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Menon


Luxa, bandido. Diniz, mocinho.

Menon

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar. Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

12/01/2020 12h06

As matinês do Cine São José estão presentes com destaque total na minha memória afetiva. Dinheiro no bolso para um sorvete e o ingresso. E as mãos ocupadas com gibis para troca.

O filme? Sempre um far west. Um farvést, como a gente falava. Muito tiro, dentro de uma estrutura binária: protagonista e antagonista. Rasos, sem nuances.

Bandido e mocinho.

Luxemburgo e Diniz.

O Cinema São José está emulado nos debates televisivos.

Se Luxemburgo vencer o Paulista, o Brasileiro, a Copa do Brasil, a Sul-americana, a Concachampions, a Liga da Tailândia, a Libertadores, o Mundial e a disputa contra Saturno, vão dizer que o time venceu sem jogar bem. De forma ultrapassada.

Ultrapassada em relação a quê? Aos conceitos que os debatedores decidiram apontar como modernos.

Se Fernando Diniz perder o Paulista, o Brasileiro, a Copa do Brasil, a Libertadores e a Copa Ferrovia, contra Noroeste, Nacional e Ferroviária, dirão que o time perdeu, mas jogou bem. Jogou de modo contemporâneo.

Em relação a quê?

Aos parâmetro que os debatedores definiram como modernos.

E repetirão frases que se repetem há anos: Diniz precisa de mais tempo para passar seus conceitos.

Qual é a mensagem oculta (nem tanto, no caso?) Os jogadores são burros e demoram a entender tanta genialidade.

Ao mesmo tempo que clamam por tempo a Diniz (que já dirigiu o time em 16 jogos no Brasileirão passado), não se dá tempo nenhum a Luxemburgo.

O seu primeiro, repito, primeiro treino do ano, usando caixa de areia, recebeu o carimbo de ultrapassado. E foi tema de imensos debates.

Imaginem a primeira derrota, o primeiro empate ou a primeira vitória com pouca posse de bola! A casa vai cair.

Amigos, as matinês do Cine São José já se foram há 60 anos. A maturidade mostra que tudo na vida tem nuances, não existe um bandido e um mocinho. Quase tudo, não? O meu bandido de estimação é outro, longe do futebol.

Não existem mocinhos bonitos e bandidos feios, geralmente mexicanos gordos e trapaceiros.

Luxa, pelo que já fez, não é bandido.

Diniz pelo que nunca fez, não é mocinho.

Menon