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Caso Everton Felipe é a cara feia do futebol brasileiro

Everton Felipe, jogador do São Paulo, enfrenta o Corinthians - Marcello Zambrana/AGIF
Everton Felipe, jogador do São Paulo, enfrenta o Corinthians Imagem: Marcello Zambrana/AGIF
Menon

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar. Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

04/07/2020 13h55

Everton Felipe estreou no Sport em 2014. Tinha 16 anos e, baseado do que fez na base, a possibilidade de ser um grande jogador. Esteve no Inter, mas uma contusão o atrapalhou e em agosto de 2018 chegou ao São Paulo.

O clube pagou R$ 3 milhões de reais. E teria de decidir em fevereiro de 2019 se pagaria mais R$ 3 milhões. Depois de dez partidas, nenhum gol e nenhuma assistência, o São Paulo optou pela compra. Pagou R$ 2,2 milhões e perdoou uma dívida de R$ 800 mil referentes à contratação do atacante Rogério.

Deveria ter comprado um jogador que não rendeu durante o empréstimo? Ou dar por perdido os R$ 3 milhões iniciais? Difícil decisão.

Há um dado paralelo. Em dezembro de 2018, quatro meses depois de Everton Felipe chegar e pouco mostrar, o São Paulo cedeu Shaylon ao Bahia. Deveria ter dado mais chances ao seu jogador, que brilhava em Cotia, em vez de pagar tanto pela revelação do Sport?

Everton Felipe teve uma participação regular no Paulistão, fez gol de pênalti na semi contra o Palmeiras e foi emprestado ao Furacão em agosto de 2019. Fez cinco jogos e foi devolvido.

E chegou ao Cruzeiro, já rebaixado. Seria a oportunidade de, enfim, mostrar o futebol anunciado nós tempos do Sport.

O São Paulo pagaria os salários e seria ressarcido mensalmente de uma parte paga.

O Cruzeiro não cumpriu suas obrigações, mesmo em um momento em que precisa tanto de transparência, e Everton Felipe volta ao São Paulo, que traz também a promessa de que o Cruzeiro pagará sua dívida.

Everton Felipe provavelmente irá ao Atlético Goianiense, onde de encontrará com Vagner Mancini, que o aproveitou bem durante o Paulistão do ano passado.

Tomara que tenha sucesso.

Sua saga nos últimos 22 meses é um retrato do mau gerenciamento dos clubes. Participou de 35 jogos e não fez gols. Recebeu R$ 130 mil por mês (o mesmo que Antony) e, como é possível viver bem com R$ 30 mil (muito bem, aliás), ele pode ter guardado R$ 2,2 milhões.

Não é por acaso que o São Paulo e Cruzeiro (muito mais) estão afundados em dívidas.

Menon