizer uma empresa específicamente para um estádio, alguém que vai participar do negócio imobiliário, esse tipo de parceiro vai querer dividir comigo o resultado da operação econômica. É uma chance grande de ter um conflito de interesse. Por que o meu interesse é sempre manter o máximo de resultado no futebol para reinvestir no futebol e ganhar título.

Blog: Para explicar bem o modelo da SAF ou de uma possível SAF: poderia alguém tomar o controle do Flamengo? Ou seja, você transformava o que hoje o sócio tem, um título, em ações da SAF e algum comprar desses sócios e passar a controlar o futebol? E não ser mais o clube que controla (o futebol)?

Landim: Perfeitamente, a resposta é não. Isso só poderia acontecer se o Flamengo emitisse, ao criar a SAF, como se fossem duas ações. Uma do direito de frequentar e usar a sede, uma segunda, uma ação deste novo negócio que seria a SAF. E permitisse que esse sócio negociasse livremente esse segundo direito. Mas não é essa a ideia do que nós vamos fazer. A ideia do que vamos fazer é o Flamengo que vai ser dono da SAF, não vai ser individualmente cada sócio tendo uma cota desse novo negócio. Não seria ele que vai negociar. Teria que ser o Flamengo como um todo, que será o detentor da participação.

Blog: Ou seja, não haveria possibilidade de o clube associativo perder o controle sobre o futebol?

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Landim: Só se os conselheiros, em reunião no futuro, fossem deliberar para uma venda adicional que permitisse a venda do controle.

Blog: Que não é a ideia da atual administração?

Landim: Claro que não. Essa (diretoria) não. Eu estou falando hipoteticamente no futuro. Estou falando hipoteticamente, daqui a anos, teria de passar pelo Conselho Deliberativo. Se um conselho conseguisse convencer os sócios do Flamengo, que esses sim são os verdadeiros donos do Flamengo, de que é um bom negócio vender o controle. Mas certamente vai votar - como eu voto - contra. Por que acho que não há necessidade de fazer isso. E eu seria contra fazer isso.

Blog: Há uma projeção da atual diretoria levar essa SAF para aprovação ou algum projeto para o próximo ano? Ou é uma ideia?

Landim: Estamos correndo atrás de conseguir nosso terreno (para o estádio, terreno do Gasômetro, em negociação com a Caixa Econômica Federal). Se a gente conseguir nosso terreno, vamos estruturar o projeto. Vamos levantar a quantidade de recursos que a gente vai precisar e vamos levar para o Conselho Deliberativo esse modelo de captação de recursos para construir o estádio.

Blog: E essa (SAF) é uma das possibilidades?

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Landim: Isso só será feito se houver o estádio. Se não tiver, não há a menor razão para fazer isso.

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