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Marcel Rizzo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Mesmo com Guto demitido, Brasileiro-21 tem baixo número de troca de técnico

Guto Ferreira foi demitido do Ceará com o time na oitava colocação da Série A - Gil Gomes/AGIF
Guto Ferreira foi demitido do Ceará com o time na oitava colocação da Série A Imagem: Gil Gomes/AGIF
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

30/08/2021 12h30

A demissão de Guto Ferreira, anunciada na noite de domingo (29) pela diretoria do Ceará, foi a 10ª troca de treinador entre os 20 times que participam da Série A do Brasileiro. É o segundo número mais baixo após 18 rodadas desde 2006, quando o torneio passou a ter 38 rodadas com 20 participantes.

A CBF incluiu no regulamento para esta temporada um limite de troca de treinadores: uma equipe só pode ter dois técnicos durante a competição, ou seja, só pode demitir uma vez. Caso o profissional se demita não é contabilizado, mas há uma brecha: o chamado "comum acordo", quando o clube anuncia que a decisão foi supostamente tomada em conjunto. Nesse caso a alteração também não entra na conta.

Não foi o caso de Guto Ferreira, já que o Ceará anunciou que o demitiu apesar de o time estar na oitava colocação do Brasileirão. A coluna apurou que havia um desgaste do treinador com alguns jogadores já há alguns meses — em junho, o presidente Robinson de Castro chegou a gravar um vídeo em que conversava com Guto e com o meia Vina, negando atritos.

Após 18 rodadas, quase todo o primeiro turno, somente em 2012 havia tido tão poucas trocas de treinadores, com nove — em 2019 houve as mesmas dez. Mas dois anos atrás ocorreu disparada nas mudanças do meio para o fim da competição, o que é comum já que muitos clubes optam por "sangue novo" na reta final quando estão lutando contra o rebaixamento ou por vagas nas competições da Conmebol — Libertadores e Sul-Americana.

As trocas computadas não são apenas por demissões e na conta entra quando o técnico decide sair, como Lisca que pediu demissão do América-MG para assumir o Vasco na Série B. A maioria continua sendo por decisão do clube ou o comum acordo que pode driblar a regra da CBF.

A confederação brasileira tentava desde 2018 regulamentar a substituição de treinadores no Brasileirão, mas os clubes rejeitavam. Os cartolas alegavam que é uma ingerência na administração das equipes e diferente, por exemplo, de limitar quantidade de jogadores ou adotar um prazo para esses atletas serem inscritos. Isso está na regra, mas engloba mais de 30 profissionais por elenco, e não apenas um como é o caso do treinador.

Para 2021, porém, houve o consentimento da cartolagem para inclusão da limitação de uma troca, desde que apenas em caso de demissões, o que abre brecha para o tal "comum acordo".

MUDANÇAS DE TÉCNICOS NO BRASILEIRO ATÉ A RODADA 18 (A PARTIR DE 2006, PONTOS CORRIDOS COM 20 TIMES E 38 RODADAS)
2021 - 10
2020 - 15 (27 no total)
2019 - 10 (26 no total)
2018 - 19 (29 no total)
2017 - 14 (23 no total)
2016 - 13 (29 no total)
2015 - 15 (32 no total)
2014 - 18 (23 no total)
2013 - 15 (24 no total)
2012 - 9 (19 no total)
2011 - 12 (21 no total)
2010 - 18 (32 no total)
2009 - 17 (22 no total)
2008 - 18 (27 no total)
2007 - 16 (32 no total)
2006 - 15 (33 no total)