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Por contratos, Conmebol não recua e prevê as Eliminatórias para outubro

Neymar comemora durante partida da seleção brasileira contra Senegal. Brasil deve voltar a jogar em outubro, se a Covid deixar - Roslan RAHMAN / AFP
Neymar comemora durante partida da seleção brasileira contra Senegal. Brasil deve voltar a jogar em outubro, se a Covid deixar Imagem: Roslan RAHMAN / AFP
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

08/09/2020 15h23

A Conmebol vai esticar a corda ao máximo para que a Eliminatória sul-americana para a Copa de 2022, no Qatar, comece em outubro próximo, como está previsto. Há o medo de que novos adiamentos obriguem a entidade a alterar o formato do torneio, hoje disputado por pontos corridos em 18 rodadas — os quatro primeiros se garantem automaticamente no Mundial e o quinto joga uma repescagem contra rival de outra confederação.

Mudar o regulamento implicaria em problemas comerciais, apurou o blog. Os contratos de marketing ligados às Eliminatórias são todos amarrados para o formato atual, inclusive o de direito de transmissão que é vendido separadamente por cada federação. Seria problemático, portanto, para cada um dos dez países individualmente.

Nesta terça-feira (8), a Fifa e a Concacaf, a confederação das Américas do Norte e Central, adiaram para março de 2021 o início do qualificatório dos países desse continente por causa da Covid-19. E jogou pressão para a confederação sul-americana, já que a pandemia na América do Sul está em situação bem parecida com o norte do continente.

Como mostrou o blog, o protocolo de saúde para o início das Eliminatórias em outubro foi aprovado na semana passada pelos dez países filiados. É igual ao da Libertadores, com delegações podendo ficar apenas 72 horas no país visitado, proibição de sair de hotel, viagens em voos fretados e com embarque e desembarque exclusivos e testes PCR negativados para que os membros da delegação possam viajar ou participar dos jogos.

Mesmo assim há quem ache dentro da confederação que realizar jogos de seleções será mais complicado do que de clubes já que boa parte dos atletas convocados atuam em diversos países, com estágios diferentes da pandemia. Além dos deslocamentos dentro do continente, haverá viagens da Europa, Ásia e outros locais que podem complicar o desenrolar dos jogos.

Houve até sugestão de dirigentes da Colômbia para se adiar a data Fifa de outubro e jogar mais vezes em novembro e em outras datas — hoje são permitidas duas partidas por rodada. A ideia não avançou, mesmo com a federação internacional criando uma nova data-Fifa, entre janeiro e fevereiro de 2022, para recuperar dias perdidos em 2020 devido às paralisações causadas pela pandemia.

Se precisasse mudar o formato, a Conmebol já tem um plano: dois grupos de cinco, jogos em turno e returno dentro da chave, com os dois primeiros de cada classificados para a Copa e os terceiros jogando um mata-mata para definir quem representaria a América do Sul na repescagem. Isso não agrada a ninguém, principalmente aos grandes, como Brasil e Argentina, que no formato atual dificilmente se veem fora de uma Copa afinal são 18 jogos, e não oito, para definir o futuro.

Adiar as Eliminatórias para 2021 e jogar mais vezes, de três a quatro partidas por data-Fifa, também não é o ideal porque teria que ser montada uma logística complicada para os times não viajarem tanto. A tabela teria que ser refeita e técnicos já se mostraram contra por causa do desgaste.

Hoje, portanto, a Conmebol não vê as Eliminatórias não começando em outubro. A ver o desenrolar nas próximas semanas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.