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Marcel Rizzo

Por que a CBF não pode tirar o VAR apenas dos jogos do Sport

Thiago Neves disse que o Sport foi "roubado" no jogo contra o Palmeiras                              - BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
Thiago Neves disse que o Sport foi "roubado" no jogo contra o Palmeiras Imagem: BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

11/01/2021 17h20

O Sport pediu oficialmente à CBF que seus jogos no Brasileirão 2020 não tenham mais o árbitro de vídeo, depois do que consideraram erro de avaliação do VAR na derrota de 1 a 0 para o Palmeiras, no sábado (9). Os dirigentes do clube pernambucano consideram que houve um pênalti não marcado em lance que a bola toca o braço do palmeirense Rony, no finalzinho da partida.

O problema é que o pedido do Sport é inócuo. A CBF não pode simplesmente deixar de utilizar o VAR em partidas a pedido de clubes porque o uso da tecnologia é decidida no Conselho Técnico realizado antes do início da competição. Seria preciso que os outros 19 participantes do torneio votassem favoravelmente ao pedido do Sport, o que não ocorrerá.

O uso do VAR em jogos organizados pela CBF é regido pelo Regulamento Geral das Competições. Nele está escrito que a CBF não é obrigada a utilizar a tecnologia em todas as partidas de um mesmo campeonato o até da mesma rodada, mas por um motivo específico: "problemas em condições técnicas ou materiais para fazê-la". Ou seja, apenas se não tiver profissionais disponíveis ou dê problema em equipamento.

Os clubes pagam parte do custo do uso do VAR no Brasileirão, cerca de R$ 7 milhões rateado entre os 20 participantes — R$ 350 mil cada. Os R$ 12 mi restantes ficam a cargo da CBF. A avaliação interna da confederação é que o VAR tem sido bem utilizado, apesar de em alguns casos haver uma demora para a tomada de decisões, paralisando jogos vários minutos.

No lance reclamado pelo Sport, a bola bate no braço de Rony depois de chute do próprio companheiro do palmeirense. No primeiro momento o árbitro Dyorgines José Padovani de Andrade (ES) anotou o pênalti, mas depois reviu o lance no monitor à beira do gramado, chamado pelos assistentes do VAR que estavam na cabine. Ele então decidiu voltar atrás.

Em tutorial sobre a arbitragem que a CBF disponibiliza em seu site, há um vídeo apenas para lances de toques de mão. Nessa jogada específica, o chefe da arbitragem da CBF, Leonardo Gaciba, explica que em casos que o jogador chuta a bola no braço do atleta do mesmo time, com direção para fora da área, não deve ser marcado o pênalti. Está no minuto oito do vídeo.

O Sport também pediu em seu ofício a anulação da partida, o que será rejeitado caso chegue aos tribunais desportivos já que, mesmo que se considere que a arbitragem falhou no lance, não houve um erro de direito.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.