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Como disputa entre Uefa, Conmebol e Fifa afeta futuro de torneios de clubes

Gianni Infantino, presidente da Fifa - JORGE CABRERA
Gianni Infantino, presidente da Fifa Imagem: JORGE CABRERA
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

13/02/2020 04h00

Realizada na Europa, a reunião entre Uefa e Conmebol teve um tom velado de ameaça para a cúpula da Fifa. O objetivo final é ter maior participação nas decisões sobre competições de clubes como o Mundial. Caso isso não ocorra, as duas entidades vão tocar por conta própria a possível criação de novos campeonatos para 2022 em diante. A Fifa está atenta ao recado.

Ao final do encontro, um comunicado das duas partes falou em discutir "a possiblidade de organizar partidas intercontinentais entre Europa e América do Sul", o que inclui mulheres e homens de várias faixas etárias. Não se fez menção direta ao Mundial Interclubes porque seria considerada como uma afronta à Fifa.

Mas, sim, o objetivo é dar o recado de que será estudada essa competição para a partir de 2022. Seu futuro, no entanto, depende da reação que a Fifa terá ao aviso da Conmebol e da UEFA. Haverá uma reunião no Comitê Executivo da federação internacional, no Paraguai, em março, e ali será possível observar mais a temperatura da disputa entre confederações e o presidente da Fifa, Gianni Infantino.

Ao final do encontro, dirigentes da Concacaf (Confederação da América do Norte, Central e Caribe) e da África entraram em contato para falar com dirigentes da Conmebol e Uefa. Isso mostra possível ampliação do descontentamento com Infantino.

Há motivos diferentes para o desconforto de europeus e sul-americanos com a federação internacional. A Conmebol reclamou de ter sido alijada do encontro da Fifa com clubes para discutir o novo Mundial e uma associação internacional de clubes. Já a instituição europeia é contra o Mundial por entender que esta afeta a Champions League, embora publicamente tenha aceitado sua realização.

Na Fifa, é visto como contraditório que o presidente da entidade europeia, Aleksander Cerefin, fale em criar mais uma competição após criticar o Mundial justamente porque este aumentava o número da jogos do calendário internacional. A rusga com a Conmebol é tida como mais possível de se contornar se o presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, for incluído na discussão do Mundial de forma mais frequente.

É certo que a disputa de poder entre confederações continentais, Fifa e clubes tem como principal objetivo moldar o futuro calendário internacional para os clubes. A ideia é uma revisão geral para o ano de 2024. Haverá já algumas mudanças em 2021 com a entrada do novo Mundial, e possivelmente em 2022 se for introduzido de novo o Interclubes. O objetivo na Fifa seria criar um calendário que harmonizasse razoavelmente as competições em todos os continentes, respeitadas as peculiaridades locais.

Blog do Rodrigo Mattos