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Marcel Rizzo


Coronavírus: VAR em risco no Brasileiro com queda na receita dos clubes

VAR: por custo e segurança tecnologia pode ser sacrificada no futebol brasileiro em 2020 - Divulgação
VAR: por custo e segurança tecnologia pode ser sacrificada no futebol brasileiro em 2020 Imagem: Divulgação
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

23/04/2020 10h20

Classificação e Jogos

O VAR pode ser sacrificado num primeiro momento quando o futebol retornar também no Brasil. A Europa já discute abertamente que pode ser inviável usar o árbitro de vídeo na retomada após a paralisação por causa da pandemia do novo coronavírus, pela segurança dos profissionais que ficam confinados em cabines fechadas.

No Brasil, porém, há outro problema, o financeiro. O modelo adotado para financiar o VAR nas 38 rodadas do Campeonato Brasileiro da Série A prevê que a CBF banque a maior parte, R$ 12 milhões dos R$ 19 mi, com os R$ 7 milhões restantes divididos entre os clubes, o que dá um total de R$ 350 mil para cada um dos 20 participantes.

Clubes avaliam que o VAR será um gasto impraticável com a queda de receitas que terão em 2020. Se retornar com 38 rodadas, o Brasileiro terá portões fechados no início — e há quem aposte que durante todo o ano. Só a não venda de ingressos para os torcedores deixará os clubes com um rombo no orçamento. O Flamengo previa arrecadar R$ 108 milhões em 2020 com bilheteria e operação do Maracanã (venda de produtos). O Corinthians tinha previsão de R$ 71 milhões com entradas vendidas e o Palmeiras R$ 64 mi.

É uma perda grande de receita, por isso já há movimentação dos clubes para diminuir gastos com o retorno das competições em 2020. E o VAR está na lista para ser cortado. Dificilmente a CBF arcaria 100% com os custos, até porque está gastando também com ajuda a times menores, das Séries C e D, o que inviabilizaria o uso do árbitro de vídeo em 2020.

A questão da saúde dos profissionais também pode pesar. Hoje, cada jogo tem uma cabine de controle do VAR no estádio, ou seja, cada rodada são dez VORs (nome dado à sala).

São de cinco a seis profissionais, entre árbitros e operadores, em salas minúsculas, o que será proibido em um primeiro momento quando o futebol retornar — o distanciamento social será regra mesmo após o fim do isolamento até que se encontre vacina e remédio para deter o novo coronavírus.

O ideal seria que houvesse uma central do VAR, em lugar fixo, que comandaria o árbitro de vídeo em todas as partidas, mas hoje isso ainda é inviável no Campeonato Brasileiro por causa de custos e também pela rede de fibra ótica que seria necessária para evitar, por exemplo, um grande atraso na chegada ao VOR das imagens que precisam ser analisadas.

Em torneios em formato de Copa, como Estaduais e a Libertadores, o custo é bancado pelos organizadores, ou seja, federações e Conmebol e o uso da tecnologia vai depender mais da questão de saúde do que a parte financeira. A Federação Paulista de Futebol, por exemplo, já pagou para ter o VAR nas quartas, semi e final do Paulistão, que não tem data para retornar.

Marcel Rizzo