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Projeto "Daniel Alves" naufragou em dois meses

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Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar. Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

05/08/2020 04h00

Daniel Alves foi contratado há um ano. Uma operação milionária que seria paga parte pelo São Paulo e outra parte em projetos de marketing envolvendo a imagem do jogador. Um ano depois, nada foi conseguido e o São Paulo paga tudo.

O início do projeto foi ambicioso. Foi criado um grupo de trabalho apenas para tratar do assunto. Era formado por publicitários que não tinham contato com o Departamento de Marketing. Tinham liberdade de trabalho. Rui Branquinho e André Barros eram dois nomes.

Daniel Alves seria "vendido" não apenas como capitão do São Paulo, como também da seleção brasileira na Copa América de 2019 e 2020. A ideia era vender cinco cotas de cinco milhões, o que bancaria o "custo Daniel". A venda de quatro cotas seria suficiente.

O jogador teria um envolvimento com a empresa. Participaria de ações corporativas, com palestras para funcionários, por exemplo.

A Fiat foi uma das empresas contatadas. A DAZN se interessou por uma cota. O negócio caminhou bem e chegou só Departamento Jurídico, mas a empresa de streaming, que está com dificuldades para se firmar no mercado, desistiu.

O entusiasmo diminuiu muito em dois meses. "Sumiu, acabou, zerou", me disse alguém com acesso a todo o processo. Depois, veio a pandemia e o adiamento de competições, inclusive a Copa América e tudo ficou mais difícil.

Hoje, o "projeto Daniel Alves" aumentou o número de cotas e diminuiu seu valor. São nove cotas de 1 milhão e nenhuma foi vendida.

Daniel é oferecido ao mercado também como parte do que se chama informalmente de São Paulo 360°. O patrocinador tem sua marca estampada na camisa do futebol masculino, futebol feminino, basquete e... Daniel Alves.

O basquete e o futebol feminino, com presença de televisão e consequente visibilidade da marca (inclusive com faixas) tem sido um bom fator de convencimento. Daniel não entusiasma.

Tudo indica que o São Paulo vai pagar sozinho o seu craque. O "projeto Daniel" fracassou.

A culpa?

De Daniel é que não é.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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