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Marcel Rizzo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Fifa busca apoio de Brasil e Argentina contra Europa por Copa a cada 2 anos

Gianni Infantino e Alejandro Dominguez, chefes da Fifa e da Conmebol - CARL DE SOUZA / AFP
Gianni Infantino e Alejandro Dominguez, chefes da Fifa e da Conmebol Imagem: CARL DE SOUZA / AFP
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

22/09/2021 04h00

Com a oposição de Conmebol (Confederação Sul-Americana) e Uefa (União Europeia) a seu plano de mudar o calendário do futebol e realizar a Copa do Mundo a cada dois anos, e não quatro como atualmente, a Fifa mira diretamente em federações importantes dessas entidades, principalmente as sul-americanas CBF (Confederação Brasileira) e AFA (Associação Argentina), para tentar ganhar apoio de parte da elite ao projeto.

A federação internacional marcou para 30 de setembro uma apresentação do projeto às associações nacionais. Hoje, a Fifa tem apoio da periferia do futebol, como nos bastidores são chamadas as federações pequenas, e isso até bastaria para fazer o projeto passar em algum Congresso futuro, já que é preciso a maioria simples na votação que engloba os 211 filiados.

Só que a cúpula da entidade sabe que é preciso ter apoio de parte dos grandes entes, que já ganharam a Copa do Mundo alguma vez, para convencer os patrocinadores de que valerá a pena colocar dinheiro em um Mundial bienal. Há intenção de conversar com associações europeias, como Itália, Espanha e França, mas a impressão em Zurique é que essas entidades dificilmente serão convencidas.

As grandes federações veem com desconfiança a ideia de alterar o calendário. A Federação Alemã, quatro vezes campeã do mundo, já se pronunciou oficialmente contra, e não apenas a uma Copa a cada dois anos, mas a mudanças mais radicais até nas datas-Fifa, aquele período do ano em que os clubes são obrigados a liberar seus jogadores para as seleções.

No calendário atual, que vale até 2024, há cinco datas-Fifa por ano, nos meses de março, junho, setembro, outubro e novembro, com janela de nove dias em cada uma. Normalmente, as seleções fazem dois jogos em cada um desses períodos. O plano da Fifa é que junho e julho sejam reservados anualmente para torneios oficiais, as Copas nos anos pares e os continentais, como Euro e Copa América, nos ímpares, e que haja somente mais um ou dois meses de data-Fifa, em outubro e março, com janelas de 15 a 20 dias.

Se isso pode agradar aos clubes (por enquanto não adiantou porque associações de ligas já se mostraram contra) e jogadores, esse plano bate de frente com a galinha dos ovos de ouro de boa parte das federações, como CBF e AFA, que são os amistosos. Já para a Europa significaria o fim da Liga das Nações, novo torneio de seleções da Uefa que tem um retorno financeiro interessante.

A Confederação Brasileira, por exemplo, tem contrato com uma empresa que paga milhões para ter o direito de organizar os jogos não oficiais da seleção brasileira mundo afora. Em um calendário normal, sem pandemia, o Brasil concilia as Eliminatórias para a Copa com partidas muitas vezes contra adversários fracos em países sem tradição no futebol. E ganha muito para isso.

A coluna apurou que a Fifa mira Brasil e Argentina por esse apoio porque no plano proposto, as datas-Fifa no ano da Copa, os pares, poderiam ser usadas para essas confederações realizarem amistosos, já que não há torneio qualificatório para a Copa América, como há na Europa para a Euro.

No momento, brasileiros e argentinos estão com a Conmebol, que pretende votar em bloco contra o projeto se ele entrar na pauta do Congresso em 2022. Resta saber se a Fifa irá convencê-los a mudar de lado nessa história.