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Rodolfo Landim no perigoso caminho de Dunshee de Abranches

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Renato Maurício Prado

25/05/2022 03h49Atualizada em 25/05/2022 15h04

Como diria o genial e saudoso Nélson Rodrigues, "é batata"! Dia de jogo do Flamengo é dia de aporrinhação para a maior torcida do Brasil. Não há uma só vez que esse time dirigido por Paulo Sousa encha os olhos, convença e dê motivos de alegria para a "Nação".

Diante do fraquíssimo Sporting Cristal, pela última rodada da fase de grupos da Libertadores, não foi diferente. Uma atuação ordinária, indigna dos jogadores em campo, uma afronta ao futebol que esse elenco jogou em 2019 e no início de 2020, sob o comando de Jorge Jesus.

Não há desculpas. Mesmo com alguns dos principais titulares poupados, a equipe que foi a campo com a camisa rubro-negra era infinitamente superior ao rival, em termos técnicos e financeiros. Tinha a obrigação de render muito mais. Mas o Flamengo nos tempos de Paulo Sousa é isso.

Um bando em campo. Um time lento, frouxo, sem jogadas ensaiadas, sem imaginação, sem nada. Uma mixórdia tática que nem é aquilo que o treinador pretendia e anunciava, ao chegar por aqui, nem uma sombra do que jogava com seus antecessores: e nem falo só de Jesus, mas até de Abel Braga, Domènec, Ceni e Renato. Nem isso!

Ganhar por 2 a 1 do Cristal, o mais fraco de um dos mais fracos grupos da Libertadores, foi um vexame. Mais um. Como foram constrangedoras as vitórias sobre o Altos e tantas outras atuações bisonhas, levando-se em conta os jogadores que tem e a folha de pagamentos que honra - a maior do Brasil. Cinco meses após a chegada do novo técnico, o Flamengo não joga bulhufas, nem dá sinais de que um dia será capaz de voltar a jogar.

Não bastasse o desacerto tático e técnico, Paulo Sousa cometeu, na noite da última terça-feira um erro grosseiro, piramidal. Daqueles que põe em dúvida a sua inteligência. Como escalou João Gomes, titular absoluto, que já tinha dois cartões amarelos, numa partida teoricamente das mais fáceis, sabendo que seria grande a possibilidade de ele levar o terceiro e ficar fora do primeiro jogo pelas oitavas de final, que será disputado no campo do adversário?

Por que não escalar Diego? Ou o jovem Daniel Cabral? Ou qualquer outro! O que não podia era expor seu melhor volante à possibilidade de desfalque no "mata-mata". Pois ele o expôs. E o perdeu. Como entender? E desculpar? É incompreensível e imperdoável. Um treinador que se pretende de ponta não pode cometer tamanho erro de visão e planejamento.

O prazo de validade de Paulo Sousa está vencido. Se o presidente Rodolfo Landim fosse realmente Flamengo e entendesse minimamente de futebol, já o teria demitido e chamado de volta Jorge Jesus, o único treinador que foi capaz de tomar conta de tudo no futebol rubro-negro, compensando a incompetência que campeia no Ninho do Urubu - agora, mais que nunca.

Dificilmente, porém, o cartola tomará tal atitude, embora a imensa maioria dos torcedores e boa parte seus pares a desejem. Porque, além de não ser do ramo do mundo da bola, é arrogante, vaidoso e vingativo. Quando enfim se convencer de que a vaca foi pro brejo, será tarde demais para brigar por qualquer título. E Jorge Jesus já estará empregado, no Fenerbaçhe ou em qualquer outro lugar.

Vem aí o Fla-Flu e a torcida não têm mais paciência. Em caso de nova derrota no clássico mais charmoso e tradicional do Rio (os últimos triunfos rubro-negros foram nas finais de 2020, sob o comando de Jorge Jesus), as consequências são imprevisíveis - tanto Landim quanto Braz foram fortemente hostilizados pelos torcedores ao final da partida e na saída do estádio após o jogo contra o Sporting Cristal.

Em 1983, depois de vender Zico, o presidente Antônio Augusto Dunshee de Abranches foi forçado a renunciar pela enfurecida pressão dos torcedores. E, na sua administração, o Flamengo ganhara a Libertadores (81), o Mundial (81) e dois Brasileiros (82 e 83).

Landim que ponha as barbas de molho. E converse com seu vice-presidente geral, Rodrigo Dunshee de Abranches, filho de Antônio Augusto. A história muitas vezes se repete... O Flamengo, ao contrário do que ele pensa, não e de seus sócios proprietários, mas de seus mais de 40 milhões de torcedores.