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Marcel Rizzo

REPORTAGEM

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Copa América pode ter regra que inibe países de convocarem uma seleção B

Tite pretende levar a seleção brasileira principal para a Copa América - GettyImages
Tite pretende levar a seleção brasileira principal para a Copa América Imagem: GettyImages
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

09/04/2021 04h00

A Conmebol deve incluir no regulamento da Copa América artigo que iniba os participantes de levarem seleções que não sejam as principais para a edição que será realizada entre junho e julho na Argentina e na Colômbia. O torneio deveria ter ocorrido em 2020, mas foi adiado em um ano por causa da pandemia.

O texto final das regras ainda está em análise, mas deve ser incluído artifício parecido com o usado na Copa América de 2019, realizada no Brasil.

Como é impossível determinar como cada treinador vai convocar seu time, a ideia é criar um mecanismo que evite, por exemplo, que Brasil e Argentina levem times mistos, com base olímpica que algumas semanas depois do fim da Copa América disputará os Jogos de Tóquio. Ou que, por causa da pandemia, algum país prefira utilizar atletas mais jovens porque suas estrelas não topem viajar pela América do Sul.

Em 2019 o regulamento, em seu artigo 13, previa que "uma associação nacional que se inscreva na competição não pode se referir (direta ou indiretamente) a sua seleção como uma seleção inferior publicamente ou em qualquer coletiva de imprensa". O texto continuava afirmando que se descumprida a regra haveria sanções, com possibilidade de multa.

Parece um artigo despretensioso, mas não é. No entendimento da cartolagem, ao proibir que, por exemplo, a CBF admita publicamente que levará o time olímpico, ou misto, para a Copa América, a Conmebol está automaticamente evitando que isso de fato ocorra.

Como? Ainda no campo dos exemplos, já que é algo improvável: caso Tite opte por uma seleção mesclada entre a principal e a olímpica, isso tem que ser admitido em entrevistas, não tem como esconder ou disfarçar que não é. E poderia gerar punições à CBF por descumprir o artigo citado.

O retorno que a Conmebol tem é que as dez seleções levarão força máxima — as convidadas Qatar e Austrália desistiram do torneio por causa da pandemia. No caso da CBF, não faria sentido para Tite poupar alguém já que nos últimos 17 meses a seleção fez apenas quatro partidas, por causa de cancelamentos de datas Fifa durante a pandemia. Ele vai querer levar o que tem de melhor em preparação às Eliminatórias para a Copa-2022.

Para a Conmebol é fundamental que a Copa América tenha os principais jogadores. Já houve perda financeira com o adiamento e mesmo planejando ter público, ao menos 30% da capacidade dos estádios, a receita não será a esperada. Se as seleções optarem por times B, há preocupação de que detentores de direitos comerciais e de transmissão possam questionar até judicialmente.

A Copa América será realizada entre 13 de junho e 10 de julho, e no Brasil o calendário não vai parar. Os times brasileiros poderão perder seus atletas por 42 dias, contando também a data-Fifa que começa em 31 de maio, o que significa dez rodadas da Série A do Brasileiro e a terceira fase da Copa do Brasil — Libertadores e Sul-Americana serão interrompidas.

O regulamento da Copa América foi mantido: em vez de dois grupos de seis, serão dois de cinco com a presença dos dez países filiados à Conmebol. Todos jogam contra todos e os quatro primeiros avançam para as quartas de final — somente um é eliminado, portanto. O Grupo A tem sede na Argentina com os anfitriões, Chile, Paraguai, Uruguai e Bolívia. No B, na Colômbia, estão os donos da casa, Brasil, Peru, Venezuela e Equador.

O jogo de abertura, em 13 de junho, é Argentina x Chile, no Monumental de Nuñez, em Buenos Aires. O Brasil estreia dia 14, uma segunda-feira, contra a Venezuela em Medellín. Depois joga dia 18 frente o Peru em Cali, dia 24 diante da Colômbia em Barranquilla e no dia 28 encara o Equador em Bogotá. Se ficar nas duas primeiras colocações, joga as quartas na Colômbia, mas se terminar em terceiro ou quarto vai à Argentina.

A final será dia 10 de julho, um sábado, em Barranquilla (Colômbia).