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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Menon: Não vi racismo de Zé Elias e Sormani, só preconceito do tio do zap

Zé Elias -
Zé Elias
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Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar. Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

29/09/2021 11h44

Racismo é crime. Um crime nojento. Racismo estrutural também. Está entranhado em verbos como denegrir, na abjeta frase "hoje é dia de branco" etc.

Se é crime, precisa ser denunciado. E punido. O jogador Celsinho, do Londrina, é vítima de racismo, ao ser chamado de macaco ou quando dizem que seu cabelo parece uma cachopa de abelha, ou quando o comentarista diz que prefere ser careca do que ter um cabelo nojento como aquele.

Se é crime, é preciso ter cuidado em dizer que alguém cometeu o crime.

Eu vejo racismo na frase de William Waack - isso é serviço de preto - e não vejo racismo de Zé Elias e Sormani em dizerem que Danilo e Patrick de Paula estão perdendo foco por causa do cabelo "rastafari", das chuteiras coloridas ou das tatuagens.

Para mim, é apenas preconceito contra um estilo de vida de jogadores mais novos.

Tatuagem tira foco de alguém? Então, Messi é um desfocado juramentado.

Quem foi jovem como eu nos jurássicos anos 70, sofreu com algum tio ou pai criticando cabelos longos? Depois, o uso de brincos. Ou tamancos.

Quantos jogadores focados e campeões usaram tamancos?

Quem não tem tatuagem usa o tempo livre para analisar rivais? Não, né?

Para mim, Zé Elias e Sormani foram tiozões intrometidos. Ranhetas.

Podem dizer que estou passando pano ou sendo corporativo.

Prefiro assim do que uma acusação de crime racial.

É importante meter o dedo na chaga do racismo, lutar contra este crime e acuar os criminosos. Quem viu racismo de Zé Elias e Sormani, faz bem em denunciar. O faz com ótimas intenções.

Eu não vi. E tenho o direito de ver ou não ver, mesmo sendo branco. A luta contra o racismo deve ser de todos, não é questão de lugar de fala. Se posso acusar o racismo contra Celsinho, também posso discordar de quem viu racismo onde eu apenas vi chatice e preconceito contra estilo do jovem atual.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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