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Marcel Rizzo

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Brasil x Espanha: final entre campeões ajuda lobby por futebol olímpico

Richarlison diante da marcação de César Montes na semifinal contra o México - Lucas Figueiredo/CBF
Richarlison diante da marcação de César Montes na semifinal contra o México Imagem: Lucas Figueiredo/CBF
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

03/08/2021 10h36

Quando Brasil e Espanha entrarem em campo no próximo sábado, às 8h30 de Brasília, para a final do futebol masculino nos Jogos Olímpicos de Tóquio será apenas a segunda vez em 25 edições olímpicas da modalidade que duas seleções campeãs do mundo estarão disputando o ouro.

A primeira ocorreu justamente na Rio-2016, há cinco anos, quando a seleção brasileira bateu a Alemanha nos pênaltis no Maracanã. Em um momento em que a Fifa discute mudanças no calendário, que pode afetar o futebol olímpico, a presença de duas tradicionais seleções em campo ajuda no lobby para que se mantenha ao menos o modelo atual com três veteranos nos elencos.

O futebol na Olimpíada é um evento que é tratado dentro da Fifa como de base — são as federações que organizam os torneios de suas modalidades, definindo as regras. O limite de 23 anos (24 em Tóquio devido ao adiamento de 12 meses causado pela pandemia) é feito para evitar que os Jogos concorram com a Copa do Mundo e que as principais estrelas estejam em campo nos anos pares entre os Mundiais.

A exceção para três veteranos foi incluída na edição de 1996, em Atlanta (EUA), para tornar a competição um pouco mais atrativa. Foi um pedido de patrocinadores e detentores de direitos de transmissão da Olimpíada, muitos também parceiros da Fifa.

Com limite de idade, e antes proibição de atletas profissionais, a Olimpíada se tornou uma competição mais equilibrada. A Copa do Mundo, em 21 edições, teve apenas oito campeões, de duas confederações, Uefa e Conmebol: Brasil, Argentina, Uruguai, Alemanha, Itália, França, Inglaterra e Espanha.

Em 24 participações do futebol masculino nos Jogos foram 18 seleções com a medalha de ouro, de quatro confederações, Uefa, Conmebol, CAF (Africana) e Concacaf (das Américas do Norte e Central): Brasil, México, Argentina, Camarões, Nigéria, Espanha, União Soviética, França, Alemanha Oriental, Tchecoslováquia, Polônia, Hungria, Iugoslávia, Itália, Suécia, Uruguai, Bélgica e Grã-Bretanha.

A possibilidade de a Copa do Mundo ocorrer a cada dois anos, plano que ganha força dentro da Fifa e que já conta com o apoio de dezenas de federações nacionais, pode mudar o formato do futebol masculino olímpico. Se a ideia do presidente da federação internacional, Gianni Infantino, vingar a partir de 2028, a Copa e a Olimpíada coincidirão sempre: em 28, por exemplo, teríamos os Jogos de Los Angeles e o Mundial de futebol em algum lugar do mundo. Não nos mesmos meses, mas num curto espaço de tempo que obrigue a se decidir o que fazer com o futebol masculino na Olimpíada.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL