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Blog do Perrone

REPORTAGEM

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Brasileiro da arbitragem: 80% dos times reclamaram de juízes na CBF

Leonardo Gaciba na Câmara dos Deputados - Reprodução
Leonardo Gaciba na Câmara dos Deputados Imagem: Reprodução
Perrone

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

24/02/2021 04h00

Colaborou Caio Blois, do UOL, no Rio de Janeiro

Um dia após rodada do Brasileirão. Ofício encaminhado por um dos participantes do campeonato chega à sede da CBF. Basta bater o olho para saber que se trata de uma nova queixa formal contra a arbitragem na competição. A cena tem sido frequente apesar do VAR. E também por causa dele.

Levantamento feito pelo blog mostra que pelo menos 16 clubes (80% em relação aos 20 participantes) já fizeram alguma reclamação formal relativa à arbitragem no Brasileiro de 2020 por escrito ou presencialmente.

O resultado confirma que o árbitro de vídeo está longe de reduzir drasticamente a insatisfação de cartolas e do público em geralmente com as atuações dos juízes na competição

Nesse embalo, o campeonato chega à sua última rodada, na próxima quinta (25), com Internacional e Flamengo brigando pelo título e colocando a arbitragem sob suspeita.

Além dos dois postulantes à taça, a lista dos que já fizeram alguma queixa formal na CBF mirando os árbitros conta com Atlético-MG, Bahia, Corinthians, Palmeiras, Santos, São Paulo, Ceará, Fortaleza, Goiás, Grêmio, Botafogo, Vasco, Sport e Coritiba.

Procurado por meio de sua assessoria de imprensa, o Athletico não respondeu se fez protesto formal contra a arbitragem.

Já a assessoria do Atletico-GO informou que o clube não protocolou reclamação na CBF contra os árbitros durante a competição. O Fluminense também afirma que não protestou de forma oficial durante o Brasileirão de 2020.

Por sua vez, o Red Bull Bragantino não quis comentar a respeito do tema.

"Não acreditamos que debater erros de arbitragem publicamente seja o caminho para evolução", declarou Thiago Scuro, CEO do clube de Bragança Paulista.

O blog enviou mensagem para Leonardo Gaciba, presidente da Comissão de Arbitragem da CBF com as seguintes perguntas:

O departamento de arbitragem responde a todos os ofícios recebidos? Considera esse número de queixas exagerado ou normal? Qual sua avaliação geral sobre a arbitragem no Brasileirão? O uso do VAR surtiu o efeito esperado pela comissão de arbitragem?

Gaciba não respondeu aos questionamentos e o departamento de comunicação da CBF informou que ele só falará sobre o assunto na próxima sexta (26), um dia após o encerramento do Brasileirão.

Não receber respostas é uma das queixas do Ceará em relação aos protestos formais na CBF contra o que o clube interpretou como erros de arbitragem.

Segundo Anacleto Figueiredo Neto, diretor jurídico do Ceará, a diretoria não recebeu respostas aos três ofícios que encaminhou para Gaciba por meio da Federação Cearense com questionamentos sobre decisões da arbitragem em três jogos.

"Apenas um e-mail [foi] respondido pelo Gaciba, do smartphone, acusando o recebimento e encaminhando para a ouvidoria [da CBF]", disse Neto.

O diretor jurídico do Ceará afirmou que a falta de resposta pode ser uma maneira de a confederação se blindar juridicamente, pois assumir erros poderia dar margem para que medidas fossem tomadas contra eles.

"A CBF deveria responder até com um objetivo educativo. Explicando os lances, a comissão de arbitragem poderia informar melhor atletas e dirigentes", disse Neto. Ele também defende que os árbitros passem por reciclagem após a comprovação de que falharam.

Entre os dirigentes, há quem entenda que ir pessoalmente se manifestar na CBF é mais eficiente do que enviar um ofício.

Marcelo Paz, presidente do Fortaleza, experimentou os dois métodos.

"Acho que a visita tem muito mais efeito do que o ofício. Na visita, o dirigente tem a possibilidade de ver os lances, como eu tive. Muitas vezes, lances que a gente acha que são erros, eles conseguiram mostrar que não são erros", afirmou Paz.

O presidente do Fortaleza disse ter sugerido à Comissão de Arbitragem que ela invista mais em comunicação.

"Tem muito lance que eles estão acertando, mas a opinião pública não consegue identificar. Eles precisam deixar mais claras as decisões tomadas. E eu acho que houve uma melhoria. A arbitragem está melhor do que em anos anteriores e [acho] que o VAR, em geral, traz muito mais acertos que decidem jogos", afirmou o presidente do Fortaleza".

Atualização

Depois da publicação deste post, Mário Bittencourt, presidente do Fluminense, foi até a sede da CBF para entender os critérios utilizados pela arbitragem na penúltima rodada do Brasileirão, como mostrou o UOL Esporte.

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