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Renato Maurício Prado

Mourinho está virando Luxemburgo?

Mourinho esbraveja em derrota do United para o Liverpool - Paul Ellis/AFP
Mourinho esbraveja em derrota do United para o Liverpool
Imagem: Paul Ellis/AFP
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

17/12/2018 04h00

Em que momento um treinador de ponta perde a mão e se torna superado? Fiquei me perguntando isso ao assistir, ontem, à indiscutível vitória do Liverpool sobre o Manchester United, por 3 a 1, que faz uma campanha indigna de sua história e do elenco estelar que possui.

Seu técnico, o polêmico português José Mourinho, que já foi conhecido como "The Special One", vive, há algum tempo uma espécie de inferno astral, que parece impedi-lo de montar uma grande equipe, mesmo tendo à disposição o maior orçamento do futebol mundial, à frente do Real Madrid, do Barcelona, do Bayern de Munique e do Manchester City.

Em meus mais de 40 anos de carreira, já vi vários treinadores perderem a mão e o rumo. O caso mais emblemático, no Brasil, é o de Vanderlei Luxemburgo, que até hoje encabeça a lista dos maiores vencedores do Campeonato Brasileiro, com cinco conquistas, mas há anos não consegue emplacar um trabalho decente e parece já esquecido pelo mercado - seu nome só continua a aparecer nas listas de possíveis contratados dos grandes clubes por causa da amizade que cultiva com vários jornalistas. Na prática, ninguém mais o quer.

Desconfio que Mourinho, como Luxemburgo, perdeu o respeito dos novos jogadores. Por pura empáfia, treinadores como eles não conseguem ver que o mundo mudou e, com ele, seus comandados. Na época áurea de Vanderlei, no Cruzeiro, em dia de decisão, ele entrava no vestiário com uma fralda e uma faixa de campeão na mão e perguntava o que seu time usaria ao final da partida.

"Vão se borrar ou levantar a taça?", reforçava, com voz inflamada.

Anos depois, usando discurso semelhante, provocou risos debochados de Ronaldinho Gaúcho, no vestiário do Flamengo, e pouco depois acabou demitido numa queda de braço com o jogador.

Mourinho e Jurgen Klopp - Rui Vieira/AP Photo - Rui Vieira/AP Photo
Imagem: Rui Vieira/AP Photo

Brigar com as estrelas do elenco costuma ser também um sinal de decadência e tentativa inútil de se afirmar diante dos mais jovens. No Manchester United, por exemplo, Mourinho resolveu colocar no banco de reservas dois de seus principais craques: o francês Paul Pogba e o espanhol Juan Mata. No momento, seu time ocupa apenas a sexta colocação na tabela de classificação, 19 pontos atrás do líder Liverpool e 18 do Manchester City.

Não à toa, o prestígio do outrora "Special One" está em queda livre e hoje em dia na Europa ele é considerado muito inferior ao alemão Jurgen Klopp e ao espanhol Pep Guardiola. Sua demissão do United parece questão de tempo e o nome do francês Zinedine Zidane já é cotado para o seu lugar.

Conseguirá o convencido português dar uma volta por cima, como acaba de fazer por aqui, Luiz Felipe Scolari, ou estará fadado ao triste fim de Vanderlei Luxemburgo? Façam suas apostas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado