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Renato Maurício Prado


Estaduais não valem mais nada

Torcedor só quer saber do mercado da bola, não dos estaduais - Bruno Teixeira
Torcedor só quer saber do mercado da bola, não dos estaduais Imagem: Bruno Teixeira
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

21/01/2019 04h00

A maior prova de que os campeonatos estaduais têm cada vez menos importância foi o noticiário do futebol na semana que passou. Embora a bola estivesse prestes a voltar a rolar em jogos oficiais, após as férias, só se falava nos programas esportivos, na internet e nos bares nas contratações que estavam sendo feitas e a influência que poderiam ter na Libertadores ou no Brasileiro.

Gabigol, Arrascaeta, Rodrigo Caio e Bruno Henrique serão capazes de levar o Flamengo ao patamar do campeão Palmeiras, que ainda se reforçou mais com Ricardo Goulart e outros menos badalados? E o Cruzeiro, trazendo Rodriguinho, será mais forte do que no ano passado, quando conquistou a Copa do Brasil. O que dizer da volta de Carille e da chegada de Boselli, no Timão? E por aí ia. Paulistinha, carioquinha, mineirinho e gauchinho? Ninguém falava deles. Importância zero.

É claro que agora que a bola rolou haverá alguma atenção e as tradicionais gozações, pela questão das rivalidades estaduais. No Rio, por exemplo, a turma do arco-íris torce, antes de mais nada, pela derrota do Flamengo, mais favorito que nunca, diante do abismo financeiro que se abriu entre ele e seus três coirmãos: Fluminense, Vasco e Botafogo. Todos de pires na mão e sem perspectiva para solucionar seus graves problemas de dinheiro - salários em atraso são uma constante nas Laranjeiras, em São Januário e em General Severiano.

Em São Paulo, certamente, o Palmeiras será o maior alvo. Mas se voltar a perder o torneio, como aconteceu na controvertida final do ano passado, pouca diferença fará, para um time que tem como principal objetivo conquistar a América - afinal, no ano passado, chegou bem perto - ou o bicampeonato brasileiro.

No Rio, embora o foco de Abel e da nova diretoria sejam os mesmos que os do Verdão, a torcida encheu o Maracanã, com mais de 46 mil torcedores. Uma exceção que confirma a regra do fracasso dos estadual do Rio. Os públicos de todos os outros jogos somados não chegaram à metade do que se teve no outrora "maior e melhor estádio do Mundo". Fluminense, Vasco e Botafogo, com certeza, tiveram prejuízo.

E continuarão tendo pois a fórmula da disputa torna ainda mais irrelevantes os jogos da Taça Guanabara e da Taça Rio onde, mesmo que um mesmo vença as duas, ainda precisará disputar uma final contra o ganhador de um quadrangular dos outros mais bem colocados.

Vamos falar sério: os estaduais viraram pré-temporadas para os grandes. Quem ainda dá importância a eles são as carcomidas federações. Um motivo a mais para que não tenham relevância alguma.
 

Renato Maurício Prado