PUBLICIDADE
Topo

Globo avisa clubes que vai começar a pagar o contrato de PPV do Brasileirão

Maracanã, no Rio, vai receber jogos quando o Campeonato Brasileiro 2020 começar - GettyImages
Maracanã, no Rio, vai receber jogos quando o Campeonato Brasileiro 2020 começar Imagem: GettyImages
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

30/06/2020 13h31

Com Gabriel Vaquer

O Grupo Globo vai pagar os direitos de transmissão do PPV (pay-per-view) a partir desta quarta-feira (1), segundo acordo firmado com os clubes quando houve reprogramação de pagamentos devido à pandemia. A empresa já enviou comunicado aos parceiros de que fará os depósitos.

A emissora, no fim de abril, propôs o corte em três parcelas (abril, maio e junho) referente aos direitos de TVs aberta e fechada da Série A do Brasileiro. Os clubes não gostaram, negociaram, e se não cancelaram a diminuição nessas parcelas conseguiram algumas garantias, como o início do pagamento da cota do PPV para o dia 1º de julho, independentemente da data na qual o Brasileiro começará — como sabemos o torneio foi adiado em maio e a previsão otimista da CBF é somente para agosto.

Dos 20 clubes que disputarão a Série A em 2020, 17 têm contrato de PPV com a Globo. Somente Athletico, sem acordo desde o ano passado, e Coritiba e Red Bull Bragantino, recém-promovidos da Série B, não assinaram para essa plataforma e não têm direito a bolada que começará a ser paga essa semana.

Havia apreensão de alguns clubes de que o pagamento pudesse ser postergado, principalmente depois da divulgação de que a Globo foi à Justiça para não pagar à Fifa uma parcela que vence nesta terça (30) pelos direitos de transmissão dos torneios da federação internacional alegando queda de receita por causa da pandemia.

Diferentemente dos contratos assinados para TVs aberta e fechada, que preveem uma parte (40% de um total de R$ 1,1 bilhão) repartida igualmente entre todos os participantes, o PPV é distribuído com base no número de torcedores de cada clube que assinam o pacote.

No ano passado, a emissora usou uma pesquisa encomendada a um instituto especializado em cima da base de assinantes, mas a promessa para 2020 era de criar um cadastro de clientes, com o clube de coração incluído no documento, para poder fazer a divisão dos valores.

Cada equipe, por contrato, tem direito a uma garantia mínima, e é essa quantia que começa a ser paga nessa semana. O Flamengo, clube de maior torcida do país, tem consequentemente a maior garantia, de R$ 120 milhões — em 2019 a estimativa é que os cariocas receberam quase R$ 150 mi somente do PPV.

Para 2020, esperava-se um valor total distribuído de R$ 700 milhões, R$ 150 mi a mais do pago em 2019, mas a covid-19, que derrubou as assinaturas do Premiere, o canal da Globo para exibir os jogos por meio do PPV, deve fazer com que a quantia final para a temporada fique abaixo do projetado.

O pagamento previsto aos clubes acontece em um momento nada favorável para a Globo. A cada dia que passa, por causa da pandemia do novo coronavírus, o Premiere perde assinantes. A última atualização obtida pelo UOL Esporte mostrou que a Globo já perdeu cerca de 431 mil assinaturas. Com pacotes custando entre R$ 80 e R$ 115, a emissora já perdeu ao menos R$ 34,4 milhões, um valor robusto.

No entanto, a Globo espera que com o retorno de mais Campeonatos Estaduais, além da volta do Brasileiro prevista para agosto pela CBF, o Premiere volte a ter um boom no número de assinaturas. Hoje, pela primeira vez em dez anos, a base de assinantes do Premiere está abaixo de 1,5 milhão de assinantes fixos.

Mesmo com a volta do Carioca nos últimos dias e o retorno de propaganda das operadoras ao pay-per-view, não foram observadas procuras grandes do público para novas assinaturas. O jogo do Botafogo no domingo (28), por exemplo, teve exibição exclusiva do Premiere.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.