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REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Adeus, Roberto Petri, o descobridor de Muricy

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Menon

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar. Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

19/09/2021 15h13

Torneio Dente de Leite.

Valtinho, Muricy, Colonese, Ministrinho e Vitor Hugo.

Um ataque de garotos de 12 anos, repetido por todo são-paulino. Seria do time de cima por anos.

Não foi. Apenas Muricy, genial, e Valtinho chegaram lá.

Um campeonato que marcou época.

Por trás de tudo, sonhos e revelações estava o jornalista Roberto Petri.

O ranzinza do bem.

Trabalhei com ele no Popular da Tarde.

Meu primeiro emprego.

Nós dividíamos a mesa. Ele ia de manhã e escrevia a coluna Petrificado. Muita opinião. E informação. Sabia muito de futebol argentino, em uma época pré internet. Um precursor.

Um dia, chego ao jornal e ele ainda estava lá. Na "nossa" mesa. Mandou - não pediu - que eu me sentasse. E falou.

"Tenho lido suas matérias. Gosto muito. Você tem futuro".

Muito obrigado.

"Quero falar de outra coisa. Entrego a mesa limpinha, sem nada pra te atrapalhar. E recebo uma bagunça, cheia de papel, uma zona, Simon. Assim, não dá".

Prometi que não aconteceria mais. Cumpri.

Nunca esqueci o elogio do ranzinza do bem. O primeiro que recebi na minha vida de jornalista.

Vai em paz, Petri.

A gente continua por aqui, tentando petrificar.

Menon