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Marcel Rizzo

REPORTAGEM

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Como o Atlético-GO vai receber a 2ª dose da vacina? Conmebol cria logística

Jogador do Atlético-GO recebe 1ª dose da vacina contra covid-19 no Paraguai - Reprodução/Twitter
Jogador do Atlético-GO recebe 1ª dose da vacina contra covid-19 no Paraguai Imagem: Reprodução/Twitter
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

07/05/2021 14h52

Caso o governo brasileiro não libere a entrada e aplicação no Brasil das vacinas contra covid-19 da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol), a entidade vai elaborar uma logística para que os membros da delegação do Atlético-GO recebam a 2ª dose fora do país. A estratégia pode se estender a outros clubes brasileiros que queiram se imunizar em Assunção, por exemplo.

Na noite desta quinta-feira (6), na capital do Paraguai, onde o Atlético-GO venceu o Libertad por 2 a 1 pela Copa Sul-Americana, 44 funcionários entre jogadores, comissão técnica e diretoria do clube goiano receberam a primeira dose da vacina que a Conmebol recebeu em doação do laboratório chinês Sinovac. Das 50 mil doses, cinco mil são para o Brasil e o Atlético-GO foi o primeiro do país a receber sua parte.

A Conmebol pretende criar logísticas parecidas para que delegações de clubes brasileiros que disputam as Copas Libertadores e Sul-Americana também sejam vacinados, já que pela legislação brasileira esses imunizantes ainda não podem entrar no Brasil porque pertencem a uma entidade privada.

Uma ideia é que, se o clube topar, faça escala em Assunção quando estiver voltando ao Brasil de jogos fora de casa, independentemente do país no qual tenha atuado. Essa é uma possibilidade também para que o Atletico-GO recebe a 2ª dose, já que dia 25 de maio enfrenta o Newell's Old Boys na Argentina e no retorno poderia parar na capital do Paraguai.

Há dez dias, a Conmebol enviou aos clubes uma alteração no protocolo sanitário para os jogos de suas competições: permitiu que os voos fretados, obrigatórios para os deslocamentos, façam escalas. Isso estava proibido para diminuir o risco de contaminação, era preciso embarcar e seguir diretamente ao país onde a partida ocorreria. Essa mudança ocorreu, também, para permitir parada em Assunção para vacinar quem queira.

Como a coluna revelou, a CBF conversa com o governo federal para tentar entrar junto na liberação que deverá ser feita aos atletas que irão à Olimpíada de Tóquio, em julho, que poderiam se vacinar mesmo não sendo do grupo de risco. Há otimismo na confederação brasileira de que o presidente Jair Bolsonaro inclua as vacinas da Conmebol na exceção que será aberta aos olímpicos, aí até mesmo o Atlético-GO poderia tomar a 2ª dose em Goiânia.

A CBF informou ao governo federal que as vacinas da Conmebol, importadas direto da China, são do mesmo grupo das feitas pelo Instituto Butantan e que já estão sendo aplicadas em grupos prioritários no Brasil — a Coronavac. Por isso, no entendimento das entidades, não precisaria do aval da Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária), apenas da assinatura de Bolsonaro. Alguns clubes brasileiros, como Santos, Corinthians, Grêmio e Fluminense já se posicionaram contra a vacinação, já que apenas parte do grupo de risco no Brasil se imunizou até o momento.

Mas se o governo não aprovar, ou demorar para isso, o Paraguai é a opção para os clubes brasileiros se vacinarem. Como a coluna mostrou, há também o plano de dar as doses para a delegação da seleção brasileira em Assunção, entre 5 e 8 de junho, quando o grupo estará lá para enfrentar o Paraguai pelas Eliminatórias. A prioridade é imunizar os membros das dez seleções que estarão na Copa América da Argentina e Colômbia, entre junho e julho.

Quem pode se vacinar com as doses da Conmebol
A confederação sul-americana obteve doação de 50 mil doses do laboratório chinês Sinovac, que em contrapartida, como revelou o jornal argentino La Nación, entrará como patrocinador da Copa América. Cada federação terá direito a cinco mil doses, que deve seguir esse roteiro prioritário de aplicação (exemplo válido para a CBF):

Seleção Brasileira:
Máximo de 70 pessoas vacinadas, entre jogadores, membros da comissão técnica e funcionários que estarão na Copa América.

A CBF precisou enviar uma pré-lista de convocados, com 50 atletas, à Conmebol como já previa o regulamento da competição. Mas a Conmebol informou que se a confederação quiser, e puder, poderá imunizar qualquer um desses 50, mesmo que depois o jogador seja cortado e não apareça na lista final de 23 nomes que Tite divulgará nas próximas semanas.

Clubes participantes da Libertadores e da Sul-Americana:
Máximo de 70 pessoas vacinadas entre os clubes que estão nas Copas, sendo obrigatoriamente até 50 jogadores inscritos e o restante membros da comissão técnica e funcionários que normalmente viajam para as partidas.

No caso do Brasil são 14 times: Flamengo, Palmeiras, São Paulo, Fluminense, Atlético-MG, Santos e Inter na Libertadores e Ceará, Corinthians, Athletico, Bahia, Atlético-GO, Bragantino e Grêmio na Sul-Americana.

Clubes da Série A:
Máximo de 50 pessoas vacinadas: 30 jogadores e 20 funcionários (comissão técnica incluída). Excluindo os 14 participantes dos torneios da Conmebol sobrariam para receber essas doses os profissionais de América-MG, Juventude, Cuiabá, Fortaleza, Sport e Chapecoense.

Clubes da Série A-1 do Brasileiro Feminino:
35 pessoas de cada um dos 16 times participantes da edição 2021 poderiam ser vacinadas: 25 jogadoras e 10 funcionários.

Arbitragem:
Árbitros do quadro da CBF receberiam as duas doses, número a ser definido. Além deles, delegados e oficiais que trabalham nas partidas organizadas pela Conmebol e pela confederação brasileira teriam direito às duas doses.

Se houver sobra de doses, a Conmebol autoriza vacinar funcionários das confederações.