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Marcel Rizzo


Exército faz a segurança dos jogos de Ceará e Fortaleza na Arena Castelão

Homens do Exército fazem segurança da Arena Castelão antes de jogo Ceará x Botafogo (PB), pela Copa do Nordeste - Marcel Rizzo/UOL
Homens do Exército fazem segurança da Arena Castelão antes de jogo Ceará x Botafogo (PB), pela Copa do Nordeste Imagem: Marcel Rizzo/UOL
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

26/02/2020 18h10Atualizada em 27/02/2020 08h39

Homens do Exército farão a segurança externa da Arena do Castelão para o jogo entre Fortaleza e Independiente (ARG), nesta quinta (27), pela primeira fase da Copa Sul-Americana — também já estiveram trabalhando durante Ceará x Botafogo (PB), nesta quarta (26), pela Copa do Nordeste. A paralisação de parte dos policiais militares do Ceará fez com que o governador, Camilo Santana (PT), pedisse ajuda ao Governo Federal. Foram enviados primeiro 150 agentes da Força Nacional e, depois, cerca de 2,6 mil homens das Forças Armadas por meio da Garantia da Lei e da Ordem (GLO).

A cena chamou a atenção já nesta quarta (26), quando era possível ver soldados postados em pontos estratégicos ao redor do Castelão, inclusive com a utilização de carro blindado. A greve dos policiais disparou o número de homicídios no Ceará, que teve 170 assassinatos entre a meia-noite de quarta (19) e às 23h59 de segunda (24), uma média de pouco mais de 28 homicídios por dia. Em janeiro de 2020 inteiro foram 261 mortes violentas, o que dá uma média de pouco menos de nove por dia.

Na quinta-feira (20), o Ministério Público do Ceará pediu para que qualquer partida de grande porte no Ceará fosse remarcada até o fim do motim dos policiais. Nem Federação Cearense, nem a Liga do Nordeste e nem Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) cogitaram cancelar os jogos de seus campeonatos. O Estado deu garantia de segurança.

Dentro da Arena Castelão, policiais militares do Batalhão de Choque estarão presentes auxiliando os seguranças privados na contenção dos torcedores. No sábado (22), já com os policiais paralisados havia quatro dias, o Ceará recebeu o Caucaia pelo Campeonato Cearense e venceu por 1 a 0, mas para um público irrisório de 3.549 pagantes, o que a falta de policiais não gerou problemas. Um helicóptero do Exército também vai sobrevoar o Castelão durante os jogos no Castelão enquanto a GLO estiver em vigência.

Já a partida entre Fortaleza e Independiente tem uma preocupação extra porque o público deve superar os 40 mil presentes, o que vai gerar maiores filas na entrada, trânsito na chegada e na saída e, claro, sempre o potencial de confusão. O jogo é considerado um dos mais importantes da história do Fortaleza, que precisa vencer por dois gols de diferença para se classificar. Agentes da Força Nacional e homens do Exército devem fazer a segurança também nos acessos dos torcedores do Castelão no jogo desta quinta (27).

A GLO assinada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) vale até sexta (28) e não há previsão de renovação. Os policiais dizem que vão seguir parados até que o governo aceite negociar — eles querem anistia e uma reestruturação salarial maior do que a oferecida, um aumento de R$ 3.475 para R$ 4.500. O governo diz estar no limite financeiro e que não concorda em dar anistia.

Em nota preparada especialmente para a imprensa e torcedores argentinos, o Fortaleza deu garantia de que há condições de o jogo da Sul-Americana ser realizado nesta quinta apesar do motim de parte dos policiais militares no Ceará: "O clube e as autoridades garantem em absoluto a normalidade para a realização do jogo e o bem-estar dos torcedores que estiverem na Arena Castelão".

Marcel Rizzo