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REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Em 2020, Cruzeiro teve déficit quase igual a Flamengo e Santos juntos

Sergio Santos Rodrigues, presidente do Cruzeiro, em 29/05/2020 - Gustavo Aleixo/Cruzeiro
Sergio Santos Rodrigues, presidente do Cruzeiro, em 29/05/2020 Imagem: Gustavo Aleixo/Cruzeiro
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Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

01/05/2021 11h57

O déficit registrado pelo Cruzeiro em 2020 foi tão grande que quase se igualou aos déficits de dois clubes da Série A somados.

As demonstrações financeiras da agremiação mineira mostram que seu déficit no ano passado foi de R$ 226.504.000.

Para se ter uma ideia do tamanho do buraco, o valor é R$ 254.000 inferior em relação à soma dos déficits anotados por Santos e Flamengo. Juntos, os clubes da Gávea e da Vila Belmiro apresentaram déficit de R$ 226.758.000.

O rubro-negro anotou déficit de R$ 106.922.000. Já a marca negativa do Santos foi de R$ 119.836.000.

Apesar de ser impressionante, o déficit cruzeirense em 2020 foi inferior inferior ao acumulado pelo clube em 2019: R$ 394.101.000.

O relatório que integra o balanço do Cruzeiro explica assim o preocupante resultado financeiro obtido em 2020:

"Durante a nova administração, em 2020, houve dois efeitos que impactaram diretamente na performance econômica do clube.

Reflexo da má gestão conduzida durante os anos 2018-2019.

Pandemia Covid-19 e consequentemente:

Redução das receitas de publicidade e televisão em razão do descenso à Série B do Campeonato Brasileiro.

Redução das receitas com os clubes sociais.

Proibição de público nos estádios como medida de prevenção de avanço da Covid-19".

O documento demonstra preocupação da atual diretoria em mostrar rompimento com práticas de seus antecessores.

"No período da gestão Sérgio Santos Rodrigues, houve superávit de R$ 33 milhões", diz trecho do balanço.

Segundo o documento, a atual diretoria fez acordos com credores para evitar bloqueios nas contas do clube e ganhar mais prazo para pagar os débitos.

De acordo com o balanço, por conta de diversas medidas, "o passivo circulante foi reduzido em 34%, equivalente a R$ 298 milhões durante o exercício de 2020; em 2019 o passivo circulante representava 77% do total do passivo, reduzindo a 36,5% ao final de 2020. A redução durante os sete meses de gestão Sérgio Santos Rodrigues representou R$ 158 milhões no período".

O endividamento do clube chegou a R$ 897 milhões em 2020.

Os efeitos do rebaixamento para a Série B do Brasileirão, no final de 2019, são sentidos nas receitas cruzeirenses.

"As receitas do clube tiveram uma redução no montante de R$ 166 milhões em relação ao ano anterior, 2019. Essas quedas ocorreram nas rubricas de venda dos direitos televisivos e venda de direitos econômicos, em função do descenso à Série B, além da queda expressiva das bilheteiras de jogos e clubes sociais em função da pandemia", diz o balanço.

O custo do departamento de futebol caiu de R$ 438 milhões em 2019 para R$ 250 milhões em 2020.

Mesmo assim, o déficit com a modalidade foi de R$ 90 milhões. "O déficit do futebol teve valores expressivos com relação a indenizações rescisórias a atletas e treinadores e direito de imagem". Essa é a explicação apresentada no balanço.

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