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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Menon: Receita do Flamengo não é elixir da salvação para outros clubes

Bruno Henrique e Gabigol - Thiago Ribeiro/AGIF
Bruno Henrique e Gabigol Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF
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Menon

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar. Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

09/01/2022 17h11

Existe uma lenda urbana no futebol brasileiro, em dois episódios.

1) O Flamengo saneou suas dívidas e virou o time a ser batido.

2) Os outros clubes devem fazer a mesma coisa.

Vamos ao primeiro ponto.

O Flamengo não virou o time a ser batido. Palmeiras e Galo estão no mesmo patamar. Aliás, no ano passado, o Flamengo foi batido na Copa do Brasil, no Brasileiro e na Libertadores.

A grande e inegável ascensão técnica do Flamengo não veio APENAS da ótima gestão que saneou dívidas.

O timaço de 2019 foi montado com muito dinheiro. De patrocínio e também da venda de jogadores da base. Grande mérito do clube, que ganhou muito com Vinícius Jr, Reinier, Paquetá, Vizeu e outros.

Só o saneamento financeiro — importantíssimo — não permitiria contratações de Diego Alves, Rafinha, Rodrigo Caio, Pablo Mari, Filipe Luiz, Everton Ribeiro, Arrascaeta, Gabigol, Bruno Henrique, Isla...

Vamos ao segundo ponto.

A distribuição de cotas mudou no futebol brasileiro. Antes, o clube que caísse receberia o mesmo valor no primeiro ano de Série B. Hoje, não. A queda é enorme. Então, quem fizer time ruim e cair, vai sofrer sem dinheiro.

É um risco que o Flamengo não corria.

Há outras maneiras de enfrentar a crise. O Corinthians estava mal no ano passado. Investiu durante o campeonato e chegou à Libertadores. Vai usufruir de boas cotas. Time bom fica bem nos campeonatos e ganha boas premiações.

Prefiro esta linha de pensamento.

O Palmeiras fez o acordo com a W.Torre e começou aí a sua ascensão. O Galo buscou o caminho mais fácil, do mecenato. Mais perigoso também.

São caminhos diferentes do Flamengo.

O que não se pode é querer que todos os grandes montem times fracos apenas porque o Flamengo fez isso antes.

Quem tem aquela receita toda que veio da excelente base do Flamengo?

E, se todo mundo montar time ruim por cinco anos, como ficar? O Flamengo domina a cena, passa a ser cada vez mais rico, vira o Bayern e a distância fica inalcançável?

É harakiri esportivo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL