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SAF é tentativa desesperada de Landim para se manter no poder

Quando foi candidato à presidência do Flamengo, pela primeira vez, Rodolfo Landim garantiu em entrevista a Benjamim Back, ainda no Fox Sports, que, caso vencesse o pleito, não disputaria a reeleição.

Bem, o que ele fez, já se sabe. Mas isso não foi nada, perto do que está, desesperadamente, tentando fazer agora, às vésperas de seu último ano de mandato.

Ele já limitou os sócios off-Rio a no máximo mil e impediu o voto à distância, até mesmo para os associados do Rio .que não possam ir à Gávea no dia da eleição. Resultado: no último pleito, ganhou com apenas 2 mil votos (o colégio eleitoral anda próximo de 7 mil).

Tais manobras restritivas visam, obviamente, uma única coisa: manter o poder nas mãos de seu grupo, que hoje em dia domina todos os conselhos do clube. Mas nem isso lhe parece suficiente. Ele quer, porque quer, se manter no comando.

Por isso, tentou até uma mudança de estatuto para aumentar o tempo de mandato presidencial de três para quatro anos (sem direito à reeleição), numa manobra clara que seria realizada em dois atos.

No primeiro, tal modificação se aplicaria apenas a partir do próximo presidente, mas, em seguida, seria lançada por seus correligionários, uma emenda que estenderia ao próprio Landim o novo prazo, permitindo-lhe que ficasse até o final de 2025.

A jogada foi manjada e gorou, recusada até por vice-presidentes da sua diretoria, casos de Luiz Eduardo Baptista, o Bap, e Rodrigo Dunshee de Abranches, dois potenciais candidatos a sucedê-lo.

Nem assim Rodolfo se conformou. E sua jogada agora é defender uma SAF no Flamengo, ainda que o bilionário clube rubro-negro não tenha a menor necessidade dela - para a construção do estádio, pode-se fazer parceiras sem vender qualquer parte do Fla. Mas qual o motivo para vender boa parte do clube?

Basta olhar o que aconteceu há pouco no Fortaleza, onde o presidente Marcelo Paz renunciou para assumir o cargo de CEO da nova SAF do clube. Como fez o grupo de empresários, liderado por Rubens Menin, que, através da SAF se tornou o dono do Atlético Mineiro. É exatamente este o plano de Landim e seus pares.

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Afinal, como disse em entrevista a Mauro Cezar Pereira, aqui mesmo no UOL, para ele o Flamengo é apenas de seus sócios-proprietários, não de seus mais de 40 milhões de torcedores, comparados por ele a meros consumidores de Coca-Cola, como argumentação de que beber o refrigerante não é suficiente para lhes dar direito a voto na gigantesca empresa multinacional.

Está é, com certeza, uma das declarações mais estúpidas já proferidas por um presidente do Flamengo. Típica da grã-fina de narinas de cadáver de Nelson Rodrigues, aquela que entrava no Maracanã e perguntava quem era a bola. Mesmo após cinco anos à frente do rubro-negro Landim não aprendeu nada - a ponto de manter Marcos Braz na vice-presidência e dizer que a contratação de Jorge Sampaoli foi um acerto!

Não entende bulhufas do mundo da bola e, pior, muito pior, compreende menos o que é o Flamengo. e sua apaixonada e gigantesca Nação Rubro-Negra...

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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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